Jardim Passos Manuel - localização
Ao longo dos anos da sua existência, o Jardim Passos Manuel
foi dado a conhecer como o melhor salão do Porto bem como «o primeiro e melhor
centro de diversões do país»265, onde o público que o frequentasse poderia
divertir-se das mais variadas formas, com espetáculos adaptados para os espaços
interiores e exteriores assim como um programa adequado consoante a época do
ano, sendo este dividido em duas, a de inverno e a de verão. Durante o seu
período de atividade foram efetuadas ampliações no espaço, não só para o
melhorar seguindo a evolução dos tempos, mas também para dar resposta às
exigências do público, assim como para criar novos ambientes que pudessem
servir vários propósitos. As referências a este local foram diminuindo na fase
final da sua atividade e, após a construção do Coliseu do Porto, só há algumas
menções pontuais.
FERREIRA, A.J. – Animatógrafos de Lisboa e Porto. 2ª Ed.
Lisboa: s.e., 1994, p. 280
Se observamos em pormenor a área que compreende a rua
Formosa, a rua de Sto.
António - atual rua 31 de Janeiro -, a rua de Sta. Catarina
e a antiga rua direita de Sto.
Ildefonso272, haviam algumas construções e arruamentos mas,
maioritariamente, ela era
composta por áreas não edificadas.
A partir de meados do século XIX houve necessidade de dar
resposta às carências
crescentes que se faziam sentir na maior parte das cidades
portugueses, nomeadamente
em Lisboa e Porto, surgindo dessa forma um Plano de
Melhoramentos presente no
Decreto-Lei de 31 de Dezembro de 1864, criado pelo General
João Chrysostomo de
Abreu e Sousa, que visava melhorar o plano urbano
adequando-se às novas
exigências, o que abriu muitas das novas ruas do Porto.
Por volta de 1874/75 havia um estudo para a abertura da rua
Sá da Bandeira e da
rua de Passos Manuel que ficariam em «terrenos pertencentes
à Dona Antónia Adelaide
Ferreira, a Ferreirinha, e a outros proprietários que para
tal fim os ofereceram»
Por conseguinte deu-se início à construção da primeira parte
da rua, a qual teria
13 m de largura e iria desde a rua Sá da Bandeira até à rua
de Sta. Catarina, ficando a nova
rua de Passos Manuel posicionada também entre as ruas de
Sto. António e Formosa. A
monografia de Santo Ildefonso refere que a rua já consta
numa planta levantada em
1875. A mesma publicação diz-nos o seguinte: «O
troço primitivo, entre as ruas de Sá da Bandeira e de Santa Catarina, vem
indicado, ainda sem denominação, na planta de Mangeon», Os campos eram
atravessados por uma linha de água
podemos observar nas plantas de 1833 e 1865, e que deixou de
existir aquando da
abertura da travessa de Passos Manuel, hoje rua do Ateneu Comercial
do Porto.
No plano de melhoramentos da cidade do Porto, de 1881, é
referido o prolongamento da segunda parte que teria 16 m de largura e que
prosseguiria «desde a rua de Sta. Catarina até ao largo de Sto. André, com
conclusão da parte já aberta». Na monografia acima mencionada, ficamos a saber
que a segunda parte da rua foi «rasgada mais tarde, em terrenos da grande
Quinta de Lamelas, de que são restos alguns quintais da Rua Formosa e de Santo
Ildefonso».
Na planta de 1892, s constatamos um nítido aumento da malha
urbana e maior número de
arruamentos em relação às plantas de 1833 e de 1865,
particularmente na zona oriental
do Porto.
Atendendo à planta de 1892 e analisando a zona entre as ruas
de Passos Manuel, de Sta. Catarina a poente, Formosa a norte e de Sto.
Ildefonso a nascente e a sul, encontram se uns terrenos com a forma de um
polígono irregular com sete lados, onde podemos ver a presença de um jardim e
alguns lagos de pequenas dimensões. Mesmo em frente, do outro lado da rua de
Passos Manuel, vemos outro jardim que tem a forma de um polígono irregular de
cinco lados, que ficaria nas traseiras da Igreja de Sto. Ildefonso. Se prolongarmos
os limites que definem os dois terrenos concluímos que ambos coincidem perfeitamente,
o que demonstra que o terreno original foi dividido aquando da abertura da rua
de Passos Manuel.
Num documento datado de 24 de agosto de 19072, é feito um
pedido de vistoria
aos terrenos que ficam por detrás da fotografia Alvão, pois
o requerente Alberto Joaquim
pretendia ali construir um cinematógrafo.
Planta topográfica do jardim Passos Manuel
As primeiras notícias sobre um espaço na rua de Passos
Manuel
surgem a partir do dia 28 de janeiro de 1908, num artigo da
primeira página do jornal O
Comércio do Porto, onde se refere a construção de uma sala
de espetáculos num vasto
terreno da rua de Passos Manuel.
Em 14 de março de 1908, também no mesmo jornal, é referido
que «no parque
e jardins da Casa Pinto da Fonseca, à rua de Passos Manuel,
o conhecido e estimado
emprezario Snr. Luiz Faria tomou de arrendamento para
explorar diversos
divertimentos». «...Este novo recinto de espectáculos será
inaugurado brevemente com
um aperfeiçoado apparelho cinematographico»
Com a data de 17 de março de 1908, surgem-nos duas
informações: a primeira,
uma pequena menção no jornal O Comércio do Porto, que nos
informa que «uma elegante
casa de espectáculos, acaba de se construir na Rua Passos
Manuel» e que «este
recinto fica sendo dos mais formosos do Porto para
espectáculos públicos»; e a
segunda, um auto de vistoria é feito a um pavilhão na rua de
Passos Manuel,
denominado Paraíso no Porto, onde o requerente, Luiz
Alberto de Faria Guimarães,
pretende dar espetáculos públicos de cinematógrafo e outros,
dando-lhe a denominação
de Paraíso no Porto.
Este espaço seria
designado por Paraíso no Porto e a sua construção iniciou-se em agosto de 1907.
Este espaço «Fica delimitado ao norte pelos quintaes das
casas da rua Formosa e com o muro divisório construído sobre o poço existente
nas trazeiras da Cocheira com entrada pela rua Formosa nº 159, ao nascente
pelos quintaes das casas da mesma rua e da dita rua de Passos Manuel, ao sul por
esta mesma rua de Passos Manuel e ao poente pelos quintaes das casas da rua de
Santa Catharina e terrenos d’aquella rua de Passos Manuel.
E’ de natureza de prazo com o laudémio de quarentena à Mitra
d’esta Diocese, e tem poço de
meação. Confrontando do sul com a rua de Passos Manuel, do
norte com Joaquim Pinto da
Fonseca e outros, bem como do nascente e do poente com
herdeiros de Constantino do Vale
Coelho Cabral, Joaquim Ventura da Silva Pinto e outros».
Relativamente aos donos deste terreno surge também uma
informação na revista
O Tripeiro de 3 de março de 1961292, em que se menciona que
no ano de 1911, o Governo
Civil autorizou a compra dos terrenos onde se encontrava o
Jardim Passos Manuel e que
estes faziam parte do prazo denominado «Do Casal e da Quinta
do Adro», da qual a Mitra
seria a senhoria direta, algo que é mencionado na descrição
predial. Também
encontramos no Registo Predial que a Empresa Artística S.A.
adquiriu estes terrenos a
Joaquim Pinto da Fonseca e à sua mulher Alzira Ramalho Pinto
da Fonseca, em 5 de maio
de 19112
É bem provável que a Empresa Artística Limitada tivesse
adquirido ao longo dos
anos mais terrenos, particularmente aqueles que teriam
entrada pela rua Formosa pois
sabe-se que parte daquele terreno foi utilizado para a
construção do Coliseu do Porto.
Fot. de Aurélio Paz dos Reis, Comício Republicano de 25 de Março de 1908 (No
Porto: o desfazer do comício à saída do Jardim Passos Manuel), PT/CPF/APR/001922.
Centro Português de Fotografia (CPF)
Pormenor da fot. anterior da autoria de Aurélio Paz dos Reis onde se consegue ver a
fachada do Jardim Passos Manuel ao fundo e a população a sair do recinto do Grémio
Recreativo.
Fot. de Carlos Pereira Cardoso, O desfazer do Comício - O Comício Republicano de
25 de Março no Jardim do Grémio Recreativo, no Porto, 1908.
in Hemeroteca Digital, Illustração Portuguesa, Nº 111 de 6 de Abril de 1908.
<http://hemerotecadigital.cmlisboa.pt/OBRAS/IlustracaoPort/1908/N111/N111_master/N111.pdf
Entrada do
"Jardim Passos Manuel", c.1908.
Situado na rua de
Passos Manuel, foi inaugurado em 1908 e demolido passados 30 anos, para dar
lugar à construção do Coliseu do Porto.
O Salão Jardim
Passos Manuel era um lugar elegante, baseado nos jardins parisienses da época,
e proporcionava todo o tipo de entretenimentos: café-concerto, music-hall,
esplanada e cinematógrafo.
Foi-se tornando na mais famosa casa de espetáculos do Porto.
Restaurante
[s.a.], Jardim
Passos Manuel: restaurante, década de ‘10 [Bilhete Postal],
em http://
<http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of
[s.a.], Jardim
Passos Manuel: escadaria do restaurante, década de ‘10 [Bilhete
Postal], http://
<http://gisaweb.cm-porto.pt/units
Escadaria para o restaurante
[s.a.], Porto um
trecho do Jardim Passos Manuel (I), c. 1910 [Bilhete Postal],
http://
<http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of
[s.a.], Porto um trecho do Jardim Passos Manuel (II), c.
1910 [Bilhete Postal],
http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of
[s.a.], Porto um
trecho do Jardim Passos Manuel (III), c. 1910 [Bilhete Postal],
http://
<http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of
[s.a.], Porto um
trecho do Jardim Passos Manuel (IV), c. 1910 [Bilhete Postal],
http://
<http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of