quarta-feira, 18 de julho de 2001

Porto - locais de Convívio

 

LOCAIS DE CONVÍVIO

 

TASCA – Fecham à medida que o consumo do vinho verde diminui

 

CERVEJARIAS – Ex: - Sá Reis

 

BARES OU PUBS

 

 

CAFÉS

 

O Suisso, o Central e o Lisbonense são os mais concorridos cafés do Porto; o primeiro represemta a tradição genuína, de par com o Águia douro, o segundo é moderno, e o terceiro nasceu quasi da concorrência academiza, nos períodos lectivos de 1870 a 1880, prosperando então por forma tal, que indo um creado d’ elle, o Júlio, montar algumas portas acima o café, que tem o seu nome, em nada influiu este rival na sua prosperidade.

Dos outros cafés do Porto, não situados no centro de movimento, ha especial menção a fazer do café das Hortas, antigo e de uma freguesia originalmente distincta, tanto ás horas da manhã em que dá almoço de torradas e café com leite, ás canecas, como às horas da noite em que se joga encarniçamente o dominó por entre um fumo asphixiante de tabaco ordinário. Um vício portuense este do dominó, jogo pacato, sem esforços cerebraes, e que vale no Café o que vale a bisca na família, tão enraizado e tão lucrativo por isso mesmo para os proprietários dos estabelecimentos, que o do Lisbonense, dizia-se, dotou uma filha noiva com o rendimento d’esse jogo, calculando-se o dote em 600$00 réis annuaes.

O café é para o touriste a ante-camara do theatro, quando no Porto ha espectáculo, o que nem sempre acontece.

José Augusto Vieira, O Minho Pitoresco,  ed. Do Rotary Club de Valença, Valença, 1987Tomo II, p.708

 

 

 

]No café ou tasca cristalizou-se a boémia literária do virar do século XIX – XX.

 

]Foram locais de encontro e conspiração política.

 

]Locais de estudo e encontro estudantil.

 

 

O Porto ainda hoje se distingue das cidades do mesmo tamanho europeias ( ex. Bordéus) pelo facto de conservar o café como local de convívio – François Guichard.

 

Costume – combinar encontro para tomar café. – ler o jornal no café.

 

Ex:

MAJESTIC ( 1922) – Café Elite (1921)

Grande – luxuoso – cuidado – aristocrático

Na cave funcionava uma sala de bilhar, um jardim de inverno no pátio voltado para Passos Manuel.

Café Tertúlia

Foi ponto de encontro de intelectuais : Ex: Pascoaes – Amadeo de Sousa Cardoso – Leonardo Coimbra

Anos 70 – antes de 25 de Abril – de um lado estudantes de Belas-Artes; de outro engenheiros e futuros advogados. Os agentes da PIDE também lá estacionavam.

 

1994 – O café anima-se com recitais de poesia, concertos de piano; a sala de bilhar transforma-se numa galeria de arte.

 

 

ÂNCORA D´OURO = PIOLHO

 

Teve a sua origem na compra do botequim – 1909

Era ainda iluminado a gás.

1º andar salão de jogos.

Quando o casal Reis Lima faleceu – o filho abandonou os estudos na Faculdade de Ciências  e dedicou-se ao café.

O 1º andar foi transformado numa sala de estudo.

 

Na década de 50 começaram a aparecer as 1ªs placas em mármore gravadas a bronze.

 

“Misera ralé, que vireis depois de nós

Sabei que a estas mesas, conversando

Se formaram doutores mais sábios que vós

Enquanto, animais! Íeis marrando!”

Curso Médico 1954/60

 

Começa a denominar-se “piolho”  local pequeno onde se aglomeram os estudantes das faculdades vizinhas; lêndeas eram os caloiros; “tasca” a faculdade.

A inauguração das placas era motivo de festa com banda de música e Zes Pereiras. Era servido champanhe, brandy e charutos à discrição.

 

Anos 60-70 – núcleo do movimento estudantil.

 

Em 1973 é trespassado e os seus clientes mudam para o Orpheu na Júlio Dinis.

 

Nos anos 80 – passa a ser de novo ponto de encontro de escritores, artistas, médicos e estudantes.

Nos anos 90 retoma a sua tradição.

 

Outros: ESTRELA D´OURO ; UNIVERSIDADE; BELAS ARTES

 

PALLADIUM

 

EMBAIXADOR
RIALTO
GUARANY

ORFEU

DIPLOMATA

 

OUTROS LOCAI:

Modalidades burguesas:

 

Bailes

Bazares de prendas

Exposições bibliográficas, artísticas, fotográficas e de flores.

Saraus literários e musicais

Concursos dramáticos e poéticos

Conferências, discursos, orações.

 

 

segunda-feira, 16 de julho de 2001

Porto - agricultura - Vinho do Porto

 

AGRICULTURA SÉC XIX

 

Concelho

Trigo

Superf.

Cultivada

(hectares)

Milho

Superf.

Cultivada

(hectares)

Centeio

Superf.

Cultivada

(hectares)

Cevada

Superf.

Cultivada

(hectares)

Aveia

Superf.

Cultivada

hectares)

Feijão

Superf.

Cultivada

hectares)

Fava

Superf.

Cultivada

hectares)

Batata

Superf.

Cultivada

hectares)

Sup. total

Amarante

250 000

360

4 236 000

32 585

1 712 000

1 650

26 500

28

 

 

265 000

3 320

3 800

3

2850 000

14 250

26 189

Baião

200 000

113

5 430 000

1 493

160 000

193

65 700

35

 

 

200 000

 

1 600

 

800 000

 

16 786

Bouças

606 500

2 637

1 3 22 000

7 344

38 5000

2 139

158 000

878

68 000

296

430 000

14 533

70 000

280

185 080

7 439

8 123

Felgueiras

20 740

 

6 528 000

7 255

692 900

 

 

 

 

 

276 400

 

 

 

36 750

200

12 034

Gondomar

60 400

 

3 050 000

 

220 000

 

40 000

 

 

 

120 000

 

 

 

25 000

 

13 337

Louzada

10 000

 

8 000 000

5 000

750 000

162

2 000

 

 

 

450 000

5 000

3000

 

80 000

10

8 585

Maia

165 500

1 227

1 654 000

3 450

877520

3 450

827

1 080

1 651

27

986 227

3 450

 

 

245 627

2 426

9 249

Marco Canavezes

3 200

 

999 364

 

170 346

 

2 420

 

 

 

16 100

 

 

 

32 000

 

20 900

Paços de Ferreira

 

 

1 115 700

8 940

223 100

894

 

 

 

 

55 700

8 940

 

 

4 406

 

10 041

Paredes

71 000

 

506 600

 

905 000

 

900

 

 

 

225 000

 

10

 

134 500

 

9 888

Penafiel

 

 

10500 000

 

2 200 000

 

3 000

 

 

 

360 000

 

 

 

70 000

 

24 170

Porto

114 671

 

866 370

 

 

64 216

 

21 932

 

21 250

 

56 785

 

1 074

5

 

 

3 500

Póvoa de Varzim

177 120

85

2 368 422

1 135

131 253

49

10 533

11

27 733

12

130 653

1 135

104

534

313 552

59

9 147

Santo Tirso

223 311

148

1992 400

1 197

2740700

1 126

2441

1

14 388

9

538 000

3

85 725

 

109

 

19 597

Valongo

34 000

34

138 000

138

2 740 700

42

4 200

4

 

 

15 000

16

 

 

23 000

16

7 461

Vila do Conde

95 000

500

3 989 336

5 500

72 000

250

1000

50

48 314

50

610 000

 

 

 

172 550

50

12341

Vila Nova de Gaia

1900 000

 

11000 000

 

3 950 000

 

3 550 000

 

320 000

 

300 000

 

1 382

 

30 478

17 859

 

 

Fonte: José Augusto Vieira, O Minho Pitoresco

 

 AGRICULTURA SÉC XIX

 

Concelho

Trigo

Superf.

Cultivada

(he

ctares)

Milho

Superf.

Cultivada

(hectares)

Centeio

Superf.

Cultivada

(hectares)

Cevada

Superf.

Cultivada

(hectares)

Aveia

Superf.

Cultivada

hectares)

Feijão

Superf.

Cultivada

hectares)

Fava

Superf.

Cultivada

hectares)

Batata

Superf.

Cultivada

hectares)

Sup. total

Amarante

250 000

360

4 236 000

32 585

1 712 000

1 650

26 500

28

 

 

265 000

3 320

3 800

3

2850 000

14 250

26 189

Baião

200 000

113

5 430 000

1 493

160 000

193

65 700

35

 

 

200 000

 

1 600

 

800 000

 

16 786

Bouças

606 500

2 637

1 3 22 000

7 344

38 5000

2 139

158 000

878

68 000

296

430 000

14 533

70 000

280

185 080

7 439

8 123

Felgueiras

20 740

 

6 528 000

7 255

692 900

 

 

 

 

 

276 400

 

 

 

36 750

200

12 034

Gondomar

60 400

 

3 050 000

 

220 000

 

40 000

 

 

 

120 000

 

 

 

25 000

 

13 337

Louzada

10 000

 

8 000 000

5 000

750 000

162

2 000

 

 

 

450 000

5 000

3000

 

80 000

10

8 585

Maia

165 500

1 227

1 654 000

3 450

877520

3 450

827

1 080

1 651

27

986 227

3 450

 

 

245 627

2 426

9 249

Marco Canavezes

3 200

 

999 364

 

170 346

 

2 420

 

 

 

16 100

 

 

 

32 000

 

20 900

Paços de Ferreira

 

 

1 115 700

8 940

223 100

894

 

 

 

 

55 700

8 940

 

 

4 406

 

10 041

Paredes

71 000

 

506 600

 

905 000

 

900

 

 

 

225 000

 

10

 

134 500

 

9 888

Penafiel

 

 

10500 000

 

2 200 000

 

3 000

 

 

 

360 000

 

 

 

70 000

 

24 170

Porto

114 671

 

866 370

 

 

64 216

 

21 932

 

21 250

 

56 785

 

1 074

5

 

 

3 500

Póvoa de Varzim

177 120

85

2 368 422

1 135

131 253

49

10 533

11

27 733

12

130 653

1 135

104

534

313 552

59

9 147

Santo Tirso

223 311

148

1992 400

1 197

2740700

1 126

2441

1

14 388

9

538 000

3

85 725

 

109

 

19 597

Valongo

34 000

34

138 000

138

2 740 700

42

4 200

4

 

 

15 000

16

 

 

23 000

16

7 461

Vila do Conde

95 000

500

3 989 336

5 500

72 000

250

1000

50

48 314

50

610 000

 

 

 

172 550

50

12341

Vila Nova de Gaia

1900 000

 

11000 000

 

3 950 000

 

3 550 000

 

320 000

 

300 000

 

1 382

 

30 478

17 859

 

 

Fonte: José Augusto Vieira, O Minho Pitoresco

 

 

 

 

 

 

VINHO DO PORTO

 

1942 – 72 000hl

 

até 1965 – média 200 000 hl

 

 

Data

Países clientes preferenciais

% produto comprado

1900

Inglaterra

Brasil

64

12

1930-39

Inglaterra

França

49

27

 

1991

França

Bélgica

Países Baixos

Reino Unido

40

19,5

13

11

 

 

ALGUNS FACTOS DA  HISTÓRIA DO VINHO DO PORTO

 

1883          Portugal pede protecção internacional para a marca de origem Porto.

 

1906          Associação Comercial do Porto insiste na fiscalização e pede incentivos à     

                   reconversão do Douro.

                  Alguns exportadores solicitam que o “vinho do Porto provenha de uma área   

                  duriense demarcada e que seja careegado exclusivamente no Porto”.

 

1907          É instituída a região demarcada.

                  È criada a Comissão de viticultura do Douro.

                  É definido o uso exclusivo do álcool vínico para o benefício.

                  É restabelecida a exclusividade da barra do Douro  para a exportação.

 

1921          É proibido o uso de corantes; produtos industriais e vinhos de outra origem.

                  É definido o grau alcoólico.

                  É criada a fiscalização da vinificação.

 

1926         É criado o Entreposto único e privativo de Gaia.

 

1932-33      É criada a Casa do Douro para reger a produção; o Grêmio dos exportadores para enquadrar o negócio; o Instituto do Vinho do Porto para assegurar a tutela.

 

1934          É instituído o cadastro vitícola.

 

1941          É criado o selo de garantia.

 

1946          São fixadas normas para o benefício.

1955              São planificadas redes de adegas cooperativas

 


1974             O Grémio é dissolvido. Cria-se uma Associação de exportadores de adesão

                     livre.

 

1978            É criado um Entreposto na Régua.

                     Alguns produtores lançam-se na comercialização directa dos seus vinhos.

                     É valorizada a originalidade do vinho de “quinta” através do “vinho fino

                     caseiro”.

 

1982            Vinho do Porto do Douro ascende à denominação de vinho de origem 

                    controlada.

 


1986           Aquando da adesão à CEE são definidas duas etapas para adaptar a

                   viticultura às normas comunitárias: até 1991 para as transformações     

                   estruturais; até 1996 para o desarmamento alfandegário integral.

 

                   Os produtores de vinho fino exportam-no directamente

 

 

1988            Subsistem 58 empresas das quais 43 firmas exportadoras, reunidas

                    em 22 grupos.

 

1960-1991             Sobe de 6 para 81% a percentagem de produto exportado que é engarrafado na origem .

 

Ultimamente        Investimento na divulgação dos melhores produtos  : “categorias

                              especiais”; vinho com indicação de idade e vintages.

                 

                              Os rótulos perdem lirismo e ganham rigor informativo.

 

                              Aumento investimentos no vinhedo: amenização do clima e relevo.

 

 Nºde empregos ligados ao Vinho do Porto

 

Localidade

Gaia

Alto Douro

Nº de empregos

3500

25 000 viticultores

80 000 assalariados

Fonte: François Guichard, História da Cidade do Porto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quota parte do vinho do Porto no valor global das exportações portuguesas

 

Data

%

1875

37

1900

12*

1924

35

1931                      

26

1936-37

18-19

1941-41

c. 2

 

 

 

*continua o produto nacional mais exportado

 

È Em 1938, as vendas do vinho do Porto são ultrapassadas pelas da cortiça e de conserva de peixe.

 

È È Em 1941-42 ( com a 2ª Guerra Mundial) baixam para o 8º lugar.

 

£ Passam por um período próspero em 1970-80, com auge em 1980.

 

Ú No final do século XX, as exportações do vinho do Porto representam 1 e 3% quando muito 1/10 dos produtos têxteis.