terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Roteiro de Arte Nova no Porto

 

Proposta de roteiro para observação de edifícios de Arte Nova no Porto:

(locais mais ou menos perto do Coliseu)

 

R. Passos Manuel – R. Santa Catarina - Café Majestic

 

R. Santa Catarina - Rua 31 de janeiro – antiga ourivesaria Reis, nº 243-247

 

Rua 31 de janeiro- antiga Ourivesaria Cunha & Sobrinho

 

Rua 31 de janeiro, nº 174 - Ourivesaria Miranda e Filhos conhecida por casa Vicent

 

Rua do Loureiro nº 52 – antiga ourivesaria Cunha, antiga Confeitaria Serrana (interior)

 

Rua Cândido Reis, nº  75-79 – fachada de casa

 

Rua Galeria de  Paris, 26 e 34 – Fachada de casa

 

Rua das Carmelitas, nº 100 -  edifício das Quatro Estações.  

 

Rua das Carmelitas, nº 144 - Livraria Lello & Irmão – detalhes interiores remetem para a arte Nova.

 

Rua de Sá da Bandeira, nº 21- Hotel Peninsular

 

Rua Sá da Bandeira, nº 84 – Café, Hotel A Brasileira

 

Rua Sá da Bandeira, nº  108,  antiga Casa Pereira

 

Rua Formosa 279 – Mercearia Pérola do Bolhão

 

Rua Formosa 339 - Confeitaria do Bolhão - interior com painéis de azulejos e um conjunto de espelhos que "mantém os seus traços, estruturas e cores originais, específicos da arquitetura da Arte Nova" Integra na decoração peças e equipamento de origem, como o serviço de talheres e de chá em prata e as loiças da Vista Alegre.

 

 

 

 

 

Café Majestic

Situa-se na rua Santa Catarina número 112

Foi projetado por João Queiroz (1892-1982) em 192.

Inaugurado como café Elite, foi renomeado no ano seguinte.

 Na descrição da Direção-Geral do Património Cultural diz-se: "Tudo é decorado com materiais nobres como a madeira, o mármore, o cristal, o couro e os espelhos. As formas arredondadas, os medalhões, as figuras esculpidas, os marmoreados procuram no detalhe simular figuras humanas e vegetais. A romper o pavimento do café, existe uma escada de acesso à cave, outrora Salão de Bilhares".

O pátio interior foi contruído em 1925, sob orientação do mestre Pedro Mendes da Silva que procurou recriar um jardim de inverno. Devido a este espaço, abre-se para a Rua Passos Manuel, abertura já projetada ao estilo da Casa Portuguesa de Raul Lino.

 O café foi classificado como Imóvel de Interesse Público, em 1983.

 Em 1994 foi restaurado, tendo adquirido, desde então enorme interesse turístico.

 


 

 


 

 

 

                             A Vida em Fotos: 72 - A Rua de 31 de Janeiro, ex de Santo António

 

 











Ourivesaria Reis e Filhos foi fundada em 1880, por António Alves dos Reis, no nº 239, na ainda Rua de Santo António. Em 1905, pretendendo ampliar as instalações, os seus filhos, Seraphim Reis e Manuel Duarte dos Reis arrendaram o edifício vizinho, nº 243-247, na esquina com a Rua de Santa Catarina, nº 1-5, onde se localizava a Carvalho Alfaiate e encomendaram a obra a José Teixeira Lopes.  

“Arquitectura civil comercial, arte nova. Loja em arquitectura do ferro com referências Arte Nova e Rocaille nas formas aconcheadas e onduladas com volutas. Afinidades com a Ourivesaria Cunha e Casa Vicent. Constitui um dos raros exemplares da arquitectura comercial com referências Arte Nova (o busto da mulher na esquina) muito semelhante a outros dois casos de devantures na mesma R., a Ourivesaria Cunha e a Casa Vicent. Todas elas foram construídas pela Companhia Aliança. O trabalho em ferro fundido assemelha-se à arte de ourivesaria da prata lavrada e cinzelada”. http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=513, consultado a 22.01.2026

 

Casa Vicente





Ourivesaria Miranda e Filhos No número 174, quando ainda era chamada Rua de Santo António, foi localizada uma imagem da fachada da Ourivesaria Miranda e Filhos (s.d.). Entretanto, sobre esta não foram encontradas maiores informações que completassem a imagem, apenas a indicação da localização, remetendo a uma data anterior a 1910, ano em que o nome da rua foi alterado, ou do período entre 1940 e 1974, quando retornou ao nome anterior, conforme já citado. Posteriormente neste local se localizaria a Casa Vicent que, de acordo com a Direção-Geral do Património Cultural - DGPC, encontra “afinidades com a Ourivesaria Cunha e Ourivesaria Reis na mesma rua, todas elas construídas pela Companhia Aliança59” e sua fachada “foi elaborada em plena 1.ª Grande Guerra Mundial, entre 1914 e 1915, com materiais provavelmente encomendados à Companhia Aliança (...) A designação pela qual este estabelecimento é conhecido deve-se ao comerciante estrangeiro que nele se instalou, de nome Vicent, numa época em que a rua onde abriu se transformava numa das principais artérias comerciais do quotidiano portuense no despontar do século XX.”

 







 

Ourivesaria Cunha & Sobrinho

A Ourivesaria Cunha & Sobrinho: Jóias e objectos d’arte em prata, de propriedade de José Pinto da Cunha é a designação com que aparece nos almanaques da época.

Estabeleceu-se inicialmente no edifício que pertenceu à Confeitaria Serrana, na Rua do Loureiro, nº 46 a 52.

Em 1915, muda-se para a loja da Rua 31 de janeiro, n.º 200 a 202. O projeto é do arquiteto portuense Francisco de Oliveira Ferreira.

O edifício ainda hoje mantém quase toda a traça interior original, mas a em estilo rococó e neoclássico não resta quase nada. No entanto, conservam-se os tetos pintados de Acácio Lino, em tom alegórico e ao gosto das elites da época.

 

Ourivesaria Cunha, na Rua do Loureiro, em 1913 – Ed. Illustração Portugueza de 17 de Novembro de 1913 – Porto de Antanho

Das várias designações que a ourivesaria teve, a que é referida repetidamente e de forma solida pelos almanaques da época é “Ourivesaria Cunha & Sobrinho: Jóias e objectos d’arte em prata”, ocupando os números 46 a 52 da Rua do Loureiro. O edifício ainda hoje existe, mantendo quase toda a traça interior original, mas da fachada, da autoria de Francisco Oliveira Ferreira em estilo rococó e neoclássico misturados, não resta quase nada. Mas, acima de tudo, conservam-se os tetos pintados de Acácio Lino, em tom alegórico e ao gosto das elites da época.

Arte Nova, com influências do Art Nouveau e Rocaille, utilizando ferro fundido de forma ornamental.

É um dos poucos exemplares de arquitetura comercial Arte Nova no Porto, destacando-se pela elaboração em ferro, que remete à ourivesaria. Considerada um futuro monumento ou bem de interesse patrimonial pelo Porto, estando sob a alçada da DGPC.

A DGPC, através do seu portal, documenta e cataloga imóveis como a Ourivesaria Cunha, que embora não seja ainda um monumento nacional classificado, é reconhecida pelo seu valor arquitetónico e histórico para o património cultural português.

 A Direção-Geral do Património Cultural a sua fachada principal apresentando “uma “devanture”, superfície trabalhada em ferro fundido e lioz nacional, com aplicações em bronze dourado e latão polido. Nesta “devanture” está inserida a porta de acesso aos andares superiores do edifício, decorada com elementos escultóricos executados em pedra lioz (…) A entrada da loja é coroada por um entablamento interrompido por volutas entre as quais se inscreve a escultura de José de Oliveira Ferreira (1883-1942), intitulada “Grupo de Amore”.

Ainda de acordo com a descrição da Direção-Geral do Património Cultural – DGPC, o interior do imóvel “é constituído por dois salões separados por um arco abatido apoiado em duas colunas, contendo o primeiro vitrines Arte Nova executadas em madeira encerada. No segundo existe uma escada em caracol de acesso à cave e, é onde se encontra o mobiliário mais antigo pertencente à primitiva loja na Rua do Loureiro. No interior as paredes são forradas a papel, os tectos em estuque trabalhado e pintado e o pavimento é executado em soalho de madeira” A loja foi classificada como Imóvel de Interesse Público, em 2002.

 

Confeitaria Serrana

Na Rua do Loureiro, número 52, fica um edifício no qual funcionou entre 1880 e 1914, a Ourivesaria Cunha, (antes de se mudar para a Rua de 31 de Janeiro, no espaço onde hoje funciona a Machado Joalheiro). Desenhado pelo arquiteto José de Oliveira Ferreira e construída ao estilo Arte Nova. Possuía janelas, mesas e o varandim em ferro bem como uma  tela de Acácio Lino, assim como colunas onde estão as esculturas de José de Oliveira Ferreira.

Mais tarde, funcionou aí a Confeitaria Serrana, hoje fechada à espera de novo rumo.

 

 

 

A construção de três andares, no número 75-79 da Rua Cândido dos reis, edifício singelo, insere-se no estilo Arte Nova.Possui a nível vãos e caixilharias unitárias que lhe dão coesão. 

 

 

 

Na rua das Carmelitas, número 100, o edifício das Quatro Estações, “cujo nome deriva dos quatro relevos que encimam as quatro pilastras que caracterizam o seu alçado, é um exemplo formal das caraterísticas arquitetónicas de Marques da Silva.  Com um projeto iniciado em 1905, a “forma reflecte um programa novo” , encontrado nos seus escritórios e com as grandes montras. É enquadrado na linguagem beaux-arts, de acordo com a Fundação Marques da Silva.  Os detalhes escultóricos da fachada inscrevem-se numa linguagem orgânica próxima à Arte Nova

Fonte: Fundação Marques da Silva - Edifício das 4 Estações - Disponível em: https://fims.up.pt/index.php?cat=2&subcat=8&

 

 

 

 

 

O edifício entre os números 26 e 34, da Galeria de Paris, foi construído em 1906, pelo proprietário Domingos José Fernandes, com projeto de José Estêvão, Eduardo Augusto e Parada Silva Leitão, conforme Livro de Plantas de Casas, do Arquivo Histórico, da Câmara Municipal do Porto. A construção destinava-se a um estabelecimento comercial no rés do chão e habitação nos superiores.

A fachada Arte Nova é revestida a azulejos, com influência do artista belga Paul Henkar.

Os vãos e caixilharias possuem um tratamento particularmente coerente e unitário que lhes concede bastante interesse

É considerado um dos melhores exemplos do movimento na cidade do Porto, encontrando-se Está  classificado como Imóvel de Interesse Público.

 

 

 

 

O edifício onde está instalada a Livraria Lello & Irmão na rua das Carmelitas, número 144, foi construído em 1906, com projeto do engenheiro Francisco Xavier Esteves. As pinturas na fachada são de autoria do professor José Bielman, que representam a Arte e a Ciência, e vitral do arquiteto holandês Gerardus Samuel van Krieken.

 O seu estilo é reconhecidamente eclético, mas as formas onduladas de sua escadaria, e as referências florais em alguns pomenores decorativos nas paredes ou nas luminárias, deixam um toque de organicidade que remetem à Arte Nova.

 A Livraria Lello & Irmão encontra-se enquadrada como Monumento de Interesse Público .

 

 

 

Outros imóveis da Rua de Sá da Bandeira, permaneceram sem que muito pudesse ser acrescentado aos seus históricos devido a falta de informações disponíveis. Isso se refere tanto ao edifício dos números 377-385, que tem no detalhe da porta principal, em ferro fundido e vidro, uma gramática marcadamente Arte Nova.

 

O Hotel Peninsular, na mesma rua, números 19- 29, tendo sido encontrado por esta pesquisa apenas raros dados que pudesse aprofundar as referências gerais dos imóveis.

 

                                                                       Edifício 377-385

 

Do Hotel Peninsular, que conta com uma fachada decorada com painéis de azulejos, varandas em ferro fundido e janelas em arcos.  

 

                                                                  Hotel Peninsular

 

Integrada no edifício do Teatro Sá da Bandeira (1867), número 108, encontra-se a antiga Casa Pereira (atualmente a loja Dance Planet). Possui uma fachada em madeira e vidro, com características próximas da Arte Nova.

 

 

                                          Casa Pereira

 

 

 

 

 

Café Restaurante e Hotel A Brasileira, localizado na rua Sá da Bandeira, número 84, foi fundado pelo farmacêutico Adriano Soares Teles do Vale, brasileiro enriquecido de torna viagem, em 1904, que abre um estabelecimento para torrefação e venda do café.

Já, então a sua propaganda apresentava a imagem de um senhor sorridente, com o slogan “O melhor café é o da Brasileira” e nele oferecia uma pequena chávena de café e  uma brochura que ensinava a sua confeção.

No início do século XX não era comum o café ser torrado à frente dos clientes ou tomar café na rua. No entanto, o êxito foi tão grande que acabou por comprar os imóveis vizinhos entre as ruas de Sá da Bandeira e a Rua de Bonjardim (menos um pequeno prédio) e reabrir o salão de café, em 1938.

Com projeto do arquiteto Francisco de Oliveira Ferreira, a casa foi reinaugurada com grande luxo, “transformando-se no café dos escritores, artistas, políticos, jornalistas e boémios, que ali se reunião para beber café e discutir assuntos da vida cultural, cívica e política da cidade do Porto”.

A fachada principal do edifício, é adornada por um para-sol de vidro e ferro forjado.

Ainda hoje podem ser encontrados na cidade vestígios da antiga propaganda do café, tais como um painel de azulejos em um muro da rua do Dr. Ricardo Jorge, com o referido slogan.

 

Google maps, Rua Dr. Ricardo Jorge

 

O sucesso alcançado pelo comerciante permitiu-lhe ampliar os cafés tendo inaugurado outros cafés “A Brasileira" em Lisboa (1905), Braga (1907) e em Coimbra (1928).  

 

 

Na rua Formosa, 279, a tradicional mercearia A Pérola do Bolhão foi fundada em 1917, por António Rodrigues Reis, com o objetivo da comercialização de chás, cafés e especiarias.

A sua fachada, coberta em painéis de azulejos, executados na Fábrica do Carvalhinho, de Vila Nova de Gaia, representam mulheres indígenas, remetendo aos países nos quais se produziam os produtos ali negociados

A partir de 1956, António Almeida Rodrigues Reis assumiu a administração da loja, que ampliou os produtos oferecidos de mercearia, confeitaria, charcutaria e de frutos secos.

 

 

A Confeitaria do Bolhão, fundada em 1896, é um estabelecimento cuja fachada não possui referências à Arte Nova, no entanto, o interior possui painéis de azulejos e um conjunto de espelhos que mantém os traços, estruturas e cores específicos da Arte nova”  seus traços, estruturas e cores originais, específicos da arquitetura da Arte Nova"

 

 

                                     https://www.confeitariadobolhao.com/pt/historia.html

 

 

 

 

 

Os atuais proprietários que a adquiriram em 1998 mantiveram as principais caraterísticas da arquitetura interior como os espelhos nas paredes, as pinturas com as cores originais, os balcões, o gradeamento em ferro, além do serviço de talheres e de chá em prata e as loiças da Vista Alegre A fachada é um belo exemplar da arquitetura da segunda metade do séc XIX, com a utilização de materiais nobres como o mármore.

Integra na decoração diversas peças e equipamento de origem, como o serviço de talheres e de chá em prata e as loiças da Vista Alegre.

Curiosidade: Foi aqui servido o Lanche Mariage da violoncelista portuense Guilhermina Suggia (1885-1950). Agustina Bessa-Luís no  livro "O Princípio da incerteza (vol.II) – a alma dos ricos salude a este espaço.

 

https://www.confeitariadobolhao.com/pt/historia.html

https://www.e-cultura.pt/artigo/19397

A Arte Nova no Porto: Fragmentos de um movimento artístico e arquitetónico

na memória e na história da cidade. Instituto de Ciências Sociais

Universidade do Minho. MInho 2021 consultado em https://repositorium.uminho.pt/server/api/core/bitstreams/f4beb586-13c9-4d9a-b88d-61900781e1c0/content

https://repositorium.uminho.pt/server/api/core/bitstreams/f4beb586-13c9-4d9a-b88d-61900781e1c0/content