segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Novo ano letivo

 








Um novo ano se inicia hoje com toda a sua carga de esperança nos objetivos delineados, de ansiedade e determinação de persistir nos valores em que acredito.
Ensinar a despertar a curiosidade é para mim mais importante do que tudo.
Hoje a História pode ser fastidiosa quando tem que ser dada a correr, pelo menos em alguns conteúdos, mas se ficou o bichinho do querer saber mais, teremos ganho a batalha. Quem me dera conseguir isso, a minha grande meta. Depois, despertar a empatia entre mim e os alunos e entre uns e outros seria a realização completa.
Mais uma vez, recorro a Sebastião da Gama quando diz: “Para ser professor, também é preciso ter  as mãos purificadas. A toda a hora temos de tocar em flores. A toda a hora a Poesia nos visita.
O aluno acredita em nós e não deve acreditar em vão. Impõe-se-nos que mereçamos, com a nossa, a pureza dos nossos alunos; que a nossa alimente a deles, a mantenha.
Sejamos a lição em pessoa – que é isso mais importante e mais eficaz que sermos o papel onde a lição está escrita; e possamos dizer, sem constrangimento: Deixai-as vir a mim as criancinhas....” ( muitos de criancinhas, têm pouco, mas estes jovens são dignos da nossa compreensão. Haja em nós paciência suficiente para os compreendermos, nestes tempos tão conturbados!)

Já agora o pensamento de  Tihamer Toth:

Semeia um pensamento e
colherás um desejo; semeia um
desejo e colherás a ação; semeia
a ação e colherás o hábito;
semeia o hábito e colherás
o caráter.

Depois, o desejo de valorizar a solidariedade, a entre ajuda, como nos aparece tão bem demonstrada nesta narrativa:
“Um antropólogo propôs um jogo para crianças numa tribo africana. Colocou uma cesta cheia de frutas perto de uma árvore e disse às crianças que quem chegasse lá em primeiro lugar, ganharia todos os frutos. Quando deu ordem de partida, as crianças deram as mãos umas às outras e correram juntas, sentando-se, depois, também juntas, desfrutando das suas guloseimas. 
   Quando o antropólogo perguntou por que tinham feito aquilo, uma vez que a primeira poderia ter todos os frutos, elas responderam: 'UBUNTU, como pode uma de nós ficar feliz se todos as outros estão tristes? "(" UBUNTU " na cultura Xhosa significa:. "Eu sou porque nós somos)"

                                                        Osani, The Circle Game....
                                               http://www.connectingdotz.com


Hoje nem tudo é tão linear, nem tudo é tão fácil, tantos os constrangimentos externos. Possamos todos ultrapassá-los e caminhar da melhor maneira para a colheita final.”Ubuntu!”

sábado, 25 de junho de 2022

Un monde (O recreio)

 

“Nora tem sete anos e regressou à escola com Abel, o seu irmão mais velho. Quando ela percebe que ele é constantemente atormentado por alguns colegas, quer protegê-lo e contar aos pais. Mas ele obriga-a a guardar segredo. A pequena vê-se assim dividida entre o que considera certo e a lealdade à promessa que fez.

Em competição na secção Un Certain Regard no Festival de Cinema de Cannes (onde arrecadou o prémio FIPRESCI), este é um drama sobre "bullying" e violência emocional entre crianças que conta com assinatura da realizadora belga Laura Wandel.” PÚBLICO

 "Recreio", primeira longa-metragem dirigida (e escrita) pela belga Laura Wandel, é um drama sobre bullying entre crianças que nos introduz no campo de guerra do recreio de uma escola primária.

 Un monde ou O Recreio, merece ser visto por pais e professores já que mostra aos adultos, o mundo das crianças.

 Com graça, a realizadora questionada sobre os comentários de que o que mostra no filme é impossível em Portugal respondeu.... "Não acredito...."

#unmonde #recreio #cinema #psicologiainfantil #educação #escolas #professores #crianças #bullying #laurawandel #MayaVanderbeque

https://cinecartaz.publico.pt/filme/recreio-408147

 

Entrevista

Recreio: "O filme é uma metáfora do mundo dos adultos"

                                                                                                                            João Antunes

                                                                                                                           24 Junho 2022 às 22:07

 

É uma obra perturbadora, construída a partir da visão das crianças.

Recreio" ("Un monde", no original) acompanha Nora, uma menina de sete anos, que vai para a escola com o irmão mais velho. Mas quando parecia ser este a tomar conta dela, é Nora quem vai tomar conta dele.

“De uma certa forma, é uma metáfora do mundo dos adultos: há o jogo dos territórios, a necessidade de se integrar, de ser reconhecido. Problemáticas que afligem os humanos, crianças ou adultos. Queria que o meu filme fosse um espelho do mundo, de uma forma global.”

O seu filme mostra alguns jovens que, apesar da idade que têm, demonstram já alguma forma de crueldade...

Para escrever o filme passei bastante tempo no recreio de escolas e a falar com professores. E com um psiquiatra, especialista em violência na escola, que afirma que uma criança que é violenta é uma criança em sofrimento. Que a sua violência é sempre uma reação a qualquer coisa. Que tem uma ferida ainda não foi reconhecida e que a violência é a única maneira de manifestar qualquer coisa que não está bem consigo.

 Concorda com essa teoria?

Tenho a impressão que é a mesma coisa para os adultos. Mas penso que a bondade é instintiva. E o que se passa no filme é um regresso a essa bondade instintiva que temos dentro de nós. Todas aquelas crianças estão ligadas pelo mesmo medo, o da exclusão.

(...)

Tentei mostrar a violência física mas também a violência verbal, mental. Mas fiquei com a impressão de que só mostrei a violência física nos rapazes. De qualquer forma, não quis categorizar claramente rapazes e raparigas. As raparigas também podem ser tão violentas como os rapazes.

A personagem do pai é muito interessante, mas não sabemos muito bem o que se passa com ele...

Quis mostrar um pai inquieto, o que é normal, que não sabe como agir com os seus filhos. A situação escapa-lhe completamente, porque os filhos não lhe contam nada, têm medo da reação dele. Mas não sabemos se está desempregado, são as outras crianças que dizem a Nora que o pai não trabalha, porque está a aparecer a toda a hora.

A mãe é uma personagem completamente ausente...

Não se sabe, pode estar desempregada, pode estar em casa. Mas não quis dar respostas. Detesto dar respostas, gosto que o espectador possa construir a trama que lhe apetece. E que possa participar na narração, é muito importante para mim. Quando não sabemos as coisas vamos mais rapidamente aos estereótipos. As coisas são muito mais complexas do que pensamos.

Para filmar sempre à altura do olhar de Nora utilizou um dispositivo fílmico que deve ter sido complicado de pôr em prática.

Desde o início que decidi que a câmara deveria manter-se sempre à altura das crianças. Queria transportar o espectador para o olhar das crianças, o que é ver o mundo a essa altura. O diretor de fotografia tinha a câmara à altura da cintura e era ele que acompanhava a Maya, era ele que se tinha de adaptar à atriz. Não eram eles que se tinham de adaptar a nós, mas nós a eles. O dispositivo era simples, mas o trabalho complicado, por exemplo ao nível do foco. Foi uma proeza impressionante.

(...)

Dizem que trabalhar com crianças é sempre complicado. Como é que trabalhou com este grupo?

Começámos a trabalhar muito antes com as personagens principais. Não lhes dei o guião a ler, não queria que fosse uma coisa recitada, queria que se apropriassem do filme. Trabalhámos todos os fins de semana durante quatro meses antes de filmar, Como nunca tinham representado, o que lhes pedi para começar foi criar a marioneta das suas personagens. Para que compreendessem que não eram eles, mas sim personagens.

Incluiu no guião muitas das propostas deles?

Fui-me apropriando de muitas coisas que eles propuseram para a escrita do guião final, sim. Dávamos-lhes o início da cena e perguntávamos o que pensavam que as suas personagens fariam. Isso permitiu que falássemos da violência na escola, da relação com os outros. E propus-lhe que desenhassem todas as cenas num caderno. Na rodagem permitia-lhes recordar o que tinham feito, mas de forma lúdica.

Em que filmes se inspirou para criar a sua história?

O "Ponette", do Jacques Doillon, era evidente. Aliás, mostrei-o à Maya. Também mostrei "O Miúdo da Bicicleta", dos irmãos Dardenne. É claro que há "Os 400 Golpes", mesmo que a personagem seja mais velha. E também me lembre de "O Balão Branco", do Jafar Panahi, todo sobre o ponto de vista de uma criança. É verdade que há filmes extraordinários sobre o universo das crianças.

(...)

Como foi a estreia em Cannes?

Sinceramente, a primeira projeção em Cannes foi o momento mais bonito da minha vida. Ainda por cima tivemos de esperar um ano, porque o confinamento veio logo a seguir ao último dia da pós-produção. Pensei que este filme nunca ia ser visto, depois de sete anos de batalha.

https://www.jn.pt/artes/recreio-o-filme-e-uma-metafora-do-mundo-dos-adultos-14967037.html

domingo, 24 de abril de 2022

Ditadura vs Democracia

 




A 24 de março de 2022, o tempo da democracia ultrapassa, em um dia, a duração da ditadura, que teve precisamente 17 499 dias. A Revolução de 25 de Abril de 1974, que pôs fim ao regime ditatorial, marca o início da contagem do tempo do período democrático, ou seja, 17 500 dias.


Esta quarta-feira, Portugal assinala 17 499 dias vividos em democracia - igualando o tempo vivido em ditadura - e começam também as comemorações oficiais dos 50 anos do 25 de Abril que se estenderão até 2026.

 

"Isso dá-me uma realização, um sentimento de orgulho, de sentir que o 25 de Abril trouxe para Portugal uma situação de paz e de democracia e de liberdade como nunca um período tão grande teve" ( Coronel Vasco Lourenço,JN).

 

A escola e os seus alunos cientes que há um longo caminho a percorrer no sentido da concretização dos 3 Ds de Abril: Descolonizaçao; Democracia; Desenvolvimento, iniciam hoje, também essa memória e luta.

“Nunca ninguém disse que cumprir Abril era tarefa só dos nossos pais e avós. Não é. Onde eles falharam teremos nós de acertar. A responsabilidade é nossa. E dos nossos filhos e filhas”. Marco Capitão Ferreira Professor, 25.04.2018, Expresso.


https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/ditadura-democracia.aspx

segunda-feira, 21 de março de 2022

De volta à rotina

 

De volta à rotina, depois de um período de ”prisão” domiciliária, preocupação  pelos mais frágeis, extremos cuidados na desinfeção de todo o ar que se respira, volto, não igual, mas com novos motivos para agradecer aos amigos que espalham o aroma do jasmim e nos fazem ver os rebentos das árvores, com os seus cuidados. Obrigada. Preocupada embora por quem não conseguiu, ainda, sair da sua “prisão”, acredito que tudo correrá bem.

 É o mundo que temos, há que andar para a frente, mas o bicharoco anda por aí e em algumas lojas nem já há gel desinfetante! Estamos destinados a apanhar todos o Covid, é o que referem certas opiniões. Será?

Reduzo-me à minha pequenez, mas acho que embora andando para a frente podíamos continuar com todos os cuidados, digo eu, que não sou ninguém.  Mas eu tive-os e não me valeu de nada. Qual é a síntese?

Como hoje, é dia da poesia e no ar rescende o jasmim, fica o quintal florido e a conhecida poesia de António Ramos Rosa sobre as palavras.

 

 

Palavras

Adiro a uma nova terra adiro a um novo corpo

As palavras identificam-se com o asfalto negro

o tropel das nuvens

a espessura azul das árvores acesas pelos faróis

o rumor verde

 

As palavras saem de uma ferida exangue

de teclas de metal fresco

de caminhos e sombras

da vertigem de ser só um deserto

de armas de gume branco

 

Há palavras carregadas de noite e de ombros surdos

e há palavras como giestas vivas

 

Matrizes primordiais matéria habitada

forma indizível num rectângulo de argila

quem alimenta este silêncio senão o gosto de

colocar pedra sobre pedra até à oblíqua exactidão?

 

As palavras vêm de lugares fragmentários

de uma disseminação de iniciais

de magmas respirados

do odor de gérmen de olhos

 

As palavras podem formar uma escrita nativa

de corpos claros

 

Que são as palavras? Imprecisas armas

em praias concêntricas

torres de sílex e de cal

aves insólitas

 

As palavras são travessias brancas faces

giratórias

elas permitem a ascensão das formas

elevam-se estrato após estrato

ou voam em diagonal

até à cúpula diáfana

 

As palavras são por vezes um clarão no dia calcinado

 

Que enfrentam as palavras? O espelho

da noite a sua impossível

elipse

Saem da noite despedaçadas feridas

e são signos do acaso pedras de sol e sal

e da sua língua nascem estrelas trituradas

António Ramos Rosa

sábado, 12 de fevereiro de 2022

Café concerto -século XX

 

 

 

 

 


 

CAFÉ CONCERTO

 

 

   

ESCOLA EB 2.3 DE BAGUIM

29 – 07 – 2001

21 horas

 

 

 

1900 – 1910

 

(Power point)

 

Portugal  entra no século XX frustrado com a perda de parte do seu império colonial e desanimado com as condições impostas pelo Ultimatum inglês.

 

Sobrevém, então, a exaltação patriótica de heróis nacionais,  de que Camões é o máximo expoente. 01

 

Portugal é um país com elevada taxa de analfabetismo e com saúde débil. 02

 

A industrialização iniciada no final do século progride lentamente. Portugal continua a afirmar-se como país agrícola e artesanal. É o país europeu com menor volume de comércio externo per capita. Exporta, sobretudo matérias primas e vinho do Porto. 03 - 04

 

Neste contexto progride a emigração, sobretudo para o Brasil. 05

 

Portugal é um país atrasado. A rede de gás mantém-se nas ruas durante toda a década. 06

 

Em 1901, o carro eléctrico, antes introduzido no Porto, chega a Lisboa. 07

 

O automóvel introduzido na década anterior deslumbra. 08

 

O telefone e o telégrafo confinam-se a alguns núcleos urbanos. Só em 1904 é que se estabelece a ligação entre Lisboa e Porto. 09 -  010

No início do século todo o protagonismo público é masculino – o homem é a autoridade e tem espaços para si reservados. 011

 

O foot-ball regista um crescimento de adeptos. Em 1903, surge o Boavista Foot.ball Club; em 1904, o Sport Lisboa e Benfica; em 1906 o Sporting Club de Portugal e o Foot-ball Clube do Porto. 012

O Teatro é o grande espectáculo da época. 013

A nível económico, afirma-se o comércio logista em detrimento do mercado e da feira. 014

 

D Carlos livre pensador e constitucional mantém-se afastado dos assuntos do Estado já que prefere o desporto, a caça, a ciência, a arte e a agricultura. 015

Em 1908, o rei é vítima de um atentado da carbonária. 016

 

Em 5 de Outubro de 1910, implanta-se a República. 017 - 018

 

 

(Passagem de modelos – música: Hino Nacional por Isabel Silvestre)

 

Ainda, em 1910, Augusto Gil publica Luar de Janeiro.

 

(Vânia Filipa e Pedro Plácido dizem Balada da Neve)

 

1910 – 20

 

(Power point)

 

Ao longo da década, a República frusta todas as expectativas. 101

 Verifica-se, então, uma constante instabilidade política. 102

 

Em resultado da Lei da Separação do Estado da Igreja, muitos eclesiásticos tornam-se conspiradores anti-republicanos. 103

 

Em 1914, eclode a 1ª Grande Guerra, na qual Portugal se vê forçado a envolver para garantir os seus direitos coloniais. São enviados para a Flandres 55 000 homens. 104

 

A guerra provoca carências de géneros essenciais, aumento de preços, desvalorização da moeda, racionamento, assaltos, confrontos e uma vaga de peste pneumónica. 105

 

Em 1917 , três crianças analfabetas guardadoras de rebanhos, em Fátima, afirmam ter encontros mensais, no sítio da Cova da Iria, com uma aparição que associam à Virgem Maria. 106

 

Em 1918, a instabilidade abre caminho à tentativa ditatorial de Sidónio Pais. 107

 

A nível social, a República considera os conjugues com os mesmos direitos no matrimónio, mas na prática o estatuto da mulher não é modificado. 108

Durante a guerra, a mulher destaca-se na retaguarda como enfermeira da Cruz Vermelha na Flandres ou em Portugal, a promover campanhas a favor das vítimas. 109

 

O traje feminino muda radicalmente– é abolido o espartilho rígido e imposto o fato de  casaco e saia, de início comprida, mas ao longo da década cada vez mais curta.

A gordura deixa de ser formosura. A silhueta adelgaça-se. 111

 

  

(Passagem de modelos – música: Rapsódia Portuguesa de Manuel de Figueiredo)

  

Em 1915 publica-se a revista literária que inicia, em Portugal o movimento modernista. Nela colaboram Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Almada Negreiros entre outros.

 

(Ariana e Cátia Daniela dizem Luís, o poeta, salva a nado o poema de Almada Negreiros )

 

 

1920 – 30

 

(Power point)

As comunicações teleféricas, os transportes motorizados, o cinema, a imprensa ilustrada e as máquinas impõem-se em Portugal. 201/202/203

 

Os portugueses descontentes com a República afastam-se da política. 204

Explode o consumo associado a uma enorme alegria de viver.

A inflação galopante aconselha a gastar, devido à constante desvalorização do dinheiro. 205

 

Crescem algumas grandes empresas monopolistas. As grandes apostas fazem-se no comércio e na bolsa. 206

 

A república está desacreditada. Progride a instabilidade de tal forma que diversos sectores começam a ansiar uma mudança política no sentido do controlo social e estabilidade económica. 207

Assim, quando, em 28 de Maio de 1926, Gomes da Costa faz um levantamento das tropas em Braga e marcha sobre Lisboa, é acolhido com entusiasmo. 208

 

Está o caminho aberto para a instauração do Estado Novo que levará Salazar ao poder. 209

 

Em Lisboa , ao mesmo tempo que em Paris, Berlim ou Nova Iorque, acompanha-se com espumante a jazz-band, o fox-trot e o charleston – as roupas moldam o corpo e a cabeça de cabelo curto vive a leviandade. 210

No entanto, a “loucura” dos anos 20 restringe-se à capital. 2111/212.

 Para o final da década clama-se por ordem, disciplina, moral e autoridade.

 

 

(Passagem de modelos – música: Maldita Cocaína cantada por Luís Cília)

 

 

Florbela Espanca edita no final da década, no ano da sua morte, 1930, a obra Charneca em Flor:

 

 

( Sofia recita:  Ser Poeta. )

 

 

 

1930 - 40

 

(Power point)

Portugal vive uma estabilidade que contrasta com o vulcão em ebulição além-fronteiras. O responsável por esta atmosfera é António de Oliveira Salazar. Com efeito, a década decorre sob o signo do Salazarismo.que tudo controla. 301  - 302

 

Se o trabalho de persuasão e mentalização se mostra insuficiente recorre-se à repressão. Instala-se, então, um vasto aparelho que vai da censura prévia à polícia política, com discricionários poderes de detenção, tortura e custódia ilimitada de presumíveis opositores condenados ou não. 304 – 305 - 306

 

A Exposição do Mundo Português em 1940, festeja o Estado Novo e exalta o passado dos portugueses, devolvendo-lhes o orgulho e a esperança. 307

 

Salazar mantém Portugal afastado da 2ª Guerra Mundial. 309

 

É a década da consolidação do poder.

O corporativismo obriga à dissolução dos sindicatos livres. 3010

 

Reforça, nesse mesmo ano, o aparelho do regime com dois organismos de inspiração fascista, a Mocidade Portuguesa e a Legião Portuguesa. 3011 - 3012

 

No domínio do espectáculo, a revista conserva a sua popularidade. No entanto, a censura torna-a menos crítica. 3013

 

Os ideais educativos estão expressos nas máximas de inclusão obrigatória nos livros escolares, a partir de 1932:

 

“Obedece e saberás mandar”; “Na família, o chefe é o pai”; “Na escola, o chefe é o mestre”; “No Estado, o chefe é o Governo”. 3014

 

 

 

 

(Passagem de modelos – música: O Cochicho)

 

Nesta década, Fernando Pessoa publica a obra “Poesias”.

 

 (Ricardo Neves dizem Viajar de Fernando Pessoa )

 

 

1940 – 50

 

(Power point)

Portugal é um país neutral numa guerra que ameaça o mundo e que põe em perigo a soberania de Portugal sobre as suas colônias e o território dos Açores. 401

A cedência aos Ingleses da base das Lajes na Ilha Terceira, Açores, seguida de outra em Santa Maria aos Americanos, bem como a simpatia para com as idéias de Mussolini e Hitler faz com que Portugal mantenha relações com os dois lados da contenda mundial. 402 - 403

 

No entanto, enquanto outros fazem a guerra, Portugal faz negócios.

A balança comercial tem pela primeira vez, de 1941 a 1943, saldo positivo. As conservas de peixe e sobretudo o volfrâmio elevam a qualidade das exportações.

Inúmeras famílias camponesas tornam-se, agora, dependentes do volfrâmio. 404 Desenvolve-se, então, o contrabando e incrementam-se os novos ricos. 405

 

Lisboa torna-se uma zona de passagem de muitos refugiados que aqui são proibidos de procurar trabalho. 406

 

Na protecção aos refugiados destaca-se, o cônsul português em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes que dá entrada a todos os fugitivos que se lhe dirigem. É despedido por Salazar.  407

 

Vigora, nesta época, a escassez de alimentos e o seu  racionamento progressivo, o açambarcamento e o mercado negro. 408

 

No entanto, é, também a década das grandes obras. Duarte Pacheco cria a obrigatoriedade dos grandes planos ordenadores dos meios urbanos. É também, obreiro  de novas pontes, viadutos, gares, estradas, redes sanitárias, tribunais, escolas, hospitais, prisões e bairros. 409

 

O facto de Portugal ser um ponto de passagem de múltiplas gentes favorece a circulação de novas idéias e modas.

Todavia, a guerra impõe rigor no vestir. Estamos atravessando tempos difíceis e é necessário fazerem-se economias, avisa a revista Arte Feminina, em 1942. 4010

 

O fado ganha o estatuto de canção nacional. O facto de qualquer execução carecer de licença oficial e o cantador ou cantadeira serem obrigados à apresentação de registo criminal, bem como as letras serem sujeitas a censura prévia, conformam o fado à dimensão de canção nacional, imagem de Portugal. 4011

 

Impõe, então, um nome: Amália Rodrigues que se torna a rainha da noite.

Com Amália, o fado é agora, juntamente com o vinho do Porto a imagem de marca de Portugal no estrangeiro.  4012

 

(Passagem de modelos – música: Uma Casa Portuguesa de Amália)

 

Nesta década, afirma-se a poetisa Sophia de Mello Breyner Anderson.

 

(Mário diz Dia do mar)

1950 – 60

(Power point)

Portugal mantém-se um país essencialmente agrícola. Salazar aconselha prudência na indústria já que lhe repugna a aposta no desenvolvimento e na urbanização, a abertura económica do país, o investimento estrangeiro. 501

A vida política também estagnou. O aparelho policial e censório atinge a plenitude.

Está instalada a delação praticada por milhares de portugueses, como informadores da PIDE ou da Legião Portuguesa. 502

 

O medo é a argamassa que consolida o Estado Novo. 503

 

Inicia-se, em 1953, o I Plano de Fomento dirigido tanto para a indústria, como para a rentabilidade agrícola que marca a transição de uma sociedade rural para uma sociedade moderna. 504

 

Em 1954, Portugal é integrado nas Nações Unidas.

 

A década termina com a adesão do Governo português à Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA) o que antes parecia impensável. 505

 

Em 1958, Humberto Delgado, ao candidatar-se à Presidência da Republica, consegue demonstrar que a sociedade portuguesa anseia pela mudança e está pronta a acarinhar quem demonstre ter novas propostas. 506

As fraudes eleitorais então verificadas levam D. António Ferreira Gomes a redigir uma carta a Salazar onde criticando o regime assevera: Sinto ter de pensar que não estamos a caminhar a não ser do avesso. 507

 

É nos anos 50 que Fátima se projecta como o altar do mundo. 508

 

Os clubes de futebol tornam-se instituições de influência na sociedade portuguesa. 509

 

A RTP nasce em 1957, depois de várias emissões experimentais na Feira Popular, o governo espera que os dirigentes do novo serviço público saibam fazer desta instituição um meio de elevação moral e cultural do povo português. 5010

 

De notar, ainda, a adesão da mulher ao automobilismo, desporto no qual se mostra desinibida e se atreve mesmo a envergar calças. 5011

 

 

(Passagem de modelos – música: Fado das Trincheiras)

 

Nesta década, José Fontinha afirma-se como poeta, sob o pseudónimo de Eugénio de Andrade.

 

(Nuno Moreira recita “ Até Amanhã”)

 

Rómulo de Carvalho sob o pseudónimo de António Gedeão escreve a obra “movimento perpétuo”

 

( António Jorge recita “Pedra Filosofal”

 

1960 – 70

 

Em 1961, explode a guerra em África, contra os movimentos nacionalistas. 150 000 militares, dos quais 3/3 da metrópole, chegam a estar envolvidos em cada ano nas três frentes da guerra colonial. Ainda em 1961, Portugal perde o Estado Português da Índia – Goa, Damão e Diu. A guerra agrava as condições de sobrevivência do regime salazarista.

No mesmo ano, o navio Santa Maria é desviado, como forma de propaganda contra a guerra colonial.

(Apresentação em Power Point – Guerra Colonial - Rute)

 

Nos anos 60 um milhão de emigrantes parte para o estrangeiro. Os campos são abandonados pelas gentes que  buscam melhor vida. Centenas de milhares de camponeses mudam-se para as periferias urbanas. Agrava-se o fosso estrutural entre o litoral e o interior.

( Sketch teatral 9º C - professora  Anabela Gil )

 

(Power point)

A década de 60 é marcada por diversas formas de contestação ao regime, entre as quais o golpe de Estado falhado de Beja.

 

A 13 de Maio, de 1967, Paulo VI visita a Cova da Iria. É acolhido friamente por Salazar, já que o Papa tinha ido à Índia, três anos  e publicara a Encíclica Populorum Progressio, onde condenava o colonialismo. 601

 

Duplica ao longo da década o número de estudantes universitários que imbuídos da rebeldia típica da década aderem à moda do twist, do ié-ié, no início do decênio, passando no final,  para a música pop-rock e para o fascínio pelo movimento hippie e pelos acontecimentos do Maio 68 ou até pela revolução cultural chinesa. Desta forma, contestam a rigidez do regime e a guerra colonial na qual não querem morrer.  602- 603

São rebeldes no início da década, Jorge Sampaio e João Cravinho entre muitos outros, no final, Jaime Gama, Mariano Gago  e João Soares. 604 – 605.

Em 1969, em Coimbra, a força do movimento estudantil leva, em  ao encerramento das faculdades, por parte do governo e ao boicote aos exames por parte dos estudantes

 

A nação atravessa  atravessa o período de mais rápido crescimento económico em toda a sua história até à data. A pesar da política isolacionista, a situação colonial leva o governo  português a tentar atrair os capitais estrangeiros como forma de angariação de apoio diplomático para a sua causa. 606

 

A prosperidade económica exerce reflexos quase imediatos sobre índices de bem estar social, como a taxa de mortalidade (incluindo a infantil)  que nos anos 60 desce a um nível superior ao da maioria dos países europeus. 607

 

A falta de mão de obra masculina abre novas oportunidades de trabalho ao sexo oposto, evidenciando o trabalho da mulher na agricultura, nas fábricas e no sector dos serviços. 608

 

No final da década Salazar atingido de traumatismo craniano, é substituído por Marcelo Caetano, que promete governar segundo a fórmula “evolução na continuidade”. 609 –610

 

 

(Passagem de modelos – música: Obla - di - Obla - dá

 

San Francisco “be Sure to wear some Flowers in your Hair de Scott Mackenzie)

 

 

Nesta década a actividade literária mostra-se muito interveniente e para passar na censura muito imaginativa. Neste quadro salienta-se Manuel Alegre que publica Praça da Canção  e o Canto e as Armas.

 

 

(...... diz País de Abril )

 

 José Saramago dá a conhecer, nos anos 60, Poemas Possíveis

 

 (Vânia Filipa declama Astronauta)

 

Miguel Torga publica a obra Poemas Ibéricos

 

 ( Hugo Leite declama o poema Mar )

 1970 – 80

 

Vídeo

 

Num único dia, 25 de Abril de 1974, toda a história muda em Portugal. Desta forma, a década de 70 condensa-se nesta data.

 

Como bem interpretou Sophia de Mello Breyner e Andersen:

 

Esta é a madrugada que eu esperava

o dia inicial inteiro e limpo

Onde emergimos da noite e do silêncio

E livres habitamos a substância do tempo.

 

A década inicia-se com a liberalização da economia e um crescimento económico espetacular. Portugal mantém relações preferenciais com a Europa. Esta ligação é reforçada pelo fluxo migratório que prossegue em grandes quantidades para França.

 

( Sketch teatral 9º C - professora  Anabela Gil )

 

Nos anos 70, um maior número de estudantes acedem ao ensino superior, e contestam as normas vigentes.

 

Nas artes do espectáculo surgem sementes de inquietação – o Rádio Clube Português, no programa Em Órbita dá a conhecer as últimas novidades do POP ROCK .

No teatro surgem grupos independentes e na música, “os baladeiros” amplificam a contestação ao regime que vinha já dos anos 60.

Até o nacional cançonetismo, como acontece na canção “Tourada”, com letra de José Carlos Ary dos Santos e cantado por Fernando Tordo, representante de Portugal na Eurovisão, crítica o governo  de Caetano comparando-o a uma tourada. 

 

A mulher impõe-se na vida política, na polícia e na vida em geral. Isabel Barreno, Teresa Horta e Velho da Costa, conhecidas pelas Três Marias publicam as Novas Cartas Portuguesas proibidas pela censura.

 

 

Teresa Horta na sua obra chama a atenção para a necessária dignificação da mulher.

 

( ------ diz Onde recusou a mulher o pranto )

 

O passo decisivo para a mudança de estado é dado por um grupo de oficiais intermédios que já não acreditam na possibilidade de êxito na guerra colonial.

 

No entanto, o 25 de Abril não se resume a um golpe de estado militar, provoca uma mudança radical não só, na vida política, social e económica, mas também nas mentalidades.

 

Os soldados recusam-se combater em África. O Império desmorona-se, encerrando um ciclo ultramarino de meio milénio, a autoridade contesta-se sem receio, a liberdade impõe-se como direito natural.

 

Se Grândola Vila Morena identifica o 25 de Abril por ter sido a senha aguardada pelas tropas revolucionárias para avançarem – José Afonso é já antes de 1974 o mais destacado cantor de intervenção. Dignos de realce são ainda: Adriano Correia de Oliveira; Manuel Freire; padre Fanhais; Fausto; José Jorge Letria; Luís Cília; Sérgio Godinho e José Mário Branco.

 

Grândola Vila Morena – intervenção alunos do 5º ano

 

Passagem de modelos -  Música: Les Bourgeois de Jacques Brell

 

Na poesia Alexandre O’Neil está prestes a completar a sua vida poética que vai do entusiasmo ao desengano, através da ironia e do humor negro.

 

( Mário Daniel diz Amigo de Alexandre O´Neil )

1980 – 90

 

(Power point)

 A década é marcada pela instabilidade política e económica. Cerca de seiscentas empresas deixam de pagar salários sem que qualquer autoridade as obrigue a manter o compromisso para com os trabalhadores. 801

 

Surgem bolsas de pobreza em manchas industriais de Lisboa, Porto e Setúbal, onde os operários já não têm qualquer ligação à agricultura. 802

 

Os combates dos anos oitenta não se circunscrevem a causas operárias, ganham uma dimensão mais vasta, como é o caso da despenalização do aborto ou a favor do ambiente. 805

 

A década é laranja – Social Democrata – o PSD, sozinho ou em coligação, mantém-se no Governo sem interrupção de 1980 a 1990.  806

 

Devido a exigências comunitárias, zonas de grande implantação fabril como o Vale do Ave ou a península de Setúbal passam por profundas reestruturações, vitais para a sua sobrevivência. 807

 

Para o final da década assiste-se a uma onda de privatizações de sector empresarial do Estado com o objectivo de devolver competitividade a essas unidades. 808

 

O consumo expande-se com recurso ao “dinheiro de plástico” nos primeiros Hipermercados ou Shoppings ou, ainda, nas multinacionais com assento em Portugal. 809

 

É nesta década que se impõe a língua portuguesa nos ritmos jovens, depois do êxito alcançado com “Chico Fininho” de Rui Veloso. Grupos como Xutos & Pontapés, Trovante, GNR, UHF, Táxi, Rádio Macau, Heróis do Mar ou Madredeus encontram legiões de fãs. 810

 

O tempo livre consagrado ao prazer e tudo o que é entretenimento e espectáculo conhece uma expansão enorme. 811 – 812

 

 

Passagem de modelos – Música: Rui Veloso – Chico Fininho

 

(Power point)

A grande descoberta de Portugal nos anos 80, é a Europa. 804 - 804

A entrada de Portugal não é um caminho fácil, demora mais de  oito anos a percorrer, desde o momento do pedido de adesão à então, Comunidade Económica Europeia , ou Mercado Comum .

No entanto, ainda em 1986, Portugal subscreve o Acto Único Europeu que transforma o Mercado Comum em Comunidade Europeia – CE.

 

 

A comunidade europeia que nos anos 80 envolvia 12 países inicia a sua história associativa no pós 2ª guerra mundial a fim de gerir a produção do ferro e do aço. Era constituída por 6 países. Em 1973, entram mais três países, em 1981, mais 1 e em 1986 Portugal e Espanha. Nos anos 90, a União Europeia é constituída por 15 países e espera abrir as suas portas a toda a Europa “do Atlântico aos Urais.” -  813

 

Coreografia – Clube Europeu.

 

1990 – 2000

 

Nos anos 90, o poeta António Ramos Rosa vê a sua obra consagrada.

 

(......   diz poema de António Ramos Rosa )

 

(Power point)

 

Esta é a década mais tranquila e estável de todo o século. 901

 

Apesar dos apertos orçamentais com vista a cumprir os objectivos de aproximação aos padrões comunitários, o Estado permite-se acompanhar a vaga consumista geral e investe, em grande parte, com dinheiros europeus, tanto em infra-estruturas de transportes e comunicações, como em espaços destinados ao lazer e à cultura. É digna de destaque a Ponte Vasco da Gama, a maior da Europa. 902

 

O Estado promove, ainda, festejos e comemorações que restituem aos Portugueses a autoconfiança. 904

A euforia atinge o clímax na Expo 98 – exposição universal realizada em Portugal e que remodela a face da capital. 904b

Para cúmulo, em 1998, José Saramago recebe o Prémio Nobel da Literatura. 905

 

A nível europeu, Portugal faz parte dos países que se colocam na vanguarda do processo de integração, aderindo em 1991, ao Tratado de Maastrich que transforma as Comunidades Europeias numa protofederação – a U.E. e opta por integrar o processo de fundação da moeda única europeia – o euro. 906 - 907

 

A intimidade é cada vez mais pública e para essa tendência concorre a televisão privada preocupada com as audiências. 908

 

Aumenta a tendência da terciarização do país, cada vez menos industrial e agrícola e mais dedicado ao sector dos serviços. 909

 

O país continua a envelhecer. Em 1998, havia 90 idosos para 100 jovens .   910

 

No entanto, a partir de meados da década, os nascimentos aumentam, equilibrando os óbitos. 911

 

Todavia, Portugal é, ainda, o país europeu onde a esperança de vida à nascença se afigura mais curta. Apesar dos enormes passos dados em tempos recentes, ainda tem um longo e esforçado caminho a percorrer. Ainda, é considerado o 2º país mais desigual da UE, quanto à distribuição de riqueza que produz. 912 – 913

 

No fim da década há em Portugal um quarto de milhão de imigrantes legais ou não.

 

( Sketch teatral 9º C - professora  Anabela Gil )

 

A presença de minorias étnicas, sobretudo de cor, perturba alguns portugueses que deixam aflorar um racismo latente. Contudo, a intolerância militante não tem apoio na opinião pública.

Na viragem do século, espera-se a superação das dificuldades. Acredita-se no desenvolvimento e progresso.

 

 

Coreografia Rute Silva

 

Passagem de modelos – Música: Mais perto do Céu dos Bandemónio

 

 Encerramento