Proposta de roteiro para observação de
edifícios de Arte Nova no Porto:
(locais mais ou menos perto do Coliseu)
R. Passos Manuel – R. Santa Catarina -
Café Majestic
R. Santa Catarina - Rua 31 de janeiro –
antiga ourivesaria Reis, nº 243-247
Rua 31 de janeiro- antiga Ourivesaria
Cunha & Sobrinho
Rua 31 de janeiro, nº 174 - Ourivesaria
Miranda e Filhos conhecida por casa Vicent
Rua do Loureiro nº 52 – antiga
ourivesaria Cunha, antiga Confeitaria Serrana (interior)
Rua Cândido Reis, nº 75-79 – fachada de casa
Rua Galeria de Paris, 26 e 34 – Fachada de casa
Rua das Carmelitas, nº 100 - edifício das Quatro Estações.
Rua das Carmelitas, nº 144 - Livraria
Lello & Irmão – detalhes interiores remetem para a arte Nova.
Rua de Sá da Bandeira, nº 21- Hotel
Peninsular
Rua Sá da Bandeira, nº 84 – Café, Hotel
A Brasileira
Rua Sá da Bandeira, nº 108,
antiga Casa Pereira
Rua Formosa 279 – Mercearia Pérola do
Bolhão
Rua Formosa 339 - Confeitaria do Bolhão -
interior com painéis de azulejos e um conjunto de espelhos que "mantém os
seus traços, estruturas e cores originais, específicos da arquitetura da Arte
Nova" Integra na decoração peças e equipamento de origem, como o serviço
de talheres e de chá em prata e as loiças da Vista Alegre.
Café Majestic
Situa-se
na rua Santa Catarina número 112
Foi
projetado por João Queiroz (1892-1982) em 192.
Inaugurado
como café Elite, foi renomeado no ano seguinte.
Na descrição da Direção-Geral do Património
Cultural diz-se: "Tudo é decorado com materiais nobres como a madeira, o
mármore, o cristal, o couro e os espelhos. As formas arredondadas, os
medalhões, as figuras esculpidas, os marmoreados procuram no detalhe simular
figuras humanas e vegetais. A romper o pavimento do café, existe uma escada de
acesso à cave, outrora Salão de Bilhares".
O pátio
interior foi contruído em 1925, sob orientação do mestre Pedro Mendes da Silva
que procurou recriar um jardim de inverno. Devido a este espaço, abre-se para a
Rua Passos Manuel, abertura já projetada ao estilo da Casa Portuguesa de Raul
Lino.
O café foi classificado como Imóvel de
Interesse Público, em 1983.
Em 1994 foi restaurado, tendo adquirido, desde
então enorme interesse turístico.
A Vida em Fotos: 72 - A Rua de 31 de Janeiro, ex de Santo
António
Ourivesaria
Reis e Filhos foi fundada em 1880, por António Alves dos Reis, no nº 239, na
ainda Rua de Santo António. Em 1905, pretendendo ampliar as instalações, os seus
filhos, Seraphim Reis e Manuel Duarte dos Reis arrendaram o edifício vizinho, nº 243-247, na esquina com a Rua de Santa Catarina, nº
1-5, onde se localizava a Carvalho Alfaiate e encomendaram a obra a José
Teixeira Lopes.
“Arquitectura
civil comercial, arte nova. Loja em arquitectura do ferro com referências Arte
Nova e Rocaille nas formas aconcheadas e onduladas com volutas. Afinidades com
a Ourivesaria Cunha e Casa Vicent. Constitui um dos raros exemplares da
arquitectura comercial com referências Arte Nova (o busto da mulher na esquina)
muito semelhante a outros dois casos de devantures na mesma R., a Ourivesaria
Cunha e a Casa Vicent. Todas elas foram construídas pela Companhia Aliança. O
trabalho em ferro fundido assemelha-se à arte de ourivesaria da prata lavrada e
cinzelada”. http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=513,
consultado a 22.01.2026
Casa
Vicente
Ourivesaria
Miranda e Filhos No número 174, quando ainda era chamada Rua de Santo António,
foi localizada uma imagem da fachada da Ourivesaria Miranda e Filhos (s.d.).
Entretanto, sobre esta não foram encontradas maiores informações que
completassem a imagem, apenas a indicação da localização, remetendo a uma data
anterior a 1910, ano em que o nome da rua foi alterado, ou do período entre
1940 e 1974, quando retornou ao nome anterior, conforme já citado.
Posteriormente neste local se localizaria a Casa Vicent que, de acordo com a
Direção-Geral do Património Cultural - DGPC, encontra “afinidades com a
Ourivesaria Cunha e Ourivesaria Reis na mesma rua, todas elas construídas pela
Companhia Aliança59” e sua fachada “foi elaborada em plena 1.ª Grande Guerra Mundial,
entre 1914 e 1915, com materiais provavelmente encomendados à Companhia Aliança
(...) A designação pela qual este estabelecimento é conhecido deve-se ao
comerciante estrangeiro que nele se instalou, de nome Vicent, numa época em que
a rua onde abriu se transformava numa das principais artérias comerciais do
quotidiano portuense no despontar do século XX.”
Ourivesaria
Cunha & Sobrinho
A
Ourivesaria Cunha & Sobrinho: Jóias e objectos d’arte em prata, de
propriedade de José Pinto da Cunha é a designação com que aparece nos
almanaques da época.
Estabeleceu-se
inicialmente no edifício que pertenceu à Confeitaria Serrana, na Rua do
Loureiro, nº 46 a 52.
Em 1915,
muda-se para a loja da Rua 31 de janeiro, n.º 200 a 202. O projeto é do
arquiteto portuense Francisco de Oliveira Ferreira.
O
edifício ainda hoje mantém quase toda a traça interior original, mas a em
estilo rococó e neoclássico não resta quase nada. No entanto, conservam-se os
tetos pintados de Acácio Lino, em tom alegórico e ao gosto das elites da época.
Ourivesaria
Cunha, na Rua do Loureiro, em 1913 – Ed. Illustração Portugueza de 17 de
Novembro de 1913 – Porto de Antanho
Das
várias designações que a ourivesaria teve, a que é referida repetidamente e de
forma solida pelos almanaques da época é “Ourivesaria Cunha & Sobrinho:
Jóias e objectos d’arte em prata”, ocupando os números 46 a 52 da Rua do
Loureiro. O edifício ainda hoje existe, mantendo quase toda a traça interior
original, mas da fachada, da autoria de Francisco Oliveira Ferreira em estilo
rococó e neoclássico misturados, não resta quase nada. Mas, acima de tudo,
conservam-se os tetos pintados de Acácio Lino, em tom alegórico e ao gosto das
elites da época.
Arte
Nova, com influências do Art Nouveau e Rocaille, utilizando ferro fundido de
forma ornamental.
É um dos
poucos exemplares de arquitetura comercial Arte Nova no Porto, destacando-se
pela elaboração em ferro, que remete à ourivesaria. Considerada um futuro
monumento ou bem de interesse patrimonial pelo Porto, estando sob a alçada da
DGPC.
A DGPC,
através do seu portal, documenta e cataloga imóveis como a Ourivesaria Cunha,
que embora não seja ainda um monumento nacional classificado, é reconhecida
pelo seu valor arquitetónico e histórico para o património cultural português.
A Direção-Geral do Património Cultural a sua
fachada principal apresentando “uma “devanture”, superfície trabalhada em ferro
fundido e lioz nacional, com aplicações em bronze dourado e latão polido. Nesta
“devanture” está inserida a porta de acesso aos andares superiores do edifício,
decorada com elementos escultóricos executados em pedra lioz (…) A entrada da
loja é coroada por um entablamento interrompido por volutas entre as quais se
inscreve a escultura de José de Oliveira Ferreira (1883-1942), intitulada
“Grupo de Amore”.
Ainda de acordo com a descrição da Direção-Geral do Património Cultural – DGPC, o interior do imóvel “é constituído por dois salões separados por um arco abatido apoiado em duas colunas, contendo o primeiro vitrines Arte Nova executadas em madeira encerada. No segundo existe uma escada em caracol de acesso à cave e, é onde se encontra o mobiliário mais antigo pertencente à primitiva loja na Rua do Loureiro. No interior as paredes são forradas a papel, os tectos em estuque trabalhado e pintado e o pavimento é executado em soalho de madeira” A loja foi classificada como Imóvel de Interesse Público, em 2002.
Confeitaria
Serrana
Na Rua do
Loureiro, número 52, fica um edifício no qual funcionou entre 1880 e 1914, a
Ourivesaria Cunha, (antes de se mudar para a Rua de 31 de Janeiro, no espaço
onde hoje funciona a Machado Joalheiro). Desenhado pelo arquiteto José de
Oliveira Ferreira e construída ao estilo Arte Nova. Possuía janelas, mesas e o
varandim em ferro bem como uma tela de
Acácio Lino, assim como colunas onde estão as esculturas de José de Oliveira
Ferreira.
Mais
tarde, funcionou aí a Confeitaria Serrana, hoje fechada à espera de novo rumo.
A
construção de três andares, no número 75-79 da Rua Cândido dos reis, edifício
singelo, insere-se no estilo Arte Nova.Possui a nível vãos e caixilharias
unitárias que lhe dão coesão.
Na rua
das Carmelitas, número 100, o edifício das Quatro Estações, “cujo nome deriva
dos quatro relevos que encimam as quatro pilastras que caracterizam o seu
alçado, é um exemplo formal das caraterísticas arquitetónicas de Marques da
Silva. Com um projeto iniciado em 1905,
a “forma reflecte um programa novo” , encontrado nos seus escritórios e com as
grandes montras. É enquadrado na linguagem beaux-arts, de acordo com a Fundação
Marques da Silva. Os detalhes
escultóricos da fachada inscrevem-se numa linguagem orgânica próxima à Arte
Nova
Fonte: Fundação
Marques da Silva - Edifício das 4 Estações - Disponível em: https://fims.up.pt/index.php?cat=2&subcat=8&
O
edifício entre os números 26 e 34, da Galeria de Paris, foi construído em 1906,
pelo proprietário Domingos José Fernandes, com projeto de José Estêvão, Eduardo
Augusto e Parada Silva Leitão, conforme Livro de Plantas de Casas, do Arquivo
Histórico, da Câmara Municipal do Porto. A construção destinava-se a um
estabelecimento comercial no rés do chão e habitação nos superiores.
A fachada
Arte Nova é revestida a azulejos, com influência do artista belga Paul Henkar.
Os vãos e
caixilharias possuem um tratamento particularmente coerente e unitário que lhes
concede bastante interesse
É
considerado um dos melhores exemplos do movimento na cidade do Porto,
encontrando-se Está classificado como
Imóvel de Interesse Público.
O
edifício onde está instalada a Livraria Lello & Irmão na rua das
Carmelitas, número 144, foi construído em 1906, com projeto do engenheiro
Francisco Xavier Esteves. As pinturas na fachada são de autoria do professor
José Bielman, que representam a Arte e a Ciência, e vitral do arquiteto
holandês Gerardus Samuel van Krieken.
O seu estilo é reconhecidamente eclético, mas
as formas onduladas de sua escadaria, e as referências florais em alguns pomenores
decorativos nas paredes ou nas luminárias, deixam um toque de organicidade que
remetem à Arte Nova.
A Livraria Lello & Irmão encontra-se
enquadrada como Monumento de Interesse Público .
Outros
imóveis da Rua de Sá da Bandeira, permaneceram sem que muito pudesse ser
acrescentado aos seus históricos devido a falta de informações disponíveis.
Isso se refere tanto ao edifício dos números 377-385, que tem no detalhe da
porta principal, em ferro fundido e vidro, uma gramática marcadamente Arte Nova.
O Hotel
Peninsular, na mesma rua, números 19- 29, tendo sido encontrado por esta
pesquisa apenas raros dados que pudesse aprofundar as referências gerais dos
imóveis.
Edifício 377-385
Do Hotel
Peninsular, que conta com uma fachada decorada com painéis de azulejos, varandas
em ferro fundido e janelas em arcos.
Hotel Peninsular
Integrada
no edifício do Teatro Sá da Bandeira (1867), número 108, encontra-se a antiga
Casa Pereira (atualmente a loja Dance Planet). Possui uma fachada em madeira e
vidro, com características próximas da Arte Nova.
Casa
Pereira
Café
Restaurante e Hotel A Brasileira, localizado na rua Sá da Bandeira,
número 84, foi fundado pelo farmacêutico Adriano Soares Teles do Vale,
brasileiro enriquecido de torna viagem, em 1904, que abre um estabelecimento
para torrefação e venda do café.
Já, então
a sua propaganda apresentava a imagem de um senhor sorridente, com o slogan “O
melhor café é o da Brasileira” e nele oferecia uma pequena chávena de café e uma brochura que ensinava a sua confeção.
No início
do século XX não era comum o café ser torrado à frente dos clientes ou tomar
café na rua. No entanto, o êxito foi tão grande que acabou por comprar os
imóveis vizinhos entre as ruas de Sá da Bandeira e a Rua de Bonjardim (menos um
pequeno prédio) e reabrir o salão de café, em 1938.
Com
projeto do arquiteto Francisco de Oliveira Ferreira, a casa foi reinaugurada
com grande luxo, “transformando-se no café dos escritores, artistas, políticos,
jornalistas e boémios, que ali se reunião para beber café e discutir assuntos
da vida cultural, cívica e política da cidade do Porto”.
A fachada
principal do edifício, é adornada por um para-sol de vidro e ferro forjado.
Ainda
hoje podem ser encontrados na cidade vestígios da antiga propaganda do café,
tais como um painel de azulejos em um muro da rua do Dr. Ricardo Jorge, com o
referido slogan.
Google maps, Rua Dr. Ricardo Jorge
O sucesso
alcançado pelo comerciante permitiu-lhe ampliar os cafés tendo inaugurado
outros cafés “A Brasileira" em Lisboa (1905), Braga (1907) e em Coimbra
(1928).
Na rua
Formosa, 279, a tradicional mercearia A Pérola do Bolhão foi fundada em
1917, por António Rodrigues Reis, com o objetivo da comercialização de chás,
cafés e especiarias.
A sua
fachada, coberta em painéis de azulejos, executados na Fábrica do Carvalhinho,
de Vila Nova de Gaia, representam mulheres indígenas, remetendo aos países nos
quais se produziam os produtos ali negociados
A partir
de 1956, António Almeida Rodrigues Reis assumiu a administração da loja, que
ampliou os produtos oferecidos de mercearia, confeitaria, charcutaria e de
frutos secos.
A
Confeitaria do Bolhão,
fundada em 1896, é um estabelecimento cuja fachada não possui referências à
Arte Nova, no entanto, o interior possui painéis de azulejos e um conjunto de
espelhos que mantém os traços, estruturas e cores específicos da Arte nova” seus traços, estruturas e cores originais,
específicos da arquitetura da Arte Nova"
https://www.confeitariadobolhao.com/pt/historia.html
Os atuais
proprietários que a adquiriram em 1998 mantiveram as principais caraterísticas
da arquitetura interior como os espelhos nas paredes, as pinturas com as cores
originais, os balcões, o gradeamento em ferro, além do serviço de talheres e de
chá em prata e as loiças da Vista Alegre A fachada é um belo exemplar da
arquitetura da segunda metade do séc XIX, com a utilização de materiais nobres
como o mármore.
Integra
na decoração diversas peças e equipamento de origem, como o serviço de talheres
e de chá em prata e as loiças da Vista Alegre.
Curiosidade:
Foi aqui servido o Lanche Mariage da violoncelista portuense Guilhermina Suggia
(1885-1950). Agustina Bessa-Luís no livro "O Princípio da incerteza (vol.II) –
a alma dos ricos salude a este espaço.
https://www.confeitariadobolhao.com/pt/historia.html
https://www.e-cultura.pt/artigo/19397
A Arte Nova no
Porto: Fragmentos de um movimento artístico e arquitetónico
na memória e na
história da cidade. Instituto de Ciências Sociais
Universidade do
Minho. MInho 2021 consultado em https://repositorium.uminho.pt/server/api/core/bitstreams/f4beb586-13c9-4d9a-b88d-61900781e1c0/content
https://repositorium.uminho.pt/server/api/core/bitstreams/f4beb586-13c9-4d9a-b88d-61900781e1c0/content









