quarta-feira, 19 de outubro de 2016

A História do Cinema

 

A História do Cinema

1. O nascimento do cinema (1878–1900)

No final do século XIX, cientistas, fotógrafos e inventores procuravam reproduzir o movimento através de imagens sucessivas.

Eadweard Muybridge realizou experiências de fotografia sequencial.

Thomas Edison (1847–1931) e William Kennedy Laurie Dickson (1860–1935) desenvolveram o cinetógrafo e o cinetoscópio, aparelhos que permitiam registar e observar pequenos filmes.

A grande transformação ocorreu com os irmãos Auguste e Louis Lumière, que aperfeiçoaram o cinematógrafo e popularizaram a projeção coletiva.

A 28 de dezembro de 1895, em Paris, realizaram uma célebre sessão pública paga, considerada um marco fundador do cinema enquanto espetáculo comercial.

Em 1896, o cinema chegou a Portugal. O portuense Aurélio da Paz dos Reis realizou A Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança, um dos primeiros filmes nacionais.

Ver os primeiros filmes dos irmãos Lumière

Explorar a Cinemateca Digital portuguesa

2. Georges Méliès e a descoberta da fantasia (1902)

pinterest.com

A Viagem à Lua (1902), de Georges Méliès. Fotograma histórico. Para identificação e consulta de materiais, Cinémathèque française.

 

O francês Georges Méliès (1861–1938), antigo mágico e homem de teatro, compreendeu que o cinema podia fazer muito mais do que reproduzir a realidade.

Com truques de montagem, sobreposições, cenários pintados e efeitos óticos, criou mundos imaginários.

"A Viagem à Lua" (1902), inspirada na literatura de Júlio Verne e H. G. Wells, tornou-se uma das primeiras grandes obras do cinema fantástico.

Méliès abriu o caminho aos efeitos especiais que, mais tarde, seriam desenvolvidos pela tecnologia cinematográfica.

Ver A Viagem à Lua (1902)

3. O cinema mudo: a arte de contar histórias sem palavras (1900–1929)

No início do século XX, o cinema aperfeiçoou a sua linguagem através da montagem, dos grandes planos, dos movimentos da câmara e da interpretação corporal.

O cinema mudo não era necessariamente silencioso. As sessões eram frequentemente acompanhadas por pianistas ou pequenas orquestras.

Entre os grandes criadores da comédia destacaram-se Charlie Chaplin, Buster Keaton e Harold Lloyd.

Chaplin criou Charlot, personagem que conjugava o humor com a crítica social em obras como "O Garoto" (1921), "A Quimera do Ouro" (1925) e "Luzes da Cidade" (1931).

As atrizes Lillian Gish, Mary Pickford e Louise Brooks tornaram-se também figuras emblemáticas desta época.

Ver O Garoto, de Charlie Chaplin

Portugal

Em Portugal, a televisão desempenhou também um papel importante na divulgação do cinema mudo. Em 1986, António Lopes Ribeiro apresentou na RTP o programa Museu do Cinema, recuperando obras dos primeiros tempos do cinema português, acompanhadas ao piano pelo maestro Resende Dias. As emissões permitiram a muitos espectadores descobrir ou revisitar filmes que já não circulavam nas salas de cinema.

Fonte: RTP, Museu do Cinema, episódios e arquivo do programa.

4. O expressionismo alemão e a montagem soviética (1920–1930)

Das Cabinet des Dr Caligari: On the Origins of German Expressionist Cinema – Retrospect Journal

O Gabinete do Dr. Caligari (1920)

Robert Wiene. Referência: Deutsche Kinemathek.

Metrópolis (1927)

Fritz Lang. Imagem promocional de 1927, Parufamet, Wikimedia Commons.

Wikimedia Commons

 

Depois da Primeira Guerra Mundial, o expressionismo alemão desenvolveu uma linguagem visual marcada por sombras intensas, cenários deformados e atmosferas inquietantes.

Destacaram-se Robert Wiene, com O Gabinete do Dr. Caligari (1920), F. W. Murnau, com Nosferatu (1922), e Fritz Lang, com Metrópolis (1927).

Este último representou uma cidade futurista dividida entre uma elite privilegiada e trabalhadores oprimidos, conjugando expressionismo, Art Déco e futurismo.

Na União Soviética, Sergei Eisenstein demonstrou o poder da montagem cinematográfica.

O Couraçado Potemkin (1925), particularmente a sequência da escadaria de Odessa, tornou-se uma referência fundamental na história do cinema.

Explorar Metrópolis

Ver a escadaria de Odessa

5. A revolução do som, da cor e Hollywood clássica (1927–1950)

A chegada do som sincronizado transformou profundamente o cinema.

The Jazz Singer (1927), de Alan Crosland, assinalou uma etapa decisiva na expansão comercial do cinema sonoro.

A voz, o diálogo e a música passaram a fazer parte integrante da narrativa, contribuindo para o desenvolvimento dos grandes musicais.

A cor, experimentada desde os primeiros tempos do cinema, ganhou nova expressão com o aperfeiçoamento do Technicolor.

Filmes como "O Feiticeiro de Oz" (1939) e "E Tudo o Vento Levou" (1939) demonstraram as possibilidades artísticas da cor.

Hollywood consolidou os grandes géneros cinematográficos: o western, o musical, a comédia, o filme policial, o melodrama e o cinema de aventuras.

Entre os grandes realizadores destacaram-se John Ford, Howard Hawks, Alfred Hitchcock, Orson Welles e Michael Curtiz.

A época consagrou estrelas como Greta Garbo, Marlene Dietrich, Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, Katharine Hepburn, Clark Gable e Cary Grant.

Ver uma sequência de Serenata à Chuva (1952)

6. O neorrealismo italiano e o cinema de autor (1943–1960)

eyefilm.nl

"Ladrões de Bicicletas "(1948), de Vittorio De Sica. Imagens e documentação: The Criterion Collection.

 

Depois da Segunda Guerra Mundial, o neorrealismo italiano procurou aproximar o cinema das condições de vida das populações.

Realizadores como Roberto Rossellini, Vittorio De Sica e Luchino Visconti privilegiaram as histórias de pessoas comuns, filmando frequentemente em espaços reais.

Roma, Cidade Aberta (1945) e Ladrões de Bicicletas (1948) são obras fundamentais deste movimento.

Mais tarde, Federico Fellini desenvolveu um cinema muito pessoal, marcado pela solidão, pela fantasia e pela memória.

Entre os seus filmes encontram-se "A Estrada" (1954), "As Noites de Cabíria" (1957), "A Doce Vida" (1960), "Oito e Meio" (1963) e "Amarcord" (1973).

Na Suécia, Ingmar Bergman explorou as grandes questões existenciais em obras como "O Sétimo Selo" (1957), "Morangos Silvestres" (1957) e "Persona" (1966).

Explorar A Estrada, de Fellini

7. A Nouvelle Vague e a renovação do cinema mundial (1958–1970)

sinematv.com.tr

Os Quatrocentos Golpes (1959), de François Truffaut, com Jean-Pierre Léaud. Imagens e trailer: The Criterion Collection. The Criterion Collection

 

No final da década de 1950, surgiu em França a Nouvelle Vague, movimento que contestou as convenções cinematográficas tradicionais.

Os realizadores recorreram a câmaras mais leves, filmagens em exteriores, montagem inovadora e maior liberdade narrativa.

Destacaram-se François Truffaut, com Os Quatrocentos Golpes (1959), Jean-Luc Godard, com O Acossado (1960), e Agnès Varda, com Cléo das 5 às 7 (1962).

Entretanto, outras cinematografias conquistavam reconhecimento internacional.

No Japão, Akira Kurosawa, Yasujirō Ozu e Kenji Mizoguchi desenvolveram linguagens cinematográficas muito próprias.

Na Índia, Satyajit Ray afirmou-se com Pather Panchali (1955), primeiro filme da Trilogia de Apu, e, mais tarde, A Casa e o Mundo (1984), inspirado na obra de Rabindranath Tagore.

Ver o trailer e um excerto de Os Quatrocentos Golpes

Explorar A Casa e o Mundo, de Satyajit Ray

8. O cinema político e as novas cinematografias (1960–1980)

As transformações políticas, sociais e culturais das décadas de 1960 e 1970 refletiram-se no cinema.

O Novo Cinema Alemão afirmou realizadores como Rainer Werner Fassbinder, Werner Herzog e Wim Wenders.

Fassbinder abordou as relações de poder e as desigualdades sociais em filmes como O Direito do Mais Forte à Liberdade (1975).

Em Itália, Bernardo Bertolucci realizou Último Tango em Paris (1972) e 1900 (1976), enquanto Pier Paolo Pasolini desenvolveu um cinema de intervenção política e crítica social.

Nos Estados Unidos, uma nova geração de realizadores transformou Hollywood: Francis Ford Coppola, com O Padrinho (1972), Martin Scorsese, com Taxi Driver (1976), e Steven Spielberg e George Lucas, que contribuíram para uma nova era de grandes produções.

Explorar O Direito do Mais Forte à Liberdade, de Fassbinder

9. A evolução do cinema português

Depois das experiências pioneiras de Aurélio da Paz dos Reis, o cinema português desenvolveu-se através de produtoras como a Invicta Film, fundada no Porto em 1912.

Com a chegada do sonoro, as comédias portuguesas ganharam enorme popularidade. A Canção de Lisboa (1933), O Pai Tirano (1941) e O Pátio das Cantigas (1942) afirmaram atores como Vasco Santana, António Silva e Beatriz Costa.

Manoel de Oliveira tornou-se uma figura fundamental do cinema português e internacional.

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Aniki-Bóbó (1942), de Manoel de Oliveira. Referência documental para seleção da imagem: Cinemateca Portuguesa.

 

Entre as suas obras destacam-se Douro, Faina Fluvial (1931), Aniki-Bóbó (1942), Francisca (1981), Non ou a Vã Glória de Mandar (1990) e Vale Abraão (1993).

Nos anos 60, o Novo Cinema Português, com Paulo Rocha, Fernando Lopes e outros realizadores, procurou renovar a expressão cinematográfica nacional.

Depois do 25 de Abril, o cinema português conheceu novas possibilidades de criação e reflexão histórica. Destacam-se João César Monteiro, João Botelho, Teresa Villaverde, Pedro Costa, Miguel Gomes e João Canijo, entre outros.

Consultar o património cinematográfico português digitalizado

10. Dos efeitos especiais ao cinema digital (1980–2026)

primevideo.com

Blade Runner (1982), de Ridley Scott. Imagem ilustrativa da cidade futurista. Para publicação, deverá ser substituída por uma imagem promocional com crédito de distribuição confirmado.

 

Desde Georges Méliès que os efeitos especiais acompanham a evolução do cinema.

Com o desenvolvimento da informática, os modelos e efeitos óticos tradicionais passaram a ser complementados por imagens criadas digitalmente.

Blade Runner (1982), de Ridley Scott, tornou-se uma referência da ficção científica, conjugando uma poderosa linguagem visual com reflexões sobre a identidade, a memória e a condição humana.

Em Jurassic Park (1993), Steven Spielberg utilizou imagens digitais e animatrónica para recriar dinossauros.

Toy Story (1995), de John Lasseter, foi a primeira longa-metragem inteiramente realizada em animação tridimensional por computador.

Avatar (2009), de James Cameron, explorou a captura de movimentos e os ambientes virtuais.

A passagem para a captação, montagem e projeção digitais transformou profundamente a indústria cinematográfica.

Nas primeiras décadas do século XXI, as plataformas de streaming modificaram também a distribuição dos filmes e os hábitos dos espectadores. Mais recentemente, a inteligência artificial introduziu novas possibilidades criativas e questões éticas.

Apesar de todas as transformações, o cinema continua a conservar a sua essência: contar histórias através de imagens e sons, despertando emoções e convidando-nos a interpretar o mundo.

Explorar Blade Runner

Ver o trailer de Jurassic Park