terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Jardim Passos Manuel - localização

 



Jardim Passos Manuel - localização

Ao longo dos anos da sua existência, o Jardim Passos Manuel foi dado a conhecer como o melhor salão do Porto bem como «o primeiro e melhor centro de diversões do país»265, onde o público que o frequentasse poderia divertir-se das mais variadas formas, com espetáculos adaptados para os espaços interiores e exteriores assim como um programa adequado consoante a época do ano, sendo este dividido em duas, a de inverno e a de verão. Durante o seu período de atividade foram efetuadas ampliações no espaço, não só para o melhorar seguindo a evolução dos tempos, mas também para dar resposta às exigências do público, assim como para criar novos ambientes que pudessem servir vários propósitos. As referências a este local foram diminuindo na fase final da sua atividade e, após a construção do Coliseu do Porto, só há algumas menções pontuais.

 

FERREIRA, A.J. – Animatógrafos de Lisboa e Porto. 2ª Ed. Lisboa: s.e., 1994, p. 280

 

Se observamos em pormenor a área que compreende a rua Formosa, a rua de Sto.

António - atual rua 31 de Janeiro -, a rua de Sta. Catarina e a antiga rua direita de Sto.

Ildefonso272, haviam algumas construções e arruamentos mas, maioritariamente, ela era

composta por áreas não edificadas.

A partir de meados do século XIX houve necessidade de dar resposta às carências

crescentes que se faziam sentir na maior parte das cidades portugueses, nomeadamente

em Lisboa e Porto, surgindo dessa forma um Plano de Melhoramentos presente no

Decreto-Lei de 31 de Dezembro de 1864, criado pelo General João Chrysostomo de

Abreu e Sousa, que visava melhorar o plano urbano adequando-se às novas

exigências, o que abriu muitas das novas ruas do Porto.

Por volta de 1874/75 havia um estudo para a abertura da rua Sá da Bandeira e da

rua de Passos Manuel que ficariam em «terrenos pertencentes à Dona Antónia Adelaide

Ferreira, a Ferreirinha, e a outros proprietários que para tal fim os ofereceram»

 

Por conseguinte deu-se início à construção da primeira parte da rua, a qual teria

13 m de largura e iria desde a rua Sá da Bandeira até à rua de Sta. Catarina, ficando a nova

rua de Passos Manuel posicionada também entre as ruas de Sto. António e Formosa. A

monografia de Santo Ildefonso refere que a rua já consta numa planta levantada em

1875.   A mesma publicação diz-nos o seguinte: «O troço primitivo, entre as ruas de Sá da Bandeira e de Santa Catarina, vem indicado, ainda sem denominação, na planta de Mangeon», Os campos eram atravessados por uma linha de água

podemos observar nas plantas de 1833 e 1865, e que deixou de existir aquando da

abertura da travessa de Passos Manuel, hoje rua do Ateneu Comercial do Porto.

 

No plano de melhoramentos da cidade do Porto, de 1881, é referido o prolongamento da segunda parte que teria 16 m de largura e que prosseguiria «desde a rua de Sta. Catarina até ao largo de Sto. André, com conclusão da parte já aberta». Na monografia acima mencionada, ficamos a saber que a segunda parte da rua foi «rasgada mais tarde, em terrenos da grande Quinta de Lamelas, de que são restos alguns quintais da Rua Formosa e de Santo Ildefonso».

 

Na planta de 1892, s constatamos um nítido aumento da malha urbana e maior número de

arruamentos em relação às plantas de 1833 e de 1865, particularmente na zona oriental

do Porto.

 

Atendendo à planta de 1892 e analisando a zona entre as ruas de Passos Manuel, de Sta. Catarina a poente, Formosa a norte e de Sto. Ildefonso a nascente e a sul, encontram se uns terrenos com a forma de um polígono irregular com sete lados, onde podemos ver a presença de um jardim e alguns lagos de pequenas dimensões. Mesmo em frente, do outro lado da rua de Passos Manuel, vemos outro jardim que tem a forma de um polígono irregular de cinco lados, que ficaria nas traseiras da Igreja de Sto. Ildefonso. Se prolongarmos os limites que definem os dois terrenos concluímos que ambos coincidem perfeitamente, o que demonstra que o terreno original foi dividido aquando da abertura da rua de Passos Manuel.

Num documento datado de 24 de agosto de 19072, é feito um pedido de vistoria

aos terrenos que ficam por detrás da fotografia Alvão, pois o requerente Alberto Joaquim

pretendia ali construir um cinematógrafo.

 

Planta topográfica do jardim Passos Manuel

 

As primeiras notícias sobre um espaço na rua de Passos Manuel

surgem a partir do dia 28 de janeiro de 1908, num artigo da primeira página do jornal O

Comércio do Porto, onde se refere a construção de uma sala de espetáculos num vasto

terreno da rua de Passos Manuel.

 

Em 14 de março de 1908, também no mesmo jornal, é referido que «no parque

e jardins da Casa Pinto da Fonseca, à rua de Passos Manuel, o conhecido e estimado

emprezario Snr. Luiz Faria tomou de arrendamento para explorar diversos

divertimentos». «...Este novo recinto de espectáculos será inaugurado brevemente com

um aperfeiçoado apparelho cinematographico»

 

Com a data de 17 de março de 1908, surgem-nos duas informações: a primeira,

uma pequena menção no jornal O Comércio do Porto, que nos informa que «uma elegante

casa de espectáculos, acaba de se construir na Rua Passos Manuel» e que «este

recinto fica sendo dos mais formosos do Porto para espectáculos públicos»; e a

segunda, um auto de vistoria é feito a um pavilhão na rua de Passos Manuel,

denominado Paraíso no Porto, onde o requerente, Luiz Alberto de Faria Guimarães,

pretende dar espetáculos públicos de cinematógrafo e outros, dando-lhe a denominação

de Paraíso no Porto.

 Este espaço seria designado por Paraíso no Porto e a sua construção iniciou-se em agosto de 1907.

Este espaço «Fica delimitado ao norte pelos quintaes das casas da rua Formosa e com o muro divisório construído sobre o poço existente nas trazeiras da Cocheira com entrada pela rua Formosa nº 159, ao nascente pelos quintaes das casas da mesma rua e da dita rua de Passos Manuel, ao sul por esta mesma rua de Passos Manuel e ao poente pelos quintaes das casas da rua de Santa Catharina e terrenos d’aquella rua de Passos Manuel.

E’ de natureza de prazo com o laudémio de quarentena à Mitra d’esta Diocese, e tem poço de

meação. Confrontando do sul com a rua de Passos Manuel, do norte com Joaquim Pinto da

Fonseca e outros, bem como do nascente e do poente com herdeiros de Constantino do Vale

Coelho Cabral, Joaquim Ventura da Silva Pinto e outros».

Relativamente aos donos deste terreno surge também uma informação na revista

O Tripeiro de 3 de março de 1961292, em que se menciona que no ano de 1911, o Governo

Civil autorizou a compra dos terrenos onde se encontrava o Jardim Passos Manuel e que

estes faziam parte do prazo denominado «Do Casal e da Quinta do Adro», da qual a Mitra

seria a senhoria direta, algo que é mencionado na descrição predial. Também

encontramos no Registo Predial que a Empresa Artística S.A. adquiriu estes terrenos a

Joaquim Pinto da Fonseca e à sua mulher Alzira Ramalho Pinto da Fonseca, em 5 de maio

de 19112

 

É bem provável que a Empresa Artística Limitada tivesse adquirido ao longo dos

anos mais terrenos, particularmente aqueles que teriam entrada pela rua Formosa pois

sabe-se que parte daquele terreno foi utilizado para a construção do Coliseu do Porto.



 

 Fachada da entrada principal para o Jardim Passos Manuel

Fot. de Aurélio Paz dos Reis, Comício Republicano de 25 de Março de 1908 (No

Porto: o desfazer do comício à saída do Jardim Passos Manuel), PT/CPF/APR/001922.

Centro Português de Fotografia (CPF)

 

Pormenor da fot. anterior da autoria de Aurélio Paz dos Reis onde se consegue ver a

fachada do Jardim Passos Manuel ao fundo e a população a sair do recinto do Grémio

Recreativo.

Fot. de Carlos Pereira Cardoso, O desfazer do Comício - O Comício Republicano de

25 de Março no Jardim do Grémio Recreativo, no Porto, 1908. 

in Hemeroteca Digital, Illustração Portuguesa, Nº 111 de 6 de Abril de 1908.

<http://hemerotecadigital.cmlisboa.pt/OBRAS/IlustracaoPort/1908/N111/N111_master/N111.pdf

 

Entrada do "Jardim Passos Manuel", c.1908.

Situado na rua de Passos Manuel, foi inaugurado em 1908 e demolido passados 30 anos, para dar lugar à construção do Coliseu do Porto.

O Salão Jardim Passos Manuel era um lugar elegante, baseado nos jardins parisienses da época, e proporcionava todo o tipo de entretenimentos: café-concerto, music-hall, esplanada e cinematógrafo.

Foi-se tornando na mais famosa casa de espetáculos do Porto.

 

 

 

Restaurante

[s.a.], Jardim Passos Manuel: restaurante, década de ‘10 [Bilhete Postal],

em http:// <http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of

 

 

[s.a.], Jardim Passos Manuel: escadaria do restaurante, década de ‘10 [Bilhete

Postal], http:// <http://gisaweb.cm-porto.pt/units

 

Escadaria para o restaurante

 

[s.a.], Porto um trecho do Jardim Passos Manuel (I), c. 1910 [Bilhete Postal],

http:// <http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of

[s.a.], Porto um trecho do Jardim Passos Manuel (II), c. 1910 [Bilhete Postal],

http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of

[s.a.], Porto um trecho do Jardim Passos Manuel (III), c. 1910 [Bilhete Postal],

http:// <http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of

 

[s.a.], Porto um trecho do Jardim Passos Manuel (IV), c. 1910 [Bilhete Postal], 

http:// <http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of