terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Roteiro de Arte Nova no Porto

 

Proposta de roteiro para observação de edifícios de Arte Nova no Porto:

(locais mais ou menos perto do Coliseu)

 

R. Passos Manuel – R. Santa Catarina - Café Majestic

 

R. Santa Catarina - Rua 31 de janeiro – antiga ourivesaria Reis, nº 243-247

 

Rua 31 de janeiro- antiga Ourivesaria Cunha & Sobrinho

 

Rua 31 de janeiro, nº 174 - Ourivesaria Miranda e Filhos conhecida por casa Vicent

 

Rua do Loureiro nº 52 – antiga ourivesaria Cunha, antiga Confeitaria Serrana (interior)

 

Rua Cândido Reis, nº  75-79 – fachada de casa

 

Rua Galeria de  Paris, 26 e 34 – Fachada de casa

 

Rua das Carmelitas, nº 100 -  edifício das Quatro Estações.  

 

Rua das Carmelitas, nº 144 - Livraria Lello & Irmão – detalhes interiores remetem para a arte Nova.

 

Rua de Sá da Bandeira, nº 21- Hotel Peninsular

 

Rua Sá da Bandeira, nº 84 – Café, Hotel A Brasileira

 

Rua Sá da Bandeira, nº  108,  antiga Casa Pereira

 

Rua Formosa 279 – Mercearia Pérola do Bolhão

 

Rua Formosa 339 - Confeitaria do Bolhão - interior com painéis de azulejos e um conjunto de espelhos que "mantém os seus traços, estruturas e cores originais, específicos da arquitetura da Arte Nova" Integra na decoração peças e equipamento de origem, como o serviço de talheres e de chá em prata e as loiças da Vista Alegre.

 

 

 

 

 

Café Majestic

Situa-se na rua Santa Catarina número 112

Foi projetado por João Queiroz (1892-1982) em 192.

Inaugurado como café Elite, foi renomeado no ano seguinte.

 Na descrição da Direção-Geral do Património Cultural diz-se: "Tudo é decorado com materiais nobres como a madeira, o mármore, o cristal, o couro e os espelhos. As formas arredondadas, os medalhões, as figuras esculpidas, os marmoreados procuram no detalhe simular figuras humanas e vegetais. A romper o pavimento do café, existe uma escada de acesso à cave, outrora Salão de Bilhares".

O pátio interior foi contruído em 1925, sob orientação do mestre Pedro Mendes da Silva que procurou recriar um jardim de inverno. Devido a este espaço, abre-se para a Rua Passos Manuel, abertura já projetada ao estilo da Casa Portuguesa de Raul Lino.

 O café foi classificado como Imóvel de Interesse Público, em 1983.

 Em 1994 foi restaurado, tendo adquirido, desde então enorme interesse turístico.

 


 

 


 

 

 

                             A Vida em Fotos: 72 - A Rua de 31 de Janeiro, ex de Santo António

 

 











Ourivesaria Reis e Filhos foi fundada em 1880, por António Alves dos Reis, no nº 239, na ainda Rua de Santo António. Em 1905, pretendendo ampliar as instalações, os seus filhos, Seraphim Reis e Manuel Duarte dos Reis arrendaram o edifício vizinho, nº 243-247, na esquina com a Rua de Santa Catarina, nº 1-5, onde se localizava a Carvalho Alfaiate e encomendaram a obra a José Teixeira Lopes.  

“Arquitectura civil comercial, arte nova. Loja em arquitectura do ferro com referências Arte Nova e Rocaille nas formas aconcheadas e onduladas com volutas. Afinidades com a Ourivesaria Cunha e Casa Vicent. Constitui um dos raros exemplares da arquitectura comercial com referências Arte Nova (o busto da mulher na esquina) muito semelhante a outros dois casos de devantures na mesma R., a Ourivesaria Cunha e a Casa Vicent. Todas elas foram construídas pela Companhia Aliança. O trabalho em ferro fundido assemelha-se à arte de ourivesaria da prata lavrada e cinzelada”. http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=513, consultado a 22.01.2026

 

Casa Vicente





Ourivesaria Miranda e Filhos No número 174, quando ainda era chamada Rua de Santo António, foi localizada uma imagem da fachada da Ourivesaria Miranda e Filhos (s.d.). Entretanto, sobre esta não foram encontradas maiores informações que completassem a imagem, apenas a indicação da localização, remetendo a uma data anterior a 1910, ano em que o nome da rua foi alterado, ou do período entre 1940 e 1974, quando retornou ao nome anterior, conforme já citado. Posteriormente neste local se localizaria a Casa Vicent que, de acordo com a Direção-Geral do Património Cultural - DGPC, encontra “afinidades com a Ourivesaria Cunha e Ourivesaria Reis na mesma rua, todas elas construídas pela Companhia Aliança59” e sua fachada “foi elaborada em plena 1.ª Grande Guerra Mundial, entre 1914 e 1915, com materiais provavelmente encomendados à Companhia Aliança (...) A designação pela qual este estabelecimento é conhecido deve-se ao comerciante estrangeiro que nele se instalou, de nome Vicent, numa época em que a rua onde abriu se transformava numa das principais artérias comerciais do quotidiano portuense no despontar do século XX.”

 







 

Ourivesaria Cunha & Sobrinho

A Ourivesaria Cunha & Sobrinho: Jóias e objectos d’arte em prata, de propriedade de José Pinto da Cunha é a designação com que aparece nos almanaques da época.

Estabeleceu-se inicialmente no edifício que pertenceu à Confeitaria Serrana, na Rua do Loureiro, nº 46 a 52.

Em 1915, muda-se para a loja da Rua 31 de janeiro, n.º 200 a 202. O projeto é do arquiteto portuense Francisco de Oliveira Ferreira.

O edifício ainda hoje mantém quase toda a traça interior original, mas a em estilo rococó e neoclássico não resta quase nada. No entanto, conservam-se os tetos pintados de Acácio Lino, em tom alegórico e ao gosto das elites da época.

 

Ourivesaria Cunha, na Rua do Loureiro, em 1913 – Ed. Illustração Portugueza de 17 de Novembro de 1913 – Porto de Antanho

Das várias designações que a ourivesaria teve, a que é referida repetidamente e de forma solida pelos almanaques da época é “Ourivesaria Cunha & Sobrinho: Jóias e objectos d’arte em prata”, ocupando os números 46 a 52 da Rua do Loureiro. O edifício ainda hoje existe, mantendo quase toda a traça interior original, mas da fachada, da autoria de Francisco Oliveira Ferreira em estilo rococó e neoclássico misturados, não resta quase nada. Mas, acima de tudo, conservam-se os tetos pintados de Acácio Lino, em tom alegórico e ao gosto das elites da época.

Arte Nova, com influências do Art Nouveau e Rocaille, utilizando ferro fundido de forma ornamental.

É um dos poucos exemplares de arquitetura comercial Arte Nova no Porto, destacando-se pela elaboração em ferro, que remete à ourivesaria. Considerada um futuro monumento ou bem de interesse patrimonial pelo Porto, estando sob a alçada da DGPC.

A DGPC, através do seu portal, documenta e cataloga imóveis como a Ourivesaria Cunha, que embora não seja ainda um monumento nacional classificado, é reconhecida pelo seu valor arquitetónico e histórico para o património cultural português.

 A Direção-Geral do Património Cultural a sua fachada principal apresentando “uma “devanture”, superfície trabalhada em ferro fundido e lioz nacional, com aplicações em bronze dourado e latão polido. Nesta “devanture” está inserida a porta de acesso aos andares superiores do edifício, decorada com elementos escultóricos executados em pedra lioz (…) A entrada da loja é coroada por um entablamento interrompido por volutas entre as quais se inscreve a escultura de José de Oliveira Ferreira (1883-1942), intitulada “Grupo de Amore”.

Ainda de acordo com a descrição da Direção-Geral do Património Cultural – DGPC, o interior do imóvel “é constituído por dois salões separados por um arco abatido apoiado em duas colunas, contendo o primeiro vitrines Arte Nova executadas em madeira encerada. No segundo existe uma escada em caracol de acesso à cave e, é onde se encontra o mobiliário mais antigo pertencente à primitiva loja na Rua do Loureiro. No interior as paredes são forradas a papel, os tectos em estuque trabalhado e pintado e o pavimento é executado em soalho de madeira” A loja foi classificada como Imóvel de Interesse Público, em 2002.

 

Confeitaria Serrana

Na Rua do Loureiro, número 52, fica um edifício no qual funcionou entre 1880 e 1914, a Ourivesaria Cunha, (antes de se mudar para a Rua de 31 de Janeiro, no espaço onde hoje funciona a Machado Joalheiro). Desenhado pelo arquiteto José de Oliveira Ferreira e construída ao estilo Arte Nova. Possuía janelas, mesas e o varandim em ferro bem como uma  tela de Acácio Lino, assim como colunas onde estão as esculturas de José de Oliveira Ferreira.

Mais tarde, funcionou aí a Confeitaria Serrana, hoje fechada à espera de novo rumo.

 

 

 

A construção de três andares, no número 75-79 da Rua Cândido dos reis, edifício singelo, insere-se no estilo Arte Nova.Possui a nível vãos e caixilharias unitárias que lhe dão coesão. 

 

 

 

Na rua das Carmelitas, número 100, o edifício das Quatro Estações, “cujo nome deriva dos quatro relevos que encimam as quatro pilastras que caracterizam o seu alçado, é um exemplo formal das caraterísticas arquitetónicas de Marques da Silva.  Com um projeto iniciado em 1905, a “forma reflecte um programa novo” , encontrado nos seus escritórios e com as grandes montras. É enquadrado na linguagem beaux-arts, de acordo com a Fundação Marques da Silva.  Os detalhes escultóricos da fachada inscrevem-se numa linguagem orgânica próxima à Arte Nova

Fonte: Fundação Marques da Silva - Edifício das 4 Estações - Disponível em: https://fims.up.pt/index.php?cat=2&subcat=8&

 

 

 

 

 

O edifício entre os números 26 e 34, da Galeria de Paris, foi construído em 1906, pelo proprietário Domingos José Fernandes, com projeto de José Estêvão, Eduardo Augusto e Parada Silva Leitão, conforme Livro de Plantas de Casas, do Arquivo Histórico, da Câmara Municipal do Porto. A construção destinava-se a um estabelecimento comercial no rés do chão e habitação nos superiores.

A fachada Arte Nova é revestida a azulejos, com influência do artista belga Paul Henkar.

Os vãos e caixilharias possuem um tratamento particularmente coerente e unitário que lhes concede bastante interesse

É considerado um dos melhores exemplos do movimento na cidade do Porto, encontrando-se Está  classificado como Imóvel de Interesse Público.

 

 

 

 

O edifício onde está instalada a Livraria Lello & Irmão na rua das Carmelitas, número 144, foi construído em 1906, com projeto do engenheiro Francisco Xavier Esteves. As pinturas na fachada são de autoria do professor José Bielman, que representam a Arte e a Ciência, e vitral do arquiteto holandês Gerardus Samuel van Krieken.

 O seu estilo é reconhecidamente eclético, mas as formas onduladas de sua escadaria, e as referências florais em alguns pomenores decorativos nas paredes ou nas luminárias, deixam um toque de organicidade que remetem à Arte Nova.

 A Livraria Lello & Irmão encontra-se enquadrada como Monumento de Interesse Público .

 

 

 

Outros imóveis da Rua de Sá da Bandeira, permaneceram sem que muito pudesse ser acrescentado aos seus históricos devido a falta de informações disponíveis. Isso se refere tanto ao edifício dos números 377-385, que tem no detalhe da porta principal, em ferro fundido e vidro, uma gramática marcadamente Arte Nova.

 

O Hotel Peninsular, na mesma rua, números 19- 29, tendo sido encontrado por esta pesquisa apenas raros dados que pudesse aprofundar as referências gerais dos imóveis.

 

                                                                       Edifício 377-385

 

Do Hotel Peninsular, que conta com uma fachada decorada com painéis de azulejos, varandas em ferro fundido e janelas em arcos.  

 

                                                                  Hotel Peninsular

 

Integrada no edifício do Teatro Sá da Bandeira (1867), número 108, encontra-se a antiga Casa Pereira (atualmente a loja Dance Planet). Possui uma fachada em madeira e vidro, com características próximas da Arte Nova.

 

 

                                          Casa Pereira

 

 

 

 

 

Café Restaurante e Hotel A Brasileira, localizado na rua Sá da Bandeira, número 84, foi fundado pelo farmacêutico Adriano Soares Teles do Vale, brasileiro enriquecido de torna viagem, em 1904, que abre um estabelecimento para torrefação e venda do café.

Já, então a sua propaganda apresentava a imagem de um senhor sorridente, com o slogan “O melhor café é o da Brasileira” e nele oferecia uma pequena chávena de café e  uma brochura que ensinava a sua confeção.

No início do século XX não era comum o café ser torrado à frente dos clientes ou tomar café na rua. No entanto, o êxito foi tão grande que acabou por comprar os imóveis vizinhos entre as ruas de Sá da Bandeira e a Rua de Bonjardim (menos um pequeno prédio) e reabrir o salão de café, em 1938.

Com projeto do arquiteto Francisco de Oliveira Ferreira, a casa foi reinaugurada com grande luxo, “transformando-se no café dos escritores, artistas, políticos, jornalistas e boémios, que ali se reunião para beber café e discutir assuntos da vida cultural, cívica e política da cidade do Porto”.

A fachada principal do edifício, é adornada por um para-sol de vidro e ferro forjado.

Ainda hoje podem ser encontrados na cidade vestígios da antiga propaganda do café, tais como um painel de azulejos em um muro da rua do Dr. Ricardo Jorge, com o referido slogan.

 

Google maps, Rua Dr. Ricardo Jorge

 

O sucesso alcançado pelo comerciante permitiu-lhe ampliar os cafés tendo inaugurado outros cafés “A Brasileira" em Lisboa (1905), Braga (1907) e em Coimbra (1928).  

 

 

Na rua Formosa, 279, a tradicional mercearia A Pérola do Bolhão foi fundada em 1917, por António Rodrigues Reis, com o objetivo da comercialização de chás, cafés e especiarias.

A sua fachada, coberta em painéis de azulejos, executados na Fábrica do Carvalhinho, de Vila Nova de Gaia, representam mulheres indígenas, remetendo aos países nos quais se produziam os produtos ali negociados

A partir de 1956, António Almeida Rodrigues Reis assumiu a administração da loja, que ampliou os produtos oferecidos de mercearia, confeitaria, charcutaria e de frutos secos.

 

 

A Confeitaria do Bolhão, fundada em 1896, é um estabelecimento cuja fachada não possui referências à Arte Nova, no entanto, o interior possui painéis de azulejos e um conjunto de espelhos que mantém os traços, estruturas e cores específicos da Arte nova”  seus traços, estruturas e cores originais, específicos da arquitetura da Arte Nova"

 

 

                                     https://www.confeitariadobolhao.com/pt/historia.html

 

 

 

 

 

Os atuais proprietários que a adquiriram em 1998 mantiveram as principais caraterísticas da arquitetura interior como os espelhos nas paredes, as pinturas com as cores originais, os balcões, o gradeamento em ferro, além do serviço de talheres e de chá em prata e as loiças da Vista Alegre A fachada é um belo exemplar da arquitetura da segunda metade do séc XIX, com a utilização de materiais nobres como o mármore.

Integra na decoração diversas peças e equipamento de origem, como o serviço de talheres e de chá em prata e as loiças da Vista Alegre.

Curiosidade: Foi aqui servido o Lanche Mariage da violoncelista portuense Guilhermina Suggia (1885-1950). Agustina Bessa-Luís no  livro "O Princípio da incerteza (vol.II) – a alma dos ricos salude a este espaço.

 

https://www.confeitariadobolhao.com/pt/historia.html

https://www.e-cultura.pt/artigo/19397

A Arte Nova no Porto: Fragmentos de um movimento artístico e arquitetónico

na memória e na história da cidade. Instituto de Ciências Sociais

Universidade do Minho. MInho 2021 consultado em https://repositorium.uminho.pt/server/api/core/bitstreams/f4beb586-13c9-4d9a-b88d-61900781e1c0/content

https://repositorium.uminho.pt/server/api/core/bitstreams/f4beb586-13c9-4d9a-b88d-61900781e1c0/content


terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Jardim Passos Manuel - localização

 



Jardim Passos Manuel - localização

Ao longo dos anos da sua existência, o Jardim Passos Manuel foi dado a conhecer como o melhor salão do Porto bem como «o primeiro e melhor centro de diversões do país»265, onde o público que o frequentasse poderia divertir-se das mais variadas formas, com espetáculos adaptados para os espaços interiores e exteriores assim como um programa adequado consoante a época do ano, sendo este dividido em duas, a de inverno e a de verão. Durante o seu período de atividade foram efetuadas ampliações no espaço, não só para o melhorar seguindo a evolução dos tempos, mas também para dar resposta às exigências do público, assim como para criar novos ambientes que pudessem servir vários propósitos. As referências a este local foram diminuindo na fase final da sua atividade e, após a construção do Coliseu do Porto, só há algumas menções pontuais.

 

FERREIRA, A.J. – Animatógrafos de Lisboa e Porto. 2ª Ed. Lisboa: s.e., 1994, p. 280

 

Se observamos em pormenor a área que compreende a rua Formosa, a rua de Sto.

António - atual rua 31 de Janeiro -, a rua de Sta. Catarina e a antiga rua direita de Sto.

Ildefonso272, haviam algumas construções e arruamentos mas, maioritariamente, ela era

composta por áreas não edificadas.

A partir de meados do século XIX houve necessidade de dar resposta às carências

crescentes que se faziam sentir na maior parte das cidades portugueses, nomeadamente

em Lisboa e Porto, surgindo dessa forma um Plano de Melhoramentos presente no

Decreto-Lei de 31 de Dezembro de 1864, criado pelo General João Chrysostomo de

Abreu e Sousa, que visava melhorar o plano urbano adequando-se às novas

exigências, o que abriu muitas das novas ruas do Porto.

Por volta de 1874/75 havia um estudo para a abertura da rua Sá da Bandeira e da

rua de Passos Manuel que ficariam em «terrenos pertencentes à Dona Antónia Adelaide

Ferreira, a Ferreirinha, e a outros proprietários que para tal fim os ofereceram»

 

Por conseguinte deu-se início à construção da primeira parte da rua, a qual teria

13 m de largura e iria desde a rua Sá da Bandeira até à rua de Sta. Catarina, ficando a nova

rua de Passos Manuel posicionada também entre as ruas de Sto. António e Formosa. A

monografia de Santo Ildefonso refere que a rua já consta numa planta levantada em

1875.   A mesma publicação diz-nos o seguinte: «O troço primitivo, entre as ruas de Sá da Bandeira e de Santa Catarina, vem indicado, ainda sem denominação, na planta de Mangeon», Os campos eram atravessados por uma linha de água

podemos observar nas plantas de 1833 e 1865, e que deixou de existir aquando da

abertura da travessa de Passos Manuel, hoje rua do Ateneu Comercial do Porto.

 

No plano de melhoramentos da cidade do Porto, de 1881, é referido o prolongamento da segunda parte que teria 16 m de largura e que prosseguiria «desde a rua de Sta. Catarina até ao largo de Sto. André, com conclusão da parte já aberta». Na monografia acima mencionada, ficamos a saber que a segunda parte da rua foi «rasgada mais tarde, em terrenos da grande Quinta de Lamelas, de que são restos alguns quintais da Rua Formosa e de Santo Ildefonso».

 

Na planta de 1892, s constatamos um nítido aumento da malha urbana e maior número de

arruamentos em relação às plantas de 1833 e de 1865, particularmente na zona oriental

do Porto.

 

Atendendo à planta de 1892 e analisando a zona entre as ruas de Passos Manuel, de Sta. Catarina a poente, Formosa a norte e de Sto. Ildefonso a nascente e a sul, encontram se uns terrenos com a forma de um polígono irregular com sete lados, onde podemos ver a presença de um jardim e alguns lagos de pequenas dimensões. Mesmo em frente, do outro lado da rua de Passos Manuel, vemos outro jardim que tem a forma de um polígono irregular de cinco lados, que ficaria nas traseiras da Igreja de Sto. Ildefonso. Se prolongarmos os limites que definem os dois terrenos concluímos que ambos coincidem perfeitamente, o que demonstra que o terreno original foi dividido aquando da abertura da rua de Passos Manuel.

Num documento datado de 24 de agosto de 19072, é feito um pedido de vistoria

aos terrenos que ficam por detrás da fotografia Alvão, pois o requerente Alberto Joaquim

pretendia ali construir um cinematógrafo.

 

Planta topográfica do jardim Passos Manuel

 

As primeiras notícias sobre um espaço na rua de Passos Manuel

surgem a partir do dia 28 de janeiro de 1908, num artigo da primeira página do jornal O

Comércio do Porto, onde se refere a construção de uma sala de espetáculos num vasto

terreno da rua de Passos Manuel.

 

Em 14 de março de 1908, também no mesmo jornal, é referido que «no parque

e jardins da Casa Pinto da Fonseca, à rua de Passos Manuel, o conhecido e estimado

emprezario Snr. Luiz Faria tomou de arrendamento para explorar diversos

divertimentos». «...Este novo recinto de espectáculos será inaugurado brevemente com

um aperfeiçoado apparelho cinematographico»

 

Com a data de 17 de março de 1908, surgem-nos duas informações: a primeira,

uma pequena menção no jornal O Comércio do Porto, que nos informa que «uma elegante

casa de espectáculos, acaba de se construir na Rua Passos Manuel» e que «este

recinto fica sendo dos mais formosos do Porto para espectáculos públicos»; e a

segunda, um auto de vistoria é feito a um pavilhão na rua de Passos Manuel,

denominado Paraíso no Porto, onde o requerente, Luiz Alberto de Faria Guimarães,

pretende dar espetáculos públicos de cinematógrafo e outros, dando-lhe a denominação

de Paraíso no Porto.

 Este espaço seria designado por Paraíso no Porto e a sua construção iniciou-se em agosto de 1907.

Este espaço «Fica delimitado ao norte pelos quintaes das casas da rua Formosa e com o muro divisório construído sobre o poço existente nas trazeiras da Cocheira com entrada pela rua Formosa nº 159, ao nascente pelos quintaes das casas da mesma rua e da dita rua de Passos Manuel, ao sul por esta mesma rua de Passos Manuel e ao poente pelos quintaes das casas da rua de Santa Catharina e terrenos d’aquella rua de Passos Manuel.

E’ de natureza de prazo com o laudémio de quarentena à Mitra d’esta Diocese, e tem poço de

meação. Confrontando do sul com a rua de Passos Manuel, do norte com Joaquim Pinto da

Fonseca e outros, bem como do nascente e do poente com herdeiros de Constantino do Vale

Coelho Cabral, Joaquim Ventura da Silva Pinto e outros».

Relativamente aos donos deste terreno surge também uma informação na revista

O Tripeiro de 3 de março de 1961292, em que se menciona que no ano de 1911, o Governo

Civil autorizou a compra dos terrenos onde se encontrava o Jardim Passos Manuel e que

estes faziam parte do prazo denominado «Do Casal e da Quinta do Adro», da qual a Mitra

seria a senhoria direta, algo que é mencionado na descrição predial. Também

encontramos no Registo Predial que a Empresa Artística S.A. adquiriu estes terrenos a

Joaquim Pinto da Fonseca e à sua mulher Alzira Ramalho Pinto da Fonseca, em 5 de maio

de 19112

 

É bem provável que a Empresa Artística Limitada tivesse adquirido ao longo dos

anos mais terrenos, particularmente aqueles que teriam entrada pela rua Formosa pois

sabe-se que parte daquele terreno foi utilizado para a construção do Coliseu do Porto.



 

 Fachada da entrada principal para o Jardim Passos Manuel

Fot. de Aurélio Paz dos Reis, Comício Republicano de 25 de Março de 1908 (No

Porto: o desfazer do comício à saída do Jardim Passos Manuel), PT/CPF/APR/001922.

Centro Português de Fotografia (CPF)

 

Pormenor da fot. anterior da autoria de Aurélio Paz dos Reis onde se consegue ver a

fachada do Jardim Passos Manuel ao fundo e a população a sair do recinto do Grémio

Recreativo.

Fot. de Carlos Pereira Cardoso, O desfazer do Comício - O Comício Republicano de

25 de Março no Jardim do Grémio Recreativo, no Porto, 1908. 

in Hemeroteca Digital, Illustração Portuguesa, Nº 111 de 6 de Abril de 1908.

<http://hemerotecadigital.cmlisboa.pt/OBRAS/IlustracaoPort/1908/N111/N111_master/N111.pdf

 

Entrada do "Jardim Passos Manuel", c.1908.

Situado na rua de Passos Manuel, foi inaugurado em 1908 e demolido passados 30 anos, para dar lugar à construção do Coliseu do Porto.

O Salão Jardim Passos Manuel era um lugar elegante, baseado nos jardins parisienses da época, e proporcionava todo o tipo de entretenimentos: café-concerto, music-hall, esplanada e cinematógrafo.

Foi-se tornando na mais famosa casa de espetáculos do Porto.

 

 

 

Restaurante

[s.a.], Jardim Passos Manuel: restaurante, década de ‘10 [Bilhete Postal],

em http:// <http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of

 

 

[s.a.], Jardim Passos Manuel: escadaria do restaurante, década de ‘10 [Bilhete

Postal], http:// <http://gisaweb.cm-porto.pt/units

 

Escadaria para o restaurante

 

[s.a.], Porto um trecho do Jardim Passos Manuel (I), c. 1910 [Bilhete Postal],

http:// <http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of

[s.a.], Porto um trecho do Jardim Passos Manuel (II), c. 1910 [Bilhete Postal],

http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of

[s.a.], Porto um trecho do Jardim Passos Manuel (III), c. 1910 [Bilhete Postal],

http:// <http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of

 

[s.a.], Porto um trecho do Jardim Passos Manuel (IV), c. 1910 [Bilhete Postal], 

http:// <http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of