A minha
relação com o cinema
Dos filmes que vi, de uns ficou o argumento, uma
frase, a música, uma imagem, de outros apenas as circunstâncias em que os vi. E
tudo isso é história.
A magia da
cabina de projeção
A minha iniciação ao cinema teve um encanto
particular. Um vizinho, inquilino do meu pai, era projecionista no cinema da
Ala de Nun'Álvares de Gondomar, conhecido por Cine Carioca. Chamava-se Abílio,
mas eu tratava-o por Bilho.
De vez em quando, levava-me com ele. Em vez de
assistir ao filme na plateia, via-o da cabina de projeção, num lugar
privilegiado para observar a magia e os seus mecanismos.
Havia uma coisa de que gostava especialmente: que
a película se partisse!
Acontecia, por vezes, nos pontos onde já tinha
sido emendada, como me explicava o Bilho. Hoje interrogo-me se algumas dessas
emendas não corresponderiam a cortes determinados pela censura, sobretudo nas
cenas de beijos ou noutras consideradas inconvenientes.
Quando a fita se partia, interrompia-se a sessão
e começavam os protestos. Eu divertia-me a observar o trabalho de reparação da
película e, lá de cima, apreciava o alarido da assistência.
Afinal, havia dois espetáculos: o que decorria no
ecrã e aquele a que eu assistia na cabina.
Muitos anos depois, Cinema Paraíso, de
Giuseppe Tornatore, devolveu-me algo dessa infância. Reconheci no filme o
fascínio pelo projetor, pela película e pelo homem que, da cabina, fazia nascer
as imagens.
Cinema para
rir, para chorar e para voltar a sorrir
Na juventude, o cinema tornou-se também um lugar
de convívio.
Quando o Belmiro regressou da guerra do Ultramar,
vinha profundamente marcado por aquela vivência. Parecia incapaz de se animar
com o que quer que fosse. Eu procurava ajudá-lo, convidando-o a sair comigo e
com as minhas amigas, a passear e a ir ao cinema.
A determinada altura, passou a ser ele a
convidar-me, sobretudo para ver comédias.
Dizia que gostava de se rir das minhas
gargalhadas!
Na verdade, eu soltava umas gargalhadas sonoras e
prolongadas, que me faziam bem a mim e, pelos vistos, também a ele.
Louis de Funès, com as suas comédias
irresistíveis, e Trinitá, o Cowboy Insolente, com Terence Hill e Bud
Spencer, acabaram por ser instrumentos de uma espécie de terapia partilhada.
Se é que alguma vez se recupera totalmente de uma
guerra.
Em sentido contrário, havia os filmes indianos
que íamos ver ao Cinema Vale Formoso, eu, o Nel e a Zinha.
Chorava baba e ranho.
Não me lembro dos títulos nem dos enredos, mas
recordo perfeitamente as emoções que me provocavam. A Zinha, cansada, acabava
frequentemente por adormecer, enquanto eu me deixava envolver por aqueles
melodramas intermináveis.
É curioso como a memória pode esquecer toda uma
história e conservar intacta a emoção que ela despertou.
O som do
cinema
O Violino no Telhado, de Norman Jewison, foi outro dos filmes que me marcaram.
Não me lembro ao certo onde o vi. Talvez no
Cinema Trindade.
Mas ainda hoje visualizo o violinista no telhado,
a família judaica, a alegria das celebrações e a música que parecia resistir às
adversidades.
O meu primo Belmiro comprou o disco e ouvimo-lo
vezes sem conta.
Gostava de arrumar a casa a cantar aquelas
canções, tal como fazia com Cat Stevens. Father and Son dava-me ânimo
para as tarefas domésticas que tinha de cumprir.
O cinema prolongava-se, assim, para além da sala,
instalando-se na vida quotidiana através da música.
Também A Flauta Mágica, de Mozart, passou
a fazer parte da minha história familiar.
Foi na Sala Bébé do Cinema Batalha que vi a
extraordinária adaptação de Ingmar Bergman, recomendada pelo saudoso professor
Carlos Alberto Ferreira de Almeida.
Fascinaram-me os contrastes entre a luz e as
trevas, o dia e a noite, e a forma como Bergman transformava a ópera numa
experiência simultaneamente musical, teatral e cinematográfica.
Sempre adorei A Flauta Mágica.
Quando estava grávida, costumava ouvi-la. Tinha a
impressão de que o meu filho se acalmava.
Mais tarde, punha a música a tocar para o
adormecer. Afinal, segundo ele próprio me contou, o efeito era precisamente o
contrário: ficava em estado de alerta, atento à música.
Eu queria embalá-lo com Mozart. Ele queria ouvir
Mozart!
Os filmes que
nos contam
Há um filme que nunca esqueci, embora a minha
recordação mais viva não seja a de o ter visto.
Na adolescência, costumava passar temporadas de
praia em Salgueiros, onde o Nel e a Zinha arrendavam casa. A Luísa e os irmãos
também apareciam. Gostávamos de caminhar, de nadar e de nos aventurarmos até ao
rochedo grande, muitas vezes por incentivo do meu irmão.
Um dia, a Luísa foi ao cinema ver Doutor
Jivago, de David Lean.
O filme era longo e ela resolveu contar-nos toda
a história.
O relato acompanhou uma caminhada desde
Salgueiros até ao Areinho da Foz e o regresso. Não lhe escapou praticamente
nada.
Recordo a balalaica, a música associada a Lara,
as flores amarelas, os grandes espaços da natureza, a guerra, o vermelho da
Revolução e as paixões atravessadas pela História.
A narrativa foi tão pormenorizada que, quando
terminou, eu tinha a sensação de já ter visto o filme.
E perdi a vontade de o ver. A surpresa estava
estragada!
Afinal, também se pode conhecer o cinema pela voz
dos outros.
Da História à
liberdade
Sempre tive um fraquinho pela História e,
naturalmente, os grandes filmes históricos exerciam sobre mim um enorme
fascínio.
No início dos anos 70, ia ao Coliseu do Porto,
com as minhas colegas, ver grandes produções como Ben-Hur.
Mas o cinema não era apenas uma forma de
revisitar o passado. Era também uma maneira de acompanhar as transformações do
presente.
Lembro-me especialmente da vontade de ver Último
Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci.
O filme tinha provocado uma enorme polémica
internacional e fora proibido em Portugal durante a ditadura. Depois do 25 de
Abril, a sua exibição representava, para muitos espectadores, a possibilidade
de ver aquilo que até então lhes tinha sido vedado.
Eu queria vê-lo precisamente porque tinha sido
proibido.
Era o sabor da liberdade.
Havia, contudo, um obstáculo: a classificação
etária. Receava que me pedissem o bilhete de identidade, porque, sendo baixa,
podia parecer mais nova.
Arranjei-me cuidadosamente, maquilhei-me e calcei
os sapatos mais altos que tinha.
O Belmiro chamava-lhes umas chancas.
Que o fossem! Faziam-me mais alta.
Na realidade, a altura nunca me causara grandes
complexos. Preocupava-me mais a possibilidade de engordar. Mas naquele dia
interessava-me sobretudo parecer suficientemente adulta para entrar.
O porteiro não reparou, ou não quis reparar, no
meu ar comprometido.
Lá consegui entrar no Cinema Trindade.
E, finalmente, pude respirar de alívio e saborear
a minha pequena conquista da liberdade, ainda que à custa de uma mentira
social.
Entre aulas,
cinemas e enganos
Nos últimos anos da década de 1970, enquanto
frequentava a Faculdade de Letras do Porto, o cinema fazia parte da vida
universitária.
Havia um professor que praticamente reproduzia os
seus próprios livros durante as aulas.
Organizávamo-nos, então, de forma muito prática.
Ficavam duas pessoas a ouvir e a tirar apontamentos, enquanto as restantes iam
ao cinema ou, quando o tempo convidava, à praia.
Muitas vezes, o destino era o Cinema Brasília,
relativamente próximo da Faculdade.
De uma dessas sessões ficou-me uma cena
particularmente aflitiva. Alguém estava prestes a ser decapitado por um fio
cortante.
A Lúcia, nervosa e sentindo o nervosismo dos
outros, não resistiu a quebrar o silêncio e para se controlar, dizer em voz
alta:
«Vá lá, até ao fim, sem medo!»
Não me recordo do título do filme, mas nunca
esqueci a intervenção da Lúcia.
Noutra ocasião, fui a uma reunião que deveria
decorrer numa sala onde também funcionava o Cineclube do Porto.
Cheguei atrasada. Estava tudo às escuras. Entrei
discretamente, sentei-me e fiquei a assistir ao filme que estava a ser
projetado.
Quando as luzes se acenderam, percebi que tinha
acabado de ver O Couraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein.
Tinha-me enganado no dia da reunião!
Foi uma forma bastante original de descobrir uma
das grandes obras da montagem cinematográfica soviética.
Quando o
cinema nos confronta
Nem todos os filmes me proporcionaram prazer.
Recordo uma noite, provavelmente no início dos
anos 80, em que saí do Café Estrela d'Ouro para ir ver Salò ou os 120 Dias
de Sodoma, de Pier Paolo Pasolini.
Creio que a sessão decorreu no Cinema Passos
Manuel, mas não tenho a certeza.
O filme andava a dar que falar.
Achei-o nojento.
Compreendia, contudo, que Pasolini utilizava
deliberadamente a repulsa para denunciar a violência do poder, a dominação
social e a transformação dos seres humanos em objetos.
O António tinha-me convidado.
À saída, percebi que o convite escondia intenções
que iam para além da sessão de cinema.
Ele agradava-me, mas...
Ficou por aí.
O cinema também é feito destas histórias que não
chegam a acontecer.
As imagens que
ficaram
Foi o Paulo Melo quem me falou de Metrópolis,
de Fritz Lang.
Estava fascinado com a grandeza daquele filme e
despertou imediatamente o meu interesse.
A sua descrição levou-me a descobrir os
contrastes violentos entre o claro e o escuro, a geometria opressiva dos
cenários, as máquinas colossais e a cidade futurista que fazia lembrar uma Nova
Iorque imaginada para o futuro.
Interessava-me particularmente a oposição entre
os trabalhadores, condenados a viver e trabalhar no subsolo, e os privilegiados
que habitavam a cidade da superfície.
A arquitetura monumental, as referências à Torre
de Babel, a máquina Moloch e a estranha casa do cientista Rotwang mostravam
como o cinema podia reunir o expressionismo alemão, a Art Déco, o futurismo e a
simbologia religiosa numa poderosa reflexão sobre a sociedade industrial.
Aquela cidade era também uma imagem das
desigualdades humanas.
Anos depois, outras imagens futuristas viriam
juntar-se às de Fritz Lang.
O Coliseu e a
força de uma multidão
Uma das minhas memórias mais impressionantes está
associada a 1900, de Bernardo Bertolucci, que vi no Coliseu do Porto,
provavelmente em 1977.
Numa determinada sequência, os trabalhadores
começaram a cantar A Internacional.
Subitamente, a assistência levantou-se e
acompanhou o cântico em uníssono, dando as mãos.
A sala transformou-se numa multidão participante.
A memória desse instante ficou profundamente
gravada em mim.
O filme decorria no ecrã, mas, durante alguns
momentos, parecia prolongar-se pela plateia.
Era o cinema a revelar o seu extraordinário poder
de mobilização emocional, num Portugal ainda profundamente marcado pela
experiência revolucionária.
O cinema, os
amigos e o amor
Conheci o Zé em 1979, no Café Estrela d'Ouro.
Tornámo-nos amigos, começámos a namorar em 1982 e casámos em 1983.
O cinema foi uma presença constante na nossa
relação.
Gostávamos de ver filmes e, sobretudo, de os
comentar depois das sessões.
Recordo uma ida ao Cinema Lumière para ver Francisca,
de Manoel de Oliveira.
À saída, o Zé adiantou-se. Eu, cheia de vontade
de discutir o filme, fui ter com ele.
Não reparei que havia uma porta de vidro pelo
meio.
Esborrachei o nariz contra o vidro!
O Zé estava do outro lado.
Depois do drama de Francisca, acabávamos
de protagonizar uma pequena comédia.
Também vi com ele A Mais Louca História do
Mundo, de Mel Brooks, uma divertida paródia dos grandes episódios
históricos.
O cinema tanto podia conduzir-nos à reflexão mais
profunda como ao riso mais descontrolado.
Lisboa, o
Alentejo e a descoberta de novos cinemas
Em 1981 e 1982, quando trabalhava no Alentejo,
passava frequentemente os fins de semana em Lisboa, onde me reunia com amigos
ligados ao meio cinematográfico. Creio que alguns colaboravam numa revista
chamada Cinema Novo.
Passávamos literalmente os fins de semana a ver
filmes.
Foi provavelmente numa dessas ocasiões que
assisti a O Direito do Mais Forte à Liberdade, de Rainer Werner
Fassbinder.
O filme impressionou-me pela forma como expunha a
exploração económica e afetiva, mesmo no interior de relações aparentemente
amorosas.
Mas houve uma surpresa inesperada.
No ano anterior, em 1981, tinha passado férias em
Marrocos. Em Marraquexe, ficara hospedada num hotel com uma grande piscina,
onde cheguei a nadar à meia-noite, por causa do calor intenso.
Ao ver o filme de Fassbinder, pareceu-me
reconhecer o hotel onde estivera.
Não sei se era o Holiday Inn International, mas a
coincidência ficou-me na memória.
Afinal, o cinema também pode recordar os lugares
por onde passamos.
Outra cinematografia que me marcou foi a indiana.
Muito diferente dos melodramas que me faziam
chorar no Vale Formoso, A Casa e o Mundo, de Satyajit Ray, despertou o
meu interesse pela relação entre cinema, literatura e História.
O filme abordava um tema que eu já tinha
estudado: o boicote aos produtos estrangeiros durante o movimento nacionalista
indiano.
Partia de um romance de Rabindranath Tagore,
autor que eu acabara de descobrir.
Era outra forma de olhar a Índia, através dos
conflitos entre tradição e modernidade, nacionalismo, liberdade e emancipação
feminina.
O frio do
Fantasporto
Nos primeiros anos do Fantasporto, era quase
obrigatório ir ao Cinema Carlos Alberto.
Recordo o frio que se entranhava no corpo à saída
das sessões, quando regressávamos à rua ainda perturbados pelas imagens de
terror.
Ficou-me uma mão a sair da terra e a agarrar
alguém. Talvez de Carrie, talvez de Evil Dead. Não sei.
Sei que aquela imagem continuava a perseguir-me
depois de terminada a projeção.
Mas o Fantasporto proporcionou-me também
experiências de outra natureza.
Uma das mais marcantes foi Blade Runner,
de Ridley Scott, apresentado numa das primeiras edições do festival.
Havia a excitação de assistir, em primeira mão, a
um filme de que tanto se falava.
Nunca esqueci a atmosfera sombria e chuvosa
daquela Los Angeles futurista, iluminada por anúncios luminosos, onde a
tecnologia parecia conviver com a decadência urbana.
A música de Vangelis acrescentava uma dimensão
quase hipnótica às imagens.
E ficou-me o monólogo final do replicante
interpretado por Rutger Hauer, com aquela reflexão sobre as memórias e os
momentos vividos que acabariam por se perder no tempo, como lágrimas na chuva.
Uma imagem poética da condição humana, nascida de
um filme de ficção científica.
O cinema como
hábito de vida
Nos primeiros anos de casada, não concebia passar
uma semana sem ir ao cinema.
Foram tantos os filmes!
Taxi Driver, A Rosa
Púrpura do Cairo, Laranja Mecânica, a beleza fotográfica e poética
de Vale Abraão, Non ou a Vã Glória de Mandar, Os Canibais,
os filmes de Bergman, de Fassbinder e tantos outros cujos títulos já não
consigo enumerar.
O cinema era uma necessidade cultural, um prazer
e uma forma de conhecer outros mundos.
Alguns filmes ficaram associados à sua mensagem,
outros à beleza das imagens, à música ou à interpretação dos atores.
Vale Abraão, de Manoel de
Oliveira, permanece na minha memória pela extraordinária relação entre a
paisagem do Douro, a fotografia, a literatura de Agustina Bessa-Luís e a
complexidade da personagem Ema.
E havia Fellini, com as suas personagens
solitárias, a mistura entre realidade e fantasia, a música de Nino Rota e
aquele universo em que o sonho tantas vezes parecia prolongar a vida.
O cinema tornara-se uma companhia permanente.
O cinema
entrou na sala de aula
Mais tarde, na minha vida profissional, utilizei
frequentemente o cinema como ponto de partida para o estudo da História.
Nunca substitui os documentos históricos por
filmes, mas aproveitei a capacidade das imagens para despertar a curiosidade,
criar problemas e suscitar a discussão.
Tinha excertos preparados para diferentes
momentos das aulas.
Para a Pré-História e a evolução humana, recorria
a 2001: Odisseia no Espaço e A Guerra do Fogo.
Para a Antiguidade, selecionava passagens de Os
Dez Mandamentos, Troia, Ulisses, Os 300 de Esparta e Spartacus.
O mundo medieval encontrava expressão em O
Nome da Rosa, O Sétimo Selo e Coração de Cavaleiro.
Para outros períodos históricos, utilizava O
Homem da Máscara de Ferro, 1492: A Conquista do Paraíso, A Missão,
As Sombras de Goya, África Minha e Tempos Modernos.
As guerras mundiais, a perseguição e a
resistência eram abordadas através de A Oeste Nada de Novo, A Vida É
Bela, A Lista de Schindler e filmes sobre Aristides de Sousa Mendes.
E Capitães de Abril ajudava a aproximar os
alunos de um acontecimento fundamental da nossa história contemporânea.
Naturalmente, era necessário distinguir a ficção
da realidade histórica, identificar anacronismos, discutir interpretações e
compreender as opções dos realizadores.
Mas as imagens tinham uma força especial.
Muitas vezes, bastava uma sequência para
despertar perguntas que depois encontravam resposta nos documentos, nos livros
e no diálogo da aula.
O cinema, que tantas vezes me tinha ajudado a
compreender o mundo, tornava-se também um instrumento para ensinar outros a
interrogá-lo.
Termino voltando ao Trindade para ver “Naza” de Yuval
Abraham e Rachel Szor e sair sem ousar dizer uma palavra.
A minha
própria história
Ao percorrer estas memórias, verifico que nem
sempre recordo aquilo que seria mais importante do ponto de vista
cinematográfico.
Esqueci argumentos, títulos, datas e até salas.
Mas não esqueci as pessoas que me acompanharam ao
longo da vida.
Talvez o cinema represente na minha vida não
apenas uma sucessão de imagens projetadas num ecrã, mas uma multiplicidade de
experiências que se foram entrelaçando com a minha própria história.