S. João de João Cutileiro e festas juninas, Rua do Almada (Porto desaparecido).
Arco da Rua do Almada. Porto desaparecido
Arco triunfal erguido a propósito das Festas de Verão na rua
de Santo António (hoje de 31 de Janeiro), em 1908. O tripeiro
Rusgas sanjoaninas. Porto desaparecido
Alho porro. Porto desaparecido.
Tapeçaria
produzida em 1962, da autoria de Mestre
Guilherme Camarinha (1912-1994), retrata a Festa de São João. Nesta tapeçaria estão presentes: o baptismo
de Cristo por São João Baptista, o fogo das fogueiras; a água das orvalhadas;
os balões a subirem para o céu ; as danças e as rusgas populares; os
alhos-porros e ervas de cheiro; o anho assado e outras gastronomias; as
cascatas e os casais de namorados.
S. João, Cutileiro. Praça da Ribeira.
S. João da Foz. Igreja da Foz.
S. João. Igreja da Foz
S. João, Passeio Alegre. Foz
S. João, casa Teixeira de Pascoais, Amarante
S. João, Casa Teixeira de Pascoais, pormenor
S. João - Fontainhas, Porto
Bom
S. João!
As
festas de Solstício vêm de longa data na história da humanidade. Ligam-se aos
rituais e passagem, sempre temidos, e por isso sempre apaziguados com fogo,
água, sons e plantas. Com o passar do tempo e a cristianização dos povos que
ocupavam o espaço europeu, os rituais ganharam um cunho religioso, ligando-se a
santos. S. João é um dos mais populares.
As
fogueiras, por exemplo, passaram a simbolizar a forma como Isabel, mãe de João Batista, anuncia a Maria, o
nascimento do filho que batizaria Jesus. As bandeirinhas podem ser versões
coloridas e menores das grandes bandeiras de Santo António, S. João e S. Pedro.
Os balões seriam lançados para anunciar o início da festa.
As
festividades do solstício ou S. João existem, por exemplo, na Alemanha, Dinamarca,
Espanha, Estónia, França, Gécia, Irlanda, Polónia, Portugal, Suécia, assim como
também na Rússia, Ucrânia e regiões vizinhas.
Na
Alemanha, na celebração de S. João, ou “sommersonnenwende” há danças à volta de
uma fogueira e o lançamento de flores e ervas aos lagos, num ritual de boas
vindas à nova estação.
Na
Dinamarca, a “sankthansaften” ou
“véspera de S. João” comemora-se com
fogueiras , piqueniques e canções tradicionais.
Em
tempos passsados, acreditava-se que os
espíritos bons e maus sobrevoavam os campos nessa noite, pelo que as fogueiras
acesas pretendiam afastá-los. Em épocas
intransigentes, muitas muheres tidas como bruxas foram queimadas nessas
fogueiras.Na atualidade, há uma fogueira em cada bairro de Copenhaga e uma
bruxinha hasteada, aludindo a esse costume.
Na
Estónia, além da herança pré-cristã , há a comemoração da liberdade e
independência, já que uma das batalhas da Guerra da Independência do país ocorreu
a 23 de junho de 1919, na qual os estonianos venceram as tropas alemãs. Por isso, nesse país, a fogueira principal é acesa pelo
presidente do país e é a partir da “chama da independência” que se acendem
tochas para atear outras fogueiras. Há
também o costume de saltar fogueiras e
falar de amor. Aqui, um conto tradicional
conta a história de dois apaixonados, Koit e Hämarik, que só se veem uma
vez por ano, nessa noite mais curta do ano.
A
Espanha também comemora o S. João com fogueiras, convívio e comida típica.
Na
Finlândia a “juhannus” ou “pleno verão”,
famoso sol da meia-noite, é comemorado
com fogueiras junto dos lagos e rios.
Na
França, a festa de S. João é festejada com danças e fogueiras.
Na
Noruega (espaço Schengen) a “Sankthans”
é comemorada com comida típica e uma grande fogueira.
Na Polónia, a “noc
swietojanska”, noite de S. João, antiga “Noc Kupały”, “noite de verão” é
festejada pelas pessoas que desejam sorte umas às outras, atiram cartas de amor
sobre as águas dos rios e saltam fogueiras. Hoje a nota dominante é o convívio a
ver os fogos de artifício e a ouvir música.
Na Rússia (que não pertence à U. E.) e países vizinhos, a “Ivan Kupala”, que
significa “João Batista” é também celebrada atirando flores aos lagos e com
muitas brincadeiras ligadas à água.
Na
Suécia, na “Midsommar” , as pessoas
dançam em redor de um pilar cheio de folhas e flores, havendo comida típica que
inclui: peixe, batatas e morangos.
Em
Portugal, O S. João é celebrado em diversas regiões, com destaque para Porto e Braga.
S.
João do Porto
No
Porto destaca-se o dar a cheirar ervas
aromáticas com principalmente a cidreira, costume ligado a antigos rituais de
fertilidade. Em Braga, a Dança dos Pastores e a Dança do Rei David impunha-se,
assim como em Sobrado, Valongo, a dança dos Bugios e Mourisqueieiros (Bugiadas).
Nos
Açores, esta festa reveste particular brilho em Angra do Heroísmo, na ilha
Terceira, com desfiles, marchas, carros
alegóricos, danças e bailes.
A
primeira referência aos festejos sanjoaninos remonta ao século XIV já que Fernão Lopes se refere a esta
festa.
Embora
muitas tradições já se tenham perdido, no Dia de São João, virtudes e poderes
especiais estão associados ao fogo, ao orvalho, à água das fontes, dos rios e
do mar, às ervas, às plantas e até mesmo ao Sol.
Segundo
Germano da Silva, o manjerico, o alho-porro, os cravos e a erva-cidreira
possuem, no entender do povo, virtudes específicas, provenientes do orvalho,
associadas por exemplo a amores felizes ou casamento próximo.
O
alho porro estará, segundo alguns estudiosos ligados ao culto fálico e o balão
ao culto solar.
Ruas
ornamentadas e iluminadas, arraiais, danças, músicas, jogos e desfiles
alegravam a cidade, durante as Festas de Verão, que eram animadas pelo Clube
dos Girondinos e Clube dos Fenianos, entre outras entidades. Nestas festas, a
cidade engalanava-se, tal como no Carnaval, atraindo muita gente.
Foi
no século XIX que apareceram as primeiras cascatas no Porto. De acordo com o
historiador Hélder Pacheco, “o pai e a mãe das cascatas foram os presépios, que
surgiram em Portugal nos finais do século XVIII”. Segundo ele, os presépios
eram transformados, substituindo-se a Sagrada Família e os reis magos pelos
santos populares. (Helder Pacheco: 2004) Porto - O Livro do S. João
O
martelinho foi Inventado pelo industrial portuense Manuel Boaventura e
oferecido aos estudantes da Queima das Fitas de 1963, tornando-se um sucesso.
Os comerciantes do Porto viram nestes "martelos musicais"
potencialidades para a festa de São João, até porque um ritual de passagem que
se preze, como este, que em tempos antigos celebrava a transição do equinócio
para o solstício, tinha que ter fogo, ruído e água.
A
primeira referência aos festejos sanjoaninos remonta ao século XIV já que Fernão Lopes se refere a esta
festa.
Em
1851, os jornais relatavam a presença de cerca de 25 mil pessoas nos festejos
sanjoaninos entre os Clérigos e a Rua de Santo António.
1910,
um concurso hípico integrado nos festejos motivou a presença do infante D.
Afonso, tio do rei (a revolução republicana apenas se daria em Outubro).
Nesta
festa, destacam-se os alhos porros para bater na cabeça de quem passa, saltos à
fogueira, manjericos com quadras, lançamento de balões de ar quente e enfeites
coloridos. A partir de em 1963, os martelinhos impuseram-se.
Bibliografia/Webgrafia:
Helder
Pacheco. 2004. Porto- O Livro do S. João. Edições Afrontamento
Webgrafia.
Germano
Silva, Porto do Germano: Os rituais do São João. Disponível em https://www.jn.pt/4843057773/porto-do-germano-os-rituais-do-sao-joao/.
Consultado: 20 junho, 2023 às 15:00.
https://www.semprefamilia.com.br/cultura/festas-juninas-pelo-mundo-como-sao-joao-e-celebrado-em-outros-paises/
https://www.awebic.com/sao-joao-em-outros-paises/
Bispo luterano abençoa a “chama da
independência”. Foto: Ardi Hallismaa/Forças Armadas da Estônia.
https://veronicandrade.wordpress.com/tag/sao-joao-na-dinamarca/
https://www.360meridianos.com/especial/sao-joao-espanha
https://buencamino.com.br/2021/06/23/sao-joao-na-galicia/
http://farofadbatata.blogspot.com/2009/06/festa-junina-polonia-despois-de-tantos.html
viajandonotempo -
https://viajandonotempo.blogs.sapo.pt/20151.html
https://www.oportoencanta.com/2015/06/uma-cascata-de-sao-joao-com-mais-de-40
anos.
Germano Silva, Porto do Germano: Os rituais do
São João, 20 junho, 2023 às 15:00, https://www.jn.pt/4843057773/porto-do-germano-os-rituais-do-sao-joao/