CURSO – MEMÓRIAS DO
TRABALHO - A PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA E DA
HISTÓRIA ORAL
HISTÓRIA DA CIDADE DO PORTO
Fátima Gomes
- PORTO – EVOLUÇÃO DO TERRITÓRIO – AS
GENTES
Do burgo primitivo à AMP –
interdependências e dinamismos
3
horas
2. PORTO – REESTRUTURAÇÃO DO
TERRITÓRIO:
Da cidade planeada à cidade
construída
Desindustrialização e
terciarização do centro urbano
3
horas
3. Evolução da actividade
económica:
Agricultura; Indústria e Comércio
3
horas
4. EVOLUÇÃO DO TECIDO SOCIAL
Os grupos sociais
3 horas
5. FORMAS DE REPRESENTAÇÃO E INTEGRAÇÃO SOCIAL:
A vida e a morte
O associativismo
A conviviabilidade
A acção
As devoções
6
horas
6. REFLEXÃO FINAL – PROBLEMAS –
SOLUÇÕES?
Porto e a
requalificação do território
O papel do
Porto hoje
O Porto e a Região Norte
2
horas
O Porto primitivo
Quem há oitocentos anos viesse pelo Douro partindo de Gaia
deparava sem dúvida com um rude espectáculo. O Porto era um muro fosco e
diminuto, lá no alto, em torno da Pena Ventosa. A cidade era o Morro da Sé.
(...) os cruzados ingleses em
1147 quando chegaram à Ribeira e daí, a convite do bispo D. Pedro Pitões,
escalaram o monte para ouvir missa e sermão junto à Sé , antes de partirem à
conquista de Lisboa, a ideia que levaram foi a de um Porto-cidade-mínima, a
iniciar seu percurso, catedral-ermida, nada de interesse. “Humilde lugarejo”,
confessara o bispo. O Portucale do
séc VI, que de castrum virara civitas, havia recuado na história. Com
a vinda de D. Hugo em 1114 retomou a esperança e viu surgir “uma nova fase de
relativa uniformidade quanto ao ritmo de expansão e desenvolvimento”.
Descrição do Porto desta época
Iniciando a visita pela Porta de
Sant´Ana, já que vimos a pé da Ribeira, transpomos o famoso arco e flectimos à
direita. Rapidamente estamos debruçados sobre a ladeira onde mais tarde irá
surgir a Rua dos Mercadores e ouvimos lá em baixo, entre carvalhos e silvados o
cachoar do rio da Vila, prestes a entrar no Douro. Damos-nos conta de que a
altura da muralha mete respeito. (É o sítio do paredão que sustenta hoje a
igreja dos Grilos e os edifícios do Seminário Maior do Porto).
Prosseguindo, caminhamos agora
sobre o muro, para sul, coisa de 125 metros. À direita, lá no fundo, onde
haverá de ser a Bolsa, S. Francisco, o casario de S. Nicolau e a Alfândega
Velha , não há nada para ver além de alguns casebres entre hortejos, uma capela
e chavascais. O rio, imenso, circundante, espelha os bosques dalém, da Terra de
Santa Maria; Vila Nova não se enxerga; o Candal é arvoredo. E chegamos ao fim
do miradoiro. Aí cotovelo da muralha, mostra-se-nos de repente a Ribeira e o
Barredo – que não passam de um regato a entrar no Douro, algumas casitas de
pescadores e um barrocal inóspito. Entretanto, o Douro estreita-se. E do lado
de lá é Gaia, minúscula, na falda oeste da Serra do Pilar. A estrada de
Coimbra, por onde reis e personalidades geralmente chegarão ao Porto, acaba aí,
serpenteando desde Coimbrões ou Mafamude.
Continuando a visita, vamos agora
subir. Uns 60 metros, em esse, até à Porta da Mentira, depois Porta da verdade,
onde hoje se contorcem as Escadas das Virtudes. Daqui, descrevendo um arco de
circunferência no sentido oposto ao dos ponteiros do relógio, acharemos outra
porta, a de Nossa Senhora de Vandoma, caminho para o sertão. Estamos em frente
da actual Rua Saraiva de Carvalho, precisamente aí onde a Avenida da Ponte
atinge a cota mais elevada. À direita fica-nos a Cividade, povoado remotíssimo,
velho castro, que essa avenida, passados oitocentos anos, definitivamente
esventrou. Entre a Cividade e onde estamos começa a desenhar-se o vale que vai
ter lá abaixo, ao rio da Vila, negrume de castanheiros e carvalhais. Não tarda
muito que este vale se povoe: será a Rua Escura e a do Souto, aonde virá topar
a da Bainharia, contínua da dos Mercadores. Por estas ruas há-de subir e descer
desde a Ribeira até à Sé, e vice-versa, o Porto fluvial e marítimo. (...)
Mais umas dezenas de metros,
desta feita para poente, alcançamos a última porta, a de S. Sebastião. Ao pé
dela, adossado ao muro, irá construir-se no século XV o paço municipal. Das
quatro portas da “velha cerca” foi esta, dedicada a S. Sebastião quando o
pesadelo das pestes o impôs, a que provavelmente mais serventias prestou e mais
personalidades viu. Porque ficava no topo do percurso mais cómodo para quem
subisse desde o Douro até ao paço dos bispos, senhores da urbe. Isto até 1406
pelo menos, ano em que os senhores passarão
a ser os reis.
Desde a Porta de S. Sebastião em
diante, na direcção de oeste-sudoeste, o pano da muralha prossegue, abrupto,
paralelo à estrada que virá a ser a Rua da Bainharia, até à Porta de Sant´Ana –
de onde partimos. Do cimo deste lanço, olhando para noroeste, vemos um monte
importante. É o Monte do Olival. Um espaço óbvio para a futura expansão da
cidade. Desde o sopé até ao cume, pelos tempos fora, aí se plantarão casas,
abrir-se-ão ruas e calçadas, erguer-se-ão mosteiros e igrejas e torres – a dos
Clérigos, por exemplo, nosso ex-libris; construir-se-á uma sinagoga. Será o
Monte da Vitória. Agora, porém, séc.XII, é sítio praticamente deserto.
Percorremos no circuito à volta
de 750 metros. Tal era, em meados do século XII, o perímetro do Porto. A área
amuralhada não atingia os quatro hectares. Cidade minúscula.
(...) o povoamento do sítio
onzenista do porto, o da Pena Ventosa, é anterior à época (...) dos castros.
Recentes escavações arqueológicas no local onde existiu a Porta da Vandoma e o
paço municipal provam-no suficientemente.
E não estranharíamos que a
muralha há pouco visitada, dita sueva, tivesse sido erguida, no todo ou na
maior parte, sobre fundações abertas por esses remotos castrejos. É que ela,
fundada e construída e reformada, foi obra de muitas datas. Do século XII, inclusivamente.
( ... ) recinto compreendido no muro que percorremos
– cerca velha e muro velho se chamou
quatro ou cinco séculos fora – perdeu o nome de Cidade e designou-se por
Castelo. Isso foi sucedendo ao passo que o Porto crescia, dispersando-se pelos
arredores. Quer dizer, o que no século XII era a cidade inteira com o tempo
virou acrópole. A menos que o castelo haja sido um reduto forte, cubelo, ou
torre, identificado e bem sabido, nesse primordial espaço. (... ) De qualquer
maneira, todas as vezes que se refere o castelo é sempre possível e geralmente
recomendável interpretar a expressão como referindo a cerca velha, ou seja, o
recinto inteiro. O alcaide do bispo e após 1406 o do rei disporão, para si e
seus homens e os presos, de torre ou torres – edifícios-fortes que tanto
puderam ser cubelos da muralha como casas ameiadas erguidas sob licença
especial. (...) nos começos do século XII havia dentro dos muros uma ermida –
catedral, um cemitério e, obviamente, casas. (...) Ignoramos completamente a
figura urbanística desse Porto primitivo. Plantas, alçados, tudo. Nem sequer
podemos garantir com rigor a natureza dos materiais mais usados nas
construções. A pedra decerto – que tal sugere a tradição vinda dos castros. Mas
a madeira também. E o colmo a par da telha, conforme se pode inferir do nome
dado a uma rua, a dos Palhais. De resto, foi de madeira o primeiro paço
municipal, uma rudimentar construção encostada à parede norte da Sé românica,
essa que substituiu a ermida visigótica.
(... )
Homens e bichos, vivos e mortos,
partilharam o recinto, que vimos estreito, numa algazarra de barulhos e odores.
Dentro da cerca havia de tudo: moradas de gente, cortes de animais, oficinas
infectas, estrumeiras, sepulturas, o açougue, as enxercas, os curtidoiros, a Sé
mais a sinagoga, a masmorra,a casa da tortura, os excrementos e os lodos
perpétuos. A cidade era uma criatura a tresandar.
É certo que havia um poço. Era
uma fonte de chafurdo, perto do cemitério ou no cemitério mesmo. Homens e
animais convergiam para aí, indiferentes aos mortos, pisando-lhes os ossos se
calhasse.
(...) O século XIII assinalou a
grande arrancada do Porto para fora da Cerca Velha.
Armindo de Sousa, História do Porto, Dir de Luís A. De Oliveira Ramos, Porto, Porto
Editora, 1994
O Porto do séc XIV
Ao oriente, o burgo do bispo, edificado pelo pendor do
monte da sé, vinha morrer nas hortas que cobriam todo o vale onde hoje estão
lançadas a praça de D. Pedro e as ruas das Flores e de S. João e que o
separavam dos mosteiros de S. Domingos e de S. Francisco. Do poente, a povoação
de Miragaia, asssentada ao redor da ermida de S. Pedro, trepava já para o lado
do Olival e vinha entestar pelo norte com o Couto de Cedofeita e pelo oriente
com a vila ou burgo episcopal. A igreja, o município e a monarquia entre esses
limites pelejaram por séculos as suas batalhas de predomínio, até que triunfou
a coroa. Então a linha que dividia as três povoações desapareceu rapidamente
debaixo dos fundamentos dos templos e dos palácios. O Porto constituiu-se a
exemplo da unidade monárquica.
Alexandre Herculano, Lendas e Narrativas, t1, Lisboa, Bertrand/Rio de Janeiro, S. Paulo,
Belo Horizonte, Livraria Francisco Alves, s/d
O Porto do séc XVIII
(...) contemplada dentro dos
muros, imita um quadrilátero irregular de dois mil e seiscentos pés de
comprido, e de mil oitocentos de largo. Firma-se sobre dois grandes e dilatados
monte, que são o da Sé e o da Vitória, ambos imediatos ao Rio Douro. Entre
estes dois montes medeia uma dilatada planície, que se divide em três vales
sobranceiros uns aos outros: o primeiro dilata-se desde o Convento de S. Bento
das Freiras até S. Domingos; o segundo continua por toda a Rua Nova de S.
Nicolau; o terceiro abrange a Ribeira, Fonte Taurina e toda a Reboleira, até a
Porta Nova. Pouca ou nenhuma terra se verá em esta dilatada extensão, que não
esteja povoada e coberta de Edifícios. O prospecto da Cidade, observado da
parte meridional do Rio Douro, é um semelhante a um grande anfiteatro.
Agostinho
Rebelo da Costa, Descrição topográfica e
histórica da cidade do Porto, Porto, Manuel Pereira& Cª, 2ª edição,
1945.
(...) O Porto da Primavera de
1762, gozava-se de ar impregnado de aromas, porque, naquela era, grande número
de ruas que hoje respiram vapores nocivos pelos férreos pulmões de seus
edifícios e fábricas, eram quintas, arvoredos, jardins, ourelas e marginados
verdejantes de límpidos regatos, que os ductos actuais do gás degeneraram em
água tufana dessas dezenas de chafarizes em que tragamos peçonha.
(...) no dia 15 de Maio de 1762.
As bandeiras que tremulavam, brandamente assopradas por olorosas brisas, por
sobre os balcões e rótulos das janelas da rua Chã e Corpo-da-Guarda,
significavam algum grande júbilo nacional, que certamente não era casamento de
rei, nem nascimento de príncipe. (...) que tráfego é este de costureiras que
vão e vêm; de alfaiates azafamados que sobem e descem dos palácios para outros?
Porque está praguejando aquele fidalgo impaciente contra os desgraciosos anéis
da sua cabeleira, enquanto a esposa vocifera contra a modista ignara que lhe
estreitou as anquinhas, deixando-lhe quase molduradas na seda flexível as
magras formas da natureza sovina? (...)
É que, na noite daquele dia,
acendia-se no Porto, pela primeira vez, uma das mais refulgentes lâmpadas do
altar da civilização. (...) abria-se naquela noite o primeiro teatro lírico do
Porto.
Camilo Castelo Branco, A Sereia, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1968
O Porto do séc XIX
Por volta de 1850, o Porto vive
no limiar da euforia fontista dos “melhoramentos materiais”, aposta de todas as
burguesias, esquecidas das rivalidades ideológicas anteriores. O fascínio pelas
novidades da “civilização” é afinal, a mis-en-scéne de uma burguesia vitoriosa
que busca a plena afirmação social das suas “virtudes” e que aposta no
alargamento dos meios de multiplicação da riqueza. O progresso virá mudar a
imagem da cidade, com o vapor e o crescimento fabril, a iluminação a gás, o
macadam e os novos meios de transporte, novas e arejadas ruas que estenderão o
espaço urbano para lá dos acanhados contornos do burgo medieval, e praças e
jardins públicos e privados.
A mudança da iluminação nocturna
dos mortíferos lampiões de “azeite purgueira” pelo gás (...) (1855) [ altera ] a imagem da noite portuense, ainda que, à excepção da praça de D. Pedro e das ruas
comerciais de Santo António e dos Clérigos, cujos comerciantes pagam do seu
bolso o reforço da iluminação, a cidade continue mal iluminada. As primeiras
horas da noite serão ainda, por muito tempo, dominadas pela imagem triste dos
cortejos fúnebres ( os enterros realizam-se, obrigatoriamente, durante as duas
horas depois do anoitecer), alumiados por tochas.
Mas a melhoria do sistema de
iluminação e a adopção de modalidades de trabalho à peça”, em muitos ramos da
indústria, doméstica ou fabril, a par da degradação do salário, convergem para
o prolongamento do trabalho ao serão, quebrando-se a tradicional relação entre
o dia de trabalho e o dia natural. Em contrapartida, entre as camadas da
pequena-burguesia, as novas possibilidades oferecidas pela iluminação nocturna
parece terem desenvolvido a vida social ao serão, quer em família, recebendo-se
os amigos, quer nos cafés ou nos clubes.
Como as grandes cidades da Europa
da época, descontando as diferenças de escala, o Porto oferece a imagem de uma
cidade em obras, poeirenta e desventrada. Em 1850, muitas ruas apresentam-se
com as lajes levantadas. Algumas calçadas serão substituídas pelo macadam.
(...)
Camilo Castelo Branco, num artigo
de fundo publicado no jornal Porto e a Carta advogando a construção da via
férrea do Porto à Régua a certa altura escreve “Hoje sentimos que o pensamento
predominante é o comércio, a fábrica, a agricultura, a estrada-de-ferro, a
brevidade dos transportes, a emulação no mercado em aperfeiçoamento de gêneros,
finalmente as variantes todas que a experiência nos indicou como únicas e
indispensáveis para que as nações floresçam e se emancipem.”
À sua maneira, Camilo louva o
progresso: o “transformismo evolutivo do carroção em carro Ripert” e o
aparecimento sucessivo da diligência, da mala-posta, do char-à-bancs e do
comboio, mesmo se ironicamente, invoca a memória saudosa do velho carro de Manuel
José de Oliveira, “ parado no Largo da Batalha, com lança vermelha atravessada
nas sogas dos ramalhudos bois”, à espera das famílias que saíam do teatro
lírico, ou em viagem pachorrenta até à Foz. Aplaude também as Exposições
agrícolas, como a de 1857 (outras se seguirão em 1858 e 1860), na Torre da
Marca, em que se deixou encantar pelo pavilhão das flores, ou o “programa
civilizador” das Exposições Industriais, como a de 1861, no Palácio da Bolsa,
inaugurado por D. Pedro V.
Em contrapartida, reage mal à
exibição burguesa do progresso. Camilo foi uma voz isolada perante o entusiasmo
praticamente geral com que a cidade acolheu a idéia de Alfredo Allen da
construção do palácio de Cristal. (...)
O Palácio, edifício único no
país, símbolo da revolução industrial, com a sua armação de ferro e vidro
inglês cobrindo um espaço de mais de 4500 metros quadrados, onde cabiam cerca
de dez mil pessoas, construir-se-á à imagem do Crystal Palace londrino. Em
1865, com espanto do país e do Porto, inaugura-se aqui, com pompa régia e
indiscutível êxito, a Exposição Internacional da Indústria, depois das de
Londres, Nova Iorque e Paris.
(...) O que Camilo não perdoa é a
falta de cultura da burguesia portuense, “a ambiçãodo lucro”, “a agiotagem que
condena o povo à fome”. Ao observar os progressos da urbanização, desabafa: “E,
contudo, o Porto caminha topograficamente. Estão-se abrindo ruas novas com
edifícios de custoso lavor. O caranguejo alarga as pernas, e ocupa uma grande
área. A nova fase de civilização é o granito. A cada passo vê-se um homem de
tamancos e chapéu de palha discutindo com um mestre pedreiro, defronte de
grandes alvenarias”.
(...) A cidade apetrecha-se de
novos meios de criação e difusão cultural e as elites portuenses, por gosto ou
diletantismo, investem nas artes e nas letras. Pelo meio do século, o Porto
possuía dois museus – o Ateneu Portuense ou D. Pedro, de pinturas e estampas
criado pelo monarca, aquando do cerco em 1833, e anexo à Academia de belas
Artes, e o Allen, museu particular de Jonh Allen (em 1849, seria adquirido pela
Câmara e transformado em Museu Municipal), com fabulosas colecções de pintura,
conchas, rochas, moedas e raridades naturais ou históricas – a melhor colecção
particular de arte do país , organizada na primeira metade de Oitocentos, no
dizer do estrangeiro Raczynski. E outras havia, nas casas da aristocracia do
port wine, como os Ferreiras, os van Zeller, ou os Forrester.
(...) Num período de crises
profundas no mundo rural (más colheitas, carestia de pão, oídio nas vinhas, nos
anos cinqüenta; filoxera, desde os anos sessenta; etc.) e de aumento das
facilidades de circulação, o Porto vê crescer
a sua capacidade de atracção das populações do hinterland. Não são
apenas as criadas da província, os marçanos de socos e barrete, que abundam,
que abundam nas novelas camilianas, ou os aprendizes de ofício. São ainda os
“desgraçados” que vêm embarcar para o Brasil na cidade “onde o tráfico da
escravatura branca se estabeleceu com todas as circunstâncias dum comércio
livre”, situação denunciada pelas próprias autoridades locais, assustadas
perante o aumento expcional de “colonos” e, sobretudo, de engajadores a frete”
saídos pela barra do Douro, que chegarão, nesse ano de 1856, aos 7 470. São
também os operários da construção civil que vêm dos concelhos limítrofes
trabalhar para a cidade, de Ramalde, de S. Mamede, gente que vem vender e
comprar à cidade nas múltiplas feiras ou nas casas de comércio. E os carreiros
de S. Cosme e outras aldeias dos arraldes que vêm de noite levantar as
“águas-chocas” e os estrumes amontoados, cujo trânsito diurno as posturas
municipais proíbem. E os vinhateiros do Douro, a gente fidalga da província que
vem a banhos à Foz.
Gaspar Martins Pereira, No Porto Romântico com Camilo, Porto, Casa Comum/ O Progresso da Foz e Vila Nova de Famalicão, Casa Museu Branco, 1997de Camilo Castelo
As três regiões do Porto
O bairro central é o portuense
propriamente dito; o oriental, o brasileiro; o ocidental, o inglês.
No primeiro predominam a loja, o
balcão, o escritório, a casa de muitas janelas e extensas varandas, as
crueldades arquitectónicas, a que se sujeitam velhos casarões com o intento de
os modernizar,o saguão, a viela independente das posturas municipais e à
absoluta disposição dos moradores das vizinhanças; a rua estreita, muito
vigiada de polícias; as ruas, em cujas esquinas estacionam galegos armados de
pau e corda e as cadeirinhas com o
clássico; as ruas ameaçadas de procissões, e as mais propensas a lama; aquelas
onde mais se compra e vende; onde mais se trabalha de dia, onde mais se dorme
de noite. (...)
O bairro oriental é
principalmente brasileiro, por mais
procurado pelos capitalistas que recolhem da América. Predominam neste
umas enormes moles graníticas, a que chamam palacetes; o portal largo, as
paredes de azulejo – azul, verde ou amarelo, liso ou de relevo; o telhado de
beiral azul; as varandas azuis e douradas; os jardins cuja planta se descreve
com termos geométricos e se mede a compasso e escala, adornados de estatuetas
de louça, representando as quatro estações; portões de ferro, com o nome do proprietário
e a era da edificação em letras também
douradas; abunda a casa com janelas góticas e portas rectangulares, e a de
janelas rectangulares e portas góticas; algumas com ameias e mirante chinês. As
ruas são mais sujeitas à poeira. Pelas janelas quase sempre algum capitalista
ocioso.
O bairro ocidental é o inglês,
por ser especialmente aí o habitat destes nossos hóspedes. Predomina a casa
pintada de verde-escuro, de roxo-terra, de cor de café, de cinzento, de preto
... até de preto! – Arquitectura despretensiosa, mas elegante; janelas
rectangulares; o peitoril mais usado do que a sacada. – Já uma manifestação de
um viver mais recolhido, mais íntimo, porque o peitoril tem muito menos de
indiscreto do que a varanda. Algumas casas ao fundo de jardins asssombrados de
acácias, tílias e magnólias e cortados de avenidas tortuosas; as portas das
ruas sempre fechadas. Chaminés fumegando quase constantemente. Persiamas e
transparentes de fazerem desesperar curiosidades. Ninguém pelas janelas. Nas
ruas encontra-se com frequência uma inglesa de cachos e um bando de crianças de
cabelos louros e de babeiros brancos.
Júlio Dinis, Uma
Família Inglesa in Obras de Júlio Dinis Vol I, Porto Lello& Irmão, s/d
O Porto capital
O Minho, (...) rico de substância
eclesiástica, falta-lhe carácter e capitalidade política.
Trás-os-Montes, com ser
Trás-os-Montes, prodigiosa reserva de varões aventurosos, é (“Para cá do Marão
mandamos que cá estão”) um reino abstracto cuja soberania assenta na
independência moral.(...)
O Douro, (...) é mais uma
expressão de geografia humanaa que de humanidade regional. Compõe-se de duas
fracções demográficas, uma de Trás-os-Montes, outra da Beira Alta. (...)
Entidade económica, é pobre de fisionomia e consciência social.
Ao Porto coube a eminente função
de suprir aquelas carências e dar capitalidade social e política às três
províncias. Por sua vez, a pujança humana do Minho , a varonilidade de
Trás-os-Montes, a capacidade de criação económica do Douro, fundiram-se e sublimaram-se
e com elas se fez a carne e a alma do Porto.
No Porto, os homens daquelas três
províncias ensaiaram os seus primeiros passos no tráfico marítimo a distância:
e já no século XIV os vinhos de Riba-Douro tinham preferência nos portos do
Atlântico e do Mediterrâneo.
Ali, em luta com as duas
oligarquias feudais, o clero, representado pelos orgulhosos bispos e cabido do
Porto, e a nobreza, os burgueses e os mesteirais organizaram-se como classe e
conquistaram as garantias de liberdde, sem as quais o trabalho se torna servidão
e a vida perde a dignidade.
Ali, um burgo se tornou por tal
forma representativo das actividades económicas mais típicas da nação, que
chegou a assumir as funções e responsabilidade do próprio Estado, na sua
expansão e defesa (...) o primeiro tratado de comércio com a Grã –Bretanha,
assinado em Outubro de 1353, oferece a eloqüente particularidade de se haver
celebrado, não entre os soberanos dos dois países, mas entre Eduardo III, duma
parte, e da outra, Afonso Martins Alho, mercador do Porto. O convénio cita
expressamente como fazendo parte das pessoas e entidades representadas pelo
segundo, além dos mercadores, os marinheiros, os pescadores e as comunidades
marítimas portuguesas.
É no ano seguinte de 1354 que se
decide o prélio gigantesco entre os cidadãos e o bispo do Porto, por sentença
proferida pelos juízes nomeados por D. Afonso IV. Por ela os cidadãos
portuenses entram definitivamente no gozo da sua autonomia e nasce o tipo de
cidadão do Porto, que além de todas as regalias inerentes aos concelhos
perfeitos, adquire alguns dos privilégios da mais alta nobreza.
(...)
É costume chamar-se ao Porto a
capital do Norte. Bem melhor e mais amplamente, o Porto representa na história
de Portugal e até do Brasil colonial, a
metrópole social e cívica, a escola política onde as demais cidades aprendem o
arranque na luta pelas suas liberdades individuais e concelhias. Reinóis ou
brasileiros natos dos primeiros núcleos urbanos do Brasil – Pará, Maranhão,
Baía, Rio de janeiro e São Paulo – reclamam o obtiveram dos monarcas os
privilégios de cidadãos do Porto. E, sabido quanto algumas dessas câmaras, como
as de S. Paulo e do Rio de Janeiro, participaram no movimento de emancipação
brasileira, pode igualmente afirmar-se que a cidadania portuense foi uma das
bases políticas da independência do Brasil.Democracia urbana. Estado dentro do
Estado, o seu zeloso amor às liberdades locais nunca ofuscou o sentido e a
consciência da unidade nacional.
Jaime Cortesão, Portugal,
a Terra e o Homem, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1987
Porto – ponto de passagem
Gosto de um Porto cá muito meu,
de que vou dizer já, e amo-o de um amor platônico, avivado de ano a ano à
passagem para a minha terra natal, quando o menino Jesus acena lá das
urgueiras.
(...)
Em suor, que foi como os meus
avós almocreves mo revelaram, numa caminhada semanal que metia caldo de abóbora
em Valongo e lobos no resto do caminho, ou em semente do nome deste nosso
Portugal, que assim mo explicou o senhor Botelho numa escola onde se aprendiam
coisas que tinham sentido, o meu primeiro Porto é nebuloso e distante.
-
Trinta léguas de rota batida, filho, para ter a
montanha farta de bacalhau, arroz e sabão ... – ouvia eu, com seis anos.
-
Ora como na margem direita do Doiro havia uma povoação
chamada Portucale ... ia explicando o meu mestre.
-
A grande pedra de ara da minha meninice, O Marão,
dividia o mundo em dois. E na metade que se não via ficava esse Porto só
adivinhado, mas donde vinha já, positivo e genuíno, o que ele tinha de seu: a
sólida alimentação do corpo, conquistada a mortificação, e o fermento para
levedar um pão mais alto.
Com os anos,
essa primeira descoberta que dele fiz no cansaço dos meus maiores e nas lições
do meu professor, alargou-se. E um Porto já de carne e osso, complexo como
todas as realidades, entrou na candura dos dez anos. Em Cedofeita, a continuar
a cavadela deixada em meio pelos que me deram à vida, e na Sé, a olhar pasmado
aquelas pedras lavradas, o negativo e opositivo harmonizaram-se na mesma visão
reveladora. O Porto real e maravilhoso era uma soma de trabalho e sonho.
Pelas frestas
do quotidiano, os olhos curiosos de criança iam ao mesmo tempo descobrindo,
abusivamente inserido nessa unidade, o ultraje de uma vida elegante, faustosa,
convencional e fácil. Cruelmente parasita do enxame que moirejava e abstraía,
gente sem coração, desenraizada, possessa do demônio da preguiça e do desprezo,
bebia, sem lhe sentir o gosto, o sumo agridoce do sacrifício e da ilusão dos
outros. Era triste e desanimador. Mas uma verdade maior velava. E pelas ruas a
cabo, dá a pouco, Santo António acima, Sá da Bandeira abaixo, Fernandes Tomás
alem, calma, pacata, de corrente ao peito, a velha urbe retomava a humana
dignidade.
Foi muito
tempo depois, já quando a triste sabedoria dos anos me explicara as coisas pelo
íntimo, que voltei a ver a velha cidade. Regressava eu então de longes terras,
seco dos Cearás da emigração, e punha em todas as lembranças a saudade quente
que nelas deixa uma infância por acabar.
(...) pude
descobrir finalmente o ovo de Colombo. Se todas as terras tinham o seu cartaz
gustativo(...) o Porto tinha dois. Um, grosso, terroso, sujo como a
trivialidade da natureza – as tripas; outro, subtil, etéreo, imponderável como
a própria magia – o vinho fino. Um para a exigência das nossas pancadas
lusitanas; outro para a sede sem fim da secura universal.
Miguel Torga, Portugal, 3ª ed. Coimbra, 1967.
PORTO – EVOLUÇÃO DO TERRITÓRIO E DAS GENTES
|
SÉC. VI – CASTRUM Þ CIVITAS
SÉC XII - CIDADE – morro da Sé ( área amuralhada c. 4 hectares)
SÉ SÉC XIV
- morro da Sé; espaço envolvente ao
Mosteiro de S. Domingos e de S
Francisco; povoação de Miragaia
SÉC XVII – também o espaço rural de Sto Ildefonso e o Couto de Cedofeita a poente; a norte o Campo de Sto Ovídio e o
Couto de Paranhos; nascente Campanha.
SÉC XVIII
– 1757 – Cedofeita e Massarelos termo da cidade.
SÉC XIX – 1836 – lugares de Campanhã, Lordelo do Ouro e S. João da Foz –
termo 1837 – anexada Paranhos. 1895 –
Ramalde e Aldoar. A área do Porto é limitada pela estrada da circunvalação (
áreas de Paranhos e Campanhã passam para Bouças e Gondomar) 1898 – Asprela
e Azevedo integram-se no Porto
|
SÉC. XX – ALARGAMENTO DO AGLOMERADO URBANO
1913 – fusão das gerências
portuárias do Douro e de Leixões. Este torna-se o verdadeiro porto da cidade.
1920 – cessação da portagem na ponte D. Luís.
1926 – criação do “Entreposto único e privativo em Gaia
1933 – criação do Instituto do
Vinho do Porto - institucionalizam a
interdependência vinícola das duas margens.
1943 – cessação da barreira fiscal da Circunvalação
1963 – Inauguração da ponte da Arrábida e do 1º troço de auto-estrada Anos 90 – Abertura progressiva da via de cintura interna
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TAXA DE URBANIZAÇÃO 1911 - 17% 1981 - 55% |
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RITMO CONCENTRAÇÃO URBANA 19OO -
13% 1940 –
17% 1981 –
23% 1991 –
23,5% |
POPULAÇÃO
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Data |
Porto |
6
concelhos |
Coimbra |
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1911 |
200
000 hab |
400
000 hab. |
<
25 000 |
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1981 |
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962
000 hab. |
74 000 |
EMIGRAÇÃO
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Data |
Brasil |
França |
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1912 |
90 000
|
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1962-1973 |
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>
100 000 |
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AS FREGUESIAS E A CIDADE
îCENTRO
ANTIGO - Miragaia – S. Nicolau – Sé – Vitória. îCENTRO
MODERNO –
Bonfim – Cedofeita – Santo Ildefonso. îCENTRO
PERICENTRAL –
Massarelos – Paranhos. îPERIFERIA – Aldoar – Campanha – Foz
– Lordelo – Nevogilde – Ramalde.
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PESO DE CADA CENTRO NA POPULAÇÃO MUNICIPAL
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Centro Data |
1900 |
1991 |
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Centro Antigo |
21% |
6% |
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Centro
Moderno |
47% |
27% |
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Centro
Pericentral |
13% |
20% |
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Periferia |
21% |
47% |
PESO RELATIVO DO CONCELHO DO PORTO EM RELAÇÃO AOS OUTROS SEIS.
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DATA |
PESO
% |
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1900 |
50 |
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1930 |
48 |
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1960 |
42 |
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1991 |
30 |
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ALARGAMENTO DA AGLOMERAÇÃO METROPOLITANA 1. Fins séc XIX – acompanhou o caminho de ferro –
incidência Póvoa, Trofa, Valongo, Espinho (c. 1/2h e.c.). Conquista
urbana periférica justifica criação da ASSOCIAÇÃO DOS MUNICÍPIOS DO GRANDE
PORTO – da Póvoa a Espinho. Urbe
central c. 1/4 da população deste conjunto.
2. 1960-70 – acompanhou a generalização do automóvel
– incurtamento de distâncias – liberdade de escolha de residência – migrações
pendulares. Área
incerta – estende-se progressivamente. Anos 80
– até Ave, ao Sousa, a S. João da Madeira e Ovar. Urbe
central c. 20% da população deste conjunto metropolizado
3. 1980-90 – Progressão das auto-estradas e vias
rápidas para sul e norte alarga a área diariamente polarizada pela metrópole.
– Aveiro – Braga. Aumenta
o tempo considerável suportável para
chegar ao centro. |
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CRISE DA CIDADE MODERNA
(falta de espaço, preocupação ambiental ¢
Desindustrialização; terciarização e reforço crescente e alargado da
cidade periférica – demográfico, económico, social e político)
O
centro espaço gestor e decisional
Sistema
urbano multipolar - desenvolvimento de espaços funcionais da cidade – em
concelhos vizinhos. Ex.
Indústria conserveira – Matosinhos – 1º quartel do séc. Aeroporto
– Pedras Rubras - 1942 Refinaria
– Leça da Palmeira – 1969 Terminal
TIR – anos 80 Alargamento
progressivo da Zona Industrial da Maia Transferência
da Alfândega Abertura
da Exponor Hipermercados
Desdobramento
do centro – pólo alternativo da Boavista. |
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A EMERGENTE CIDADE PÓS MODERNA
O Centro Histórico - A
Baixa As novas centralidades (
da Boavista ao eixo Gaia Shopping- Carrefour- Arrábida Shopping – Península –
Cidade do Porto – Norte Shopping. |
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A CRISE DA CIDADE
CONSOLIDADA Policentralidade ou inversão das centralidades.
-
Centro ( Cidade – centro) de
acesso difícil, face ao crescente uso do avião e do automóvel. -
Várias periferias (cidades periféricas)ou novos centros de acesso
fácil. -
Tendência à especialização e à dispersão.
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ÁREA METROPOLITANA DO PORTO
ORDENAMENTO
: plano regional e metropolitano. INFRAESTRUTURAS:
prioridade ambiental. HABITAÇÃO:
aproveitamento do existente, coesão social. ECONOMIA:
ordenamento industrial e comercial. TRANSPORTES:
Metro e política multimodal. ADMINISTRAÇÃO:
Participação pública, coordenação.
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CIDADE (S) E AMP
-
CENTRO
HISTÓRICO e
BAIXA recuperação e reconversão de
edifícios sítios que marcaram a vida
colectiva (m. Ferreira Borges e
Bolhão, Cadeia da Relação, Alfândega, Praça de Lisboa. Peonização do
centro
-
CENTRO E PERIFERIA (Porto e o Grande Porto, Vila do Conde, Póvoa e
Espinho, Santo Tirso, Trofa, Paredes)
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CIDADE (S) E AMP
CONTINUIDADES
E CONFLITOS :
îCENTRO HISTÓRICO vivo e
qualificado
îBAIXA sobrevive com dificuldade
îCENTRO E PERIFERIA (Porto e o Grande Porto,
Vila do Conde, Póvoa e Espinho, Santo Tirso, Trofa, Paredes îRIO DOURO – união e separação îOESTE E ESTE
– desigualdade
dequipamentos e pessoas . îA AMP. E O
NORTE DO PAÍS,
na Europa e no Mundo.
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CIDADE(S) E AMP
PROBLEMAS :
îDUPLO DESPERDÍCIO
-îABANDONO DO CONSOLIDADO ( o devoluto) e a especulação periférica (o por vender)
îDUPLA DESQUALIFICAÇÃO
-î DECADÊNCIA E DEGRADAÇÃO DO CENTRO -î SUBURBANIZAÇÃO DAS PERIFERIAS -î O CONSOLIDADO URBANO COMO CENÁRIO : o
vazio visitável – cidade dos turistas.
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CIDADE CONSOLIDADA
HIPÓTESE DE RESOLUÇÃO DOS
PROBLEMAS :
îREVALORIZAÇÃO
DA CIDADE CONSOLIDADA
-îNECESSIDADE DE INTERVENÇÃO -îIMPORTÂNCIA DE PRIVILIGIAR
O CENTRO -îURGÊNCIA DA INTERVENÇÃO -îNECESSIDADE DE UMA
INTERVENÇÃO CONTINUADA
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INTERVENÇÃO NA CIDADE CONSOLIDADA
CONSERVAÇÃO E
RESTAURO – entre
a busca da cidade perdida num contexto que não se reproduz e a
homogeneização.
Objectivos:
1. Combater a
cidade morta
Criar novos espaços, dar
ocupação ao edificado, renovando a residência (elevador-garagem) Criar animação
(acontecimentos, pessoas) Adequar a cidade à
diversificação das práticas no seu uso.
2. Qualificar
Melhorar a imagem: limpeza
e segurança. Apoiar os estabelecimentos
económicos.
3. Facilitar o
acesso
Circulação a pé Circulação automóvel e
estacionamentos Transporte colectivo |
ERA DO PLANEAMENTO
SÉC. XIX – Abertura de ruas, praças, construção de pontes, mercados fixos. A
burguesia toma a iniciativa da construção dos bairros operários (1899-1903) SÉC. XX – Os próprios interessados criam cooperativas de construção. 1914
– Cooperativa dos Pedreiros Portuenses; 1926 – “O Problema da Habitação”
1914 – Projecto de remodelação do Centro da cidade – Elísio de Melo. ( abertura da Avenida dos Aliados)
1932 – Plano da cidade do Porto de Ezequiel de Campos – tenta uma
planificação coordenada à dimensão regional.
1933 – Programa de “casas
económicas” em obediência à filosofia individualizante do Estado Novo:
Bairros horizontais Ilhéu; Condominhas, Amial; Paranhos.
1938 – Arquitectectos Italianos seguindo directriz governamental elaboram
o plano do Centro à maneira monumental mussoliniana. Regam a habitação para
bairroas periféricos. Não foram postos em prática.
1946 – Projecto de Anteplano Regional do Porto de Antão de Almeida
Garrett que alia a lógica pluriconcelhia e a coerência espacial assente na
multiplicação de núcleos de vizinhança. ( habitação; serviços; comércio e
empregos).
1954 – Plano Regulador da cidade – tem como base também a coerência
espacial.
1956 – A lógica anterior é esquecida. Vigora a inspiração utaliana. O
Plano de salubrização das ilhas” para fazer face às urgências acumuladas
decide construir bairros colectivos na zona pericentral entre Lordelo e
Campanha. O 1º, o do Viso tem quatro pisos. Multiplicam-se nos 20 anos
seguintes ao sabor das disponibilidades financeiras. O sector privado retoma
a iniciativa.
1962 – Plano Director de Robert Auzelle – síntese dos anteriores. É o 1º a
orientar o crescimento urbano tendo em linha de conta os limites municipais e
o surto do trânsito. Foi
contestado – priorizava a modernidade à qualidade de vida -previa a demolição
do Barredo-o que vai dar origem ao 1º estudo de recuperação da parte antiga
da cidade ( orientado por Fernando Távora- 1969) 1974 - CRUARB para o
operacionalizar.
1978 – Reformulação do Plano Auzelle dada a rapidez de transformação
urbana.
1986 – Planificação é obrigação legal para todos os concelhos. |
SÉC XX NORTENHO – ELEMENTOS FULCRAIS
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¨
Crescimento acelerado da conurbação portuense. ¨
Entrada progressiva do seu hinterland na vida de relações ¨
Persistente modéstia dos outros pólos
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q
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CONCENTRAÇÃO
Negócio
; Cultura; Finança;Administração; Saúde; Educação;Imprensa
|
q
Três fases:
Preeminência
– 1º quartel do séc. Afirmou a primazia exercida pelo Porto na região
Exclusividade
- A partir do 2º quartel do
séc. o Porto elimina os possíveis concorrentes locais.
Hierarquização
– a partir da ruptura, dos anos 70, organiza-se uma delegação de poderes e
reanima-se pólos secundários, complementares e dependentes.
1. O Porto é por vezes um simples escalão intermédio entre a
região e pólos superiores externos, nem todos nacionais. Ex: Banca
2. Desenvolvem-se no Porto:
Sedes de grupos
económicos
Inovações
técnicas
Infra-estruturas dispendiosas
Serviços mais
requintados
Ex: Aeroporto – Instituto de Oncologia
3. Agravamento da atracção centrípeta - Serviços básicos e
de urgência são desenvolvidos no Porto – depois de 1974
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