segunda-feira, 13 de março de 2017

História da Cidade do Porto

 

CURSO – MEMÓRIAS DO TRABALHO  - A PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA E DA HISTÓRIA ORAL

 

 

HISTÓRIA DA CIDADE DO PORTO

Fátima Gomes

 

 

 

  1. PORTO – EVOLUÇÃO DO TERRITÓRIO – AS GENTES

Do burgo primitivo à AMP – interdependências e dinamismos

 

3 horas

 

 2. PORTO – REESTRUTURAÇÃO DO TERRITÓRIO:

Da cidade planeada à cidade construída

Desindustrialização e terciarização do centro urbano

 

 

3 horas

 

3. Evolução da actividade económica:

Agricultura; Indústria e Comércio

 

3 horas

 

4. EVOLUÇÃO DO TECIDO SOCIAL 

Os grupos sociais

 

       3 horas

 

 

5. FORMAS DE REPRESENTAÇÃO E INTEGRAÇÃO SOCIAL:

 

A vida e a morte

O associativismo

A conviviabilidade

A acção

As devoções

 

6 horas

 

6.   REFLEXÃO FINAL – PROBLEMAS – SOLUÇÕES?

            Porto e a requalificação do território

            O papel do Porto hoje

O Porto e a Região Norte

 

2 horas

 

 

 

O Porto primitivo

 

Quem há oitocentos anos viesse pelo Douro partindo de Gaia deparava sem dúvida com um rude espectáculo. O Porto era um muro fosco e diminuto, lá no alto, em torno da Pena Ventosa. A cidade era o Morro da Sé.

 

(...) os cruzados ingleses em 1147 quando chegaram à Ribeira e daí, a convite do bispo D. Pedro Pitões, escalaram o monte para ouvir missa e sermão junto à Sé , antes de partirem à conquista de Lisboa, a ideia que levaram foi a de um Porto-cidade-mínima, a iniciar seu percurso, catedral-ermida, nada de interesse. “Humilde lugarejo”, confessara o bispo. O Portucale do séc VI, que de castrum virara civitas, havia recuado na história. Com a vinda de D. Hugo em 1114 retomou a esperança e viu surgir “uma nova fase de relativa uniformidade quanto ao ritmo de expansão e desenvolvimento”.

 

Descrição do Porto desta época

 

Iniciando a visita pela Porta de Sant´Ana, já que vimos a pé da Ribeira, transpomos o famoso arco e flectimos à direita. Rapidamente estamos debruçados sobre a ladeira onde mais tarde irá surgir a Rua dos Mercadores e ouvimos lá em baixo, entre carvalhos e silvados o cachoar do rio da Vila, prestes a entrar no Douro. Damos-nos conta de que a altura da muralha mete respeito. (É o sítio do paredão que sustenta hoje a igreja dos Grilos e os edifícios do Seminário Maior do Porto).

Prosseguindo, caminhamos agora sobre o muro, para sul, coisa de 125 metros. À direita, lá no fundo, onde haverá de ser a Bolsa, S. Francisco, o casario de S. Nicolau e a Alfândega Velha , não há nada para ver além de alguns casebres entre hortejos, uma capela e chavascais. O rio, imenso, circundante, espelha os bosques dalém, da Terra de Santa Maria; Vila Nova não se enxerga; o Candal é arvoredo. E chegamos ao fim do miradoiro. Aí cotovelo da muralha, mostra-se-nos de repente a Ribeira e o Barredo – que não passam de um regato a entrar no Douro, algumas casitas de pescadores e um barrocal inóspito. Entretanto, o Douro estreita-se. E do lado de lá é Gaia, minúscula, na falda oeste da Serra do Pilar. A estrada de Coimbra, por onde reis e personalidades geralmente chegarão ao Porto, acaba aí, serpenteando desde Coimbrões ou Mafamude.

Continuando a visita, vamos agora subir. Uns 60 metros, em esse, até à Porta da Mentira, depois Porta da verdade, onde hoje se contorcem as Escadas das Virtudes. Daqui, descrevendo um arco de circunferência no sentido oposto ao dos ponteiros do relógio, acharemos outra porta, a de Nossa Senhora de Vandoma, caminho para o sertão. Estamos em frente da actual Rua Saraiva de Carvalho, precisamente aí onde a Avenida da Ponte atinge a cota mais elevada. À direita fica-nos a Cividade, povoado remotíssimo, velho castro, que essa avenida, passados oitocentos anos, definitivamente esventrou. Entre a Cividade e onde estamos começa a desenhar-se o vale que vai ter lá abaixo, ao rio da Vila, negrume de castanheiros e carvalhais. Não tarda muito que este vale se povoe: será a Rua Escura e a do Souto, aonde virá topar a da Bainharia, contínua da dos Mercadores. Por estas ruas há-de subir e descer desde a Ribeira até à Sé, e vice-versa, o Porto fluvial e marítimo. (...)

Mais umas dezenas de metros, desta feita para poente, alcançamos a última porta, a de S. Sebastião. Ao pé dela, adossado ao muro, irá construir-se no século XV o paço municipal. Das quatro portas da “velha cerca” foi esta, dedicada a S. Sebastião quando o pesadelo das pestes o impôs, a que provavelmente mais serventias prestou e mais personalidades viu. Porque ficava no topo do percurso mais cómodo para quem subisse desde o Douro até ao paço dos bispos, senhores da urbe. Isto até 1406 pelo menos, ano em que os senhores passarão  a ser os reis.

Desde a Porta de S. Sebastião em diante, na direcção de oeste-sudoeste, o pano da muralha prossegue, abrupto, paralelo à estrada que virá a ser a Rua da Bainharia, até à Porta de Sant´Ana – de onde partimos. Do cimo deste lanço, olhando para noroeste, vemos um monte importante. É o Monte do Olival. Um espaço óbvio para a futura expansão da cidade. Desde o sopé até ao cume, pelos tempos fora, aí se plantarão casas, abrir-se-ão ruas e calçadas, erguer-se-ão mosteiros e igrejas e torres – a dos Clérigos, por exemplo, nosso ex-libris; construir-se-á uma sinagoga. Será o Monte da Vitória. Agora, porém, séc.XII, é sítio praticamente deserto.

Percorremos no circuito à volta de 750 metros. Tal era, em meados do século XII, o perímetro do Porto. A área amuralhada não atingia os quatro hectares. Cidade minúscula.

 

(...) o povoamento do sítio onzenista do porto, o da Pena Ventosa, é anterior à época (...) dos castros. Recentes escavações arqueológicas no local onde existiu a Porta da Vandoma e o paço municipal provam-no suficientemente.

E não estranharíamos que a muralha há pouco visitada, dita sueva, tivesse sido erguida, no todo ou na maior parte, sobre fundações abertas por esses remotos castrejos. É que ela, fundada e construída e reformada, foi obra de muitas datas. Do século XII, inclusivamente.

 

( ... )  recinto compreendido no muro que percorremos – cerca velha e muro velho se chamou  quatro ou cinco séculos fora – perdeu o nome de Cidade e designou-se por Castelo. Isso foi sucedendo ao passo que o Porto crescia, dispersando-se pelos arredores. Quer dizer, o que no século XII era a cidade inteira com o tempo virou acrópole. A menos que o castelo haja sido um reduto forte, cubelo, ou torre, identificado e bem sabido, nesse primordial espaço. (... ) De qualquer maneira, todas as vezes que se refere o castelo é sempre possível e geralmente recomendável interpretar a expressão como referindo a cerca velha, ou seja, o recinto inteiro. O alcaide do bispo e após 1406 o do rei disporão, para si e seus homens e os presos, de torre ou torres – edifícios-fortes que tanto puderam ser cubelos da muralha como casas ameiadas erguidas sob licença especial. (...) nos começos do século XII havia dentro dos muros uma ermida – catedral, um cemitério e, obviamente, casas. (...) Ignoramos completamente a figura urbanística desse Porto primitivo. Plantas, alçados, tudo. Nem sequer podemos garantir com rigor a natureza dos materiais mais usados nas construções. A pedra decerto – que tal sugere a tradição vinda dos castros. Mas a madeira também. E o colmo a par da telha, conforme se pode inferir do nome dado a uma rua, a dos Palhais. De resto, foi de madeira o primeiro paço municipal, uma rudimentar construção encostada à parede norte da Sé românica, essa que substituiu a ermida visigótica.

(... )

Homens e bichos, vivos e mortos, partilharam o recinto, que vimos estreito, numa algazarra de barulhos e odores. Dentro da cerca havia de tudo: moradas de gente, cortes de animais, oficinas infectas, estrumeiras, sepulturas, o açougue, as enxercas, os curtidoiros, a Sé mais a sinagoga, a masmorra,a casa da tortura, os excrementos e os lodos perpétuos. A cidade era uma criatura a tresandar.

É certo que havia um poço. Era uma fonte de chafurdo, perto do cemitério ou no cemitério mesmo. Homens e animais convergiam para aí, indiferentes aos mortos, pisando-lhes os ossos se calhasse.

 

(...) O século XIII assinalou a grande arrancada do Porto para fora da Cerca Velha.

 

Armindo de Sousa, História do Porto, Dir de Luís A. De Oliveira Ramos, Porto, Porto Editora, 1994


O Porto do séc XIV

 

Ao oriente, o burgo do bispo, edificado pelo pendor do monte da sé, vinha morrer nas hortas que cobriam todo o vale onde hoje estão lançadas a praça de D. Pedro e as ruas das Flores e de S. João e que o separavam dos mosteiros de S. Domingos e de S. Francisco. Do poente, a povoação de Miragaia, asssentada ao redor da ermida de S. Pedro, trepava já para o lado do Olival e vinha entestar pelo norte com o Couto de Cedofeita e pelo oriente com a vila ou burgo episcopal. A igreja, o município e a monarquia entre esses limites pelejaram por séculos as suas batalhas de predomínio, até que triunfou a coroa. Então a linha que dividia as três povoações desapareceu rapidamente debaixo dos fundamentos dos templos e dos palácios. O Porto constituiu-se a exemplo da unidade monárquica.

 

Alexandre Herculano, Lendas e Narrativas, t1, Lisboa, Bertrand/Rio de Janeiro, S. Paulo, Belo Horizonte, Livraria Francisco Alves, s/d

 

O Porto do séc XVIII

 

(...) contemplada dentro dos  muros, imita um quadrilátero irregular de dois mil e seiscentos pés de comprido, e de mil oitocentos de largo. Firma-se sobre dois grandes e dilatados monte, que são o da Sé e o da Vitória, ambos imediatos ao Rio Douro. Entre estes dois montes medeia uma dilatada planície, que se divide em três vales sobranceiros uns aos outros: o primeiro dilata-se desde o Convento de S. Bento das Freiras até S. Domingos; o segundo continua por toda a Rua Nova de S. Nicolau; o terceiro abrange a Ribeira, Fonte Taurina e toda a Reboleira, até a Porta Nova. Pouca ou nenhuma terra se verá em esta dilatada extensão, que não esteja povoada e coberta de Edifícios. O prospecto da Cidade, observado da parte meridional do Rio Douro, é um semelhante a um grande anfiteatro.

 

Agostinho Rebelo da Costa, Descrição topográfica e histórica da cidade do Porto, Porto, Manuel Pereira& Cª, 2ª edição, 1945.

 

 

(...) O Porto da Primavera de 1762, gozava-se de ar impregnado de aromas, porque, naquela era, grande número de ruas que hoje respiram vapores nocivos pelos férreos pulmões de seus edifícios e fábricas, eram quintas, arvoredos, jardins, ourelas e marginados verdejantes de límpidos regatos, que os ductos actuais do gás degeneraram em água tufana dessas dezenas de chafarizes em que tragamos peçonha.

(...) no dia 15 de Maio de 1762. As bandeiras que tremulavam, brandamente assopradas por olorosas brisas, por sobre os balcões e rótulos das janelas da rua Chã e Corpo-da-Guarda, significavam algum grande júbilo nacional, que certamente não era casamento de rei, nem nascimento de príncipe. (...) que tráfego é este de costureiras que vão e vêm; de alfaiates azafamados que sobem e descem dos palácios para outros? Porque está praguejando aquele fidalgo impaciente contra os desgraciosos anéis da sua cabeleira, enquanto a esposa vocifera contra a modista ignara que lhe estreitou as anquinhas, deixando-lhe quase molduradas na seda flexível as magras formas da natureza sovina? (...)

É que, na noite daquele dia, acendia-se no Porto, pela primeira vez, uma das mais refulgentes lâmpadas do altar da civilização. (...) abria-se naquela noite o primeiro teatro lírico do Porto.

 

Camilo Castelo Branco, A Sereia, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1968

 

 

O Porto do séc XIX

 

Por volta de 1850, o Porto vive no limiar da euforia fontista dos “melhoramentos materiais”, aposta de todas as burguesias, esquecidas das rivalidades ideológicas anteriores. O fascínio pelas novidades da “civilização” é afinal, a mis-en-scéne de uma burguesia vitoriosa que busca a plena afirmação social das suas “virtudes” e que aposta no alargamento dos meios de multiplicação da riqueza. O progresso virá mudar a imagem da cidade, com o vapor e o crescimento fabril, a iluminação a gás, o macadam e os novos meios de transporte, novas e arejadas ruas que estenderão o espaço urbano para lá dos acanhados contornos do burgo medieval, e praças e jardins públicos e privados.

A mudança da iluminação nocturna dos mortíferos lampiões de “azeite purgueira” pelo gás (...)  (1855) [ altera ] a imagem  da noite portuense, ainda que,  à excepção da praça de D. Pedro e das ruas comerciais de Santo António e dos Clérigos, cujos comerciantes pagam do seu bolso o reforço da iluminação, a cidade continue mal iluminada. As primeiras horas da noite serão ainda, por muito tempo, dominadas pela imagem triste dos cortejos fúnebres ( os enterros realizam-se, obrigatoriamente, durante as duas horas depois do anoitecer), alumiados por tochas.

Mas a melhoria do sistema de iluminação e a adopção de modalidades de trabalho à peça”, em muitos ramos da indústria, doméstica ou fabril, a par da degradação do salário, convergem para o prolongamento do trabalho ao serão, quebrando-se a tradicional relação entre o dia de trabalho e o dia natural. Em contrapartida, entre as camadas da pequena-burguesia, as novas possibilidades oferecidas pela iluminação nocturna parece terem desenvolvido a vida social ao serão, quer em família, recebendo-se os amigos, quer nos cafés ou nos clubes.

Como as grandes cidades da Europa da época, descontando as diferenças de escala, o Porto oferece a imagem de uma cidade em obras, poeirenta e desventrada. Em 1850, muitas ruas apresentam-se com as lajes levantadas. Algumas calçadas serão substituídas pelo macadam. (...)

Camilo Castelo Branco, num artigo de fundo publicado no jornal Porto e a Carta advogando a construção da via férrea do Porto à Régua a certa altura escreve “Hoje sentimos que o pensamento predominante é o comércio, a fábrica, a agricultura, a estrada-de-ferro, a brevidade dos transportes, a emulação no mercado em aperfeiçoamento de gêneros, finalmente as variantes todas que a experiência nos indicou como únicas e indispensáveis para que as nações floresçam e se emancipem.”

À sua maneira, Camilo louva o progresso: o “transformismo evolutivo do carroção em carro Ripert” e o aparecimento sucessivo da diligência, da mala-posta, do char-à-bancs e do comboio, mesmo se ironicamente, invoca a memória saudosa do velho carro de Manuel José de Oliveira, “ parado no Largo da Batalha, com lança vermelha atravessada nas sogas dos ramalhudos bois”, à espera das famílias que saíam do teatro lírico, ou em viagem pachorrenta até à Foz. Aplaude também as Exposições agrícolas, como a de 1857 (outras se seguirão em 1858 e 1860), na Torre da Marca, em que se deixou encantar pelo pavilhão das flores, ou o “programa civilizador” das Exposições Industriais, como a de 1861, no Palácio da Bolsa, inaugurado por D. Pedro V.

Em contrapartida, reage mal à exibição burguesa do progresso. Camilo foi uma voz isolada perante o entusiasmo praticamente geral com que a cidade acolheu a idéia de Alfredo Allen da construção do palácio de Cristal. (...)

O Palácio, edifício único no país, símbolo da revolução industrial, com a sua armação de ferro e vidro inglês cobrindo um espaço de mais de 4500 metros quadrados, onde cabiam cerca de dez mil pessoas, construir-se-á à imagem do Crystal Palace londrino. Em 1865, com espanto do país e do Porto, inaugura-se aqui, com pompa régia e indiscutível êxito, a Exposição Internacional da Indústria, depois das de Londres, Nova Iorque e Paris.

 

(...) O que Camilo não perdoa é a falta de cultura da burguesia portuense, “a ambiçãodo lucro”, “a agiotagem que condena o povo à fome”. Ao observar os progressos da urbanização, desabafa: “E, contudo, o Porto caminha topograficamente. Estão-se abrindo ruas novas com edifícios de custoso lavor. O caranguejo alarga as pernas, e ocupa uma grande área. A nova fase de civilização é o granito. A cada passo vê-se um homem de tamancos e chapéu de palha discutindo com um mestre pedreiro, defronte de grandes alvenarias”.

 

(...) A cidade apetrecha-se de novos meios de criação e difusão cultural e as elites portuenses, por gosto ou diletantismo, investem nas artes e nas letras. Pelo meio do século, o Porto possuía dois museus – o Ateneu Portuense ou D. Pedro, de pinturas e estampas criado pelo monarca, aquando do cerco em 1833, e anexo à Academia de belas Artes, e o Allen, museu particular de Jonh Allen (em 1849, seria adquirido pela Câmara e transformado em Museu Municipal), com fabulosas colecções de pintura, conchas, rochas, moedas e raridades naturais ou históricas – a melhor colecção particular de arte do país , organizada na primeira metade de Oitocentos, no dizer do estrangeiro Raczynski. E outras havia, nas casas da aristocracia do port wine, como os Ferreiras, os van Zeller, ou os Forrester.

 

(...) Num período de crises profundas no mundo rural (más colheitas, carestia de pão, oídio nas vinhas, nos anos cinqüenta; filoxera, desde os anos sessenta; etc.) e de aumento das facilidades de circulação, o Porto vê crescer  a sua capacidade de atracção das populações do hinterland. Não são apenas as criadas da província, os marçanos de socos e barrete, que abundam, que abundam nas novelas camilianas, ou os aprendizes de ofício. São ainda os “desgraçados” que vêm embarcar para o Brasil na cidade “onde o tráfico da escravatura branca se estabeleceu com todas as circunstâncias dum comércio livre”, situação denunciada pelas próprias autoridades locais, assustadas perante o aumento expcional de “colonos” e, sobretudo, de engajadores a frete” saídos pela barra do Douro, que chegarão, nesse ano de 1856, aos 7 470. São também os operários da construção civil que vêm dos concelhos limítrofes trabalhar para a cidade, de Ramalde, de S. Mamede, gente que vem vender e comprar à cidade nas múltiplas feiras ou nas casas de comércio. E os carreiros de S. Cosme e outras aldeias dos arraldes que vêm de noite levantar as “águas-chocas” e os estrumes amontoados, cujo trânsito diurno as posturas municipais proíbem. E os vinhateiros do Douro, a gente fidalga da província que vem a banhos à Foz.

 

Gaspar Martins Pereira, No Porto Romântico com Camilo, Porto, Casa Comum/ O Progresso da Foz e Vila Nova de Famalicão, Casa Museu Branco, 1997de Camilo Castelo


As três regiões do Porto

 

O bairro central é o portuense propriamente dito; o oriental, o brasileiro; o ocidental, o inglês.

No primeiro predominam a loja, o balcão, o escritório, a casa de muitas janelas e extensas varandas, as crueldades arquitectónicas, a que se sujeitam velhos casarões com o intento de os modernizar,o saguão, a viela independente das posturas municipais e à absoluta disposição dos moradores das vizinhanças; a rua estreita, muito vigiada de polícias; as ruas, em cujas esquinas estacionam galegos armados de pau e corda e as cadeirinhas com  o clássico; as ruas ameaçadas de procissões, e as mais propensas a lama; aquelas onde mais se compra e vende; onde mais se trabalha de dia, onde mais se dorme de noite.  (...)

O bairro oriental é principalmente brasileiro, por mais  procurado pelos capitalistas que recolhem da América. Predominam neste umas enormes moles graníticas, a que chamam palacetes; o portal largo, as paredes de azulejo – azul, verde ou amarelo, liso ou de relevo; o telhado de beiral azul; as varandas azuis e douradas; os jardins cuja planta se descreve com termos geométricos e se mede a compasso e escala, adornados de estatuetas de louça, representando as quatro estações; portões de ferro, com o nome do proprietário e a era da edificação em letras  também douradas; abunda a casa com janelas góticas e portas rectangulares, e a de janelas rectangulares e portas góticas; algumas com ameias e mirante chinês. As ruas são mais sujeitas à poeira. Pelas janelas quase sempre algum capitalista ocioso.

O bairro ocidental é o inglês, por ser especialmente aí o habitat destes nossos hóspedes. Predomina a casa pintada de verde-escuro, de roxo-terra, de cor de café, de cinzento, de preto ... até de preto! – Arquitectura despretensiosa, mas elegante; janelas rectangulares; o peitoril mais usado do que a sacada. – Já uma manifestação de um viver mais recolhido, mais íntimo, porque o peitoril tem muito menos de indiscreto do que a varanda. Algumas casas ao fundo de jardins asssombrados de acácias, tílias e magnólias e cortados de avenidas tortuosas; as portas das ruas sempre fechadas. Chaminés fumegando quase constantemente. Persiamas e transparentes de fazerem desesperar curiosidades. Ninguém pelas janelas. Nas ruas encontra-se com frequência uma inglesa de cachos e um bando de crianças de cabelos louros e de babeiros brancos.

 

Júlio Dinis, Uma Família Inglesa in Obras de Júlio Dinis Vol I, Porto Lello& Irmão, s/d

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Porto capital

 

O Minho, (...) rico de substância eclesiástica, falta-lhe carácter e capitalidade política.

Trás-os-Montes, com ser Trás-os-Montes, prodigiosa reserva de varões aventurosos, é (“Para cá do Marão mandamos que cá estão”) um reino abstracto cuja soberania assenta na independência moral.(...)

O Douro, (...) é mais uma expressão de geografia humanaa que de humanidade regional. Compõe-se de duas fracções demográficas, uma de Trás-os-Montes, outra da Beira Alta. (...) Entidade económica, é pobre de fisionomia e consciência social.

Ao Porto coube a eminente função de suprir aquelas carências e dar capitalidade social e política às três províncias. Por sua vez, a pujança humana do Minho , a varonilidade de Trás-os-Montes, a capacidade de criação económica do Douro, fundiram-se e sublimaram-se e com elas se fez a carne e a alma do Porto.

No Porto, os homens daquelas três províncias ensaiaram os seus primeiros passos no tráfico marítimo a distância: e já no século XIV os vinhos de Riba-Douro tinham preferência nos portos do Atlântico e do Mediterrâneo.

Ali, em luta com as duas oligarquias feudais, o clero, representado pelos orgulhosos bispos e cabido do Porto, e a nobreza, os burgueses e os mesteirais organizaram-se como classe e conquistaram as garantias de liberdde, sem as quais o trabalho se torna servidão e a vida perde a dignidade.

Ali, um burgo se tornou por tal forma representativo das actividades económicas mais típicas da nação, que chegou a assumir as funções e responsabilidade do próprio Estado, na sua expansão e defesa (...) o primeiro tratado de comércio com a Grã –Bretanha, assinado em Outubro de 1353, oferece a eloqüente particularidade de se haver celebrado, não entre os soberanos dos dois países, mas entre Eduardo III, duma parte, e da outra, Afonso Martins Alho, mercador do Porto. O convénio cita expressamente como fazendo parte das pessoas e entidades representadas pelo segundo, além dos mercadores, os marinheiros, os pescadores e as comunidades marítimas portuguesas.

É no ano seguinte de 1354 que se decide o prélio gigantesco entre os cidadãos e o bispo do Porto, por sentença proferida pelos juízes nomeados por D. Afonso IV. Por ela os cidadãos portuenses entram definitivamente no gozo da sua autonomia e nasce o tipo de cidadão do Porto, que além de todas as regalias inerentes aos concelhos perfeitos, adquire alguns dos privilégios da mais alta nobreza.

 

(...)

 

 

É costume chamar-se ao Porto a capital do Norte. Bem melhor e mais amplamente, o Porto representa na história de Portugal  e até do Brasil colonial, a metrópole social e cívica, a escola política onde as demais cidades aprendem o arranque na luta pelas suas liberdades individuais e concelhias. Reinóis ou brasileiros natos dos primeiros núcleos urbanos do Brasil – Pará, Maranhão, Baía, Rio de janeiro e São Paulo – reclamam o obtiveram dos monarcas os privilégios de cidadãos do Porto. E, sabido quanto algumas dessas câmaras, como as de S. Paulo e do Rio de Janeiro, participaram no movimento de emancipação brasileira, pode igualmente afirmar-se que a cidadania portuense foi uma das bases políticas da independência do Brasil.Democracia urbana. Estado dentro do Estado, o seu zeloso amor às liberdades locais nunca ofuscou o sentido e a consciência da unidade nacional.

 

Jaime Cortesão, Portugal, a Terra e o Homem, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1987


Porto – ponto de passagem

 

 

Gosto de um Porto cá muito meu, de que vou dizer já, e amo-o de um amor platônico, avivado de ano a ano à passagem para a minha terra natal, quando o menino Jesus acena lá das urgueiras.

(...)

Em suor, que foi como os meus avós almocreves mo revelaram, numa caminhada semanal que metia caldo de abóbora em Valongo e lobos no resto do caminho, ou em semente do nome deste nosso Portugal, que assim mo explicou o senhor Botelho numa escola onde se aprendiam coisas que tinham sentido, o meu primeiro Porto é nebuloso e distante.

-          Trinta léguas de rota batida, filho, para ter a montanha farta de bacalhau, arroz e sabão ... – ouvia eu, com seis anos.

-          Ora como na margem direita do Doiro havia uma povoação chamada Portucale ... ia explicando o meu mestre.

-          A grande pedra de ara da minha meninice, O Marão, dividia o mundo em dois. E na metade que se não via ficava esse Porto só adivinhado, mas donde vinha já, positivo e genuíno, o que ele tinha de seu: a sólida alimentação do corpo, conquistada a mortificação, e o fermento para levedar um pão mais alto.

Com os anos, essa primeira descoberta que dele fiz no cansaço dos meus maiores e nas lições do meu professor, alargou-se. E um Porto já de carne e osso, complexo como todas as realidades, entrou na candura dos dez anos. Em Cedofeita, a continuar a cavadela deixada em meio pelos que me deram à vida, e na Sé, a olhar pasmado aquelas pedras lavradas, o negativo e opositivo harmonizaram-se na mesma visão reveladora. O Porto real e maravilhoso era uma soma de trabalho e sonho.

Pelas frestas do quotidiano, os olhos curiosos de criança iam ao mesmo tempo descobrindo, abusivamente inserido nessa unidade, o ultraje de uma vida elegante, faustosa, convencional e fácil. Cruelmente parasita do enxame que moirejava e abstraía, gente sem coração, desenraizada, possessa do demônio da preguiça e do desprezo, bebia, sem lhe sentir o gosto, o sumo agridoce do sacrifício e da ilusão dos outros. Era triste e desanimador. Mas uma verdade maior velava. E pelas ruas a cabo, dá a pouco, Santo António acima, Sá da Bandeira abaixo, Fernandes Tomás alem, calma, pacata, de corrente ao peito, a velha urbe retomava a humana dignidade.

Foi muito tempo depois, já quando a triste sabedoria dos anos me explicara as coisas pelo íntimo, que voltei a ver a velha cidade. Regressava eu então de longes terras, seco dos Cearás da emigração, e punha em todas as lembranças a saudade quente que nelas deixa uma infância por acabar.

(...) pude descobrir finalmente o ovo de Colombo. Se todas as terras tinham o seu cartaz gustativo(...) o Porto tinha dois. Um, grosso, terroso, sujo como a trivialidade da natureza – as tripas; outro, subtil, etéreo, imponderável como a própria magia – o vinho fino. Um para a exigência das nossas pancadas lusitanas; outro para a sede sem fim da secura universal.

 

Miguel Torga, Portugal, 3ª ed. Coimbra, 1967.



PORTO – EVOLUÇÃO DO TERRITÓRIO E DAS GENTES

 

SÉC. VI – CASTRUM Þ   CIVITAS

 

SÉC XII  - CIDADE – morro da Sé  ( área amuralhada c. 4 hectares)

 

SÉ  SÉC XIV -  morro da Sé; espaço envolvente ao Mosteiro de S. Domingos e  de S Francisco; povoação de Miragaia

 

SÉC XVII – também o espaço rural de Sto Ildefonso e o Couto de Cedofeita  a poente; a norte o Campo de Sto Ovídio e o Couto de Paranhos; nascente Campanha.

 

SÉC XVIII – 1757 – Cedofeita e Massarelos termo da cidade.

 

SÉC XIX – 1836 – lugares de Campanhã, Lordelo do Ouro e S. João da Foz – termo 1837 – anexada Paranhos.

                  1895 – Ramalde e Aldoar. A área do Porto é limitada pela estrada da circunvalação ( áreas de Paranhos e Campanhã passam para Bouças e Gondomar)

                 1898 – Asprela e Azevedo integram-se no Porto

 

 

SÉC. XX – ALARGAMENTO DO AGLOMERADO URBANO 

 

 

1913 – fusão das gerências portuárias do Douro e de Leixões. Este torna-se o verdadeiro porto da cidade.

 

1920 – cessação da portagem na ponte D. Luís.

 

1926 – criação do “Entreposto único e privativo em Gaia

 

1933 – criação do Instituto do Vinho do Porto -  institucionalizam a interdependência vinícola das duas margens.

 

1943 – cessação da barreira fiscal da Circunvalação

 

1963 – Inauguração da ponte da Arrábida e do 1º troço de auto-estrada

Anos 90 – Abertura progressiva da via de cintura interna

 

 

 

 

TAXA DE URBANIZAÇÃO

 

1911 - 17%

1981 - 55%

 

 

 

RITMO CONCENTRAÇÃO URBANA

 

19OO - 13%

1940 – 17%

1981 – 23%

1991 – 23,5%

 

 

POPULAÇÃO

Data

Porto

6 concelhos

Coimbra

1911

200 000 hab

400 000 hab.

< 25 000

1981

 

962 000 hab.

74 000

 

 

                        EMIGRAÇÃO

Data

Brasil

França

1912

90 000

 

1962-1973

 

> 100 000

 

 

 

AS FREGUESIAS E A CIDADE

 

îCENTRO ANTIGO  - Miragaia – S. Nicolau – Sé – Vitória.

îCENTRO MODERNO – Bonfim – Cedofeita – Santo Ildefonso.

îCENTRO PERICENTRAL – Massarelos – Paranhos.

îPERIFERIA – Aldoar – Campanha – Foz – Lordelo – Nevogilde – Ramalde.

 

 

 

 

 

 

PESO DE CADA CENTRO NA POPULAÇÃO MUNICIPAL

 

Centro                   Data

1900

1991

Centro  Antigo

21%

6%

Centro Moderno

47%

27%

Centro Pericentral

13%

20%

Periferia

21%

47%

 

 

PESO RELATIVO DO CONCELHO DO PORTO EM RELAÇÃO AOS OUTROS SEIS.

DATA

PESO %

1900

50

1930

48

1960

42

1991

30

 

 

 

 

ALARGAMENTO DA AGLOMERAÇÃO METROPOLITANA

 

1. Fins séc XIX – acompanhou o caminho de ferro – incidência Póvoa, Trofa, Valongo, Espinho (c. 1/2h e.c.).

Conquista urbana periférica justifica criação da ASSOCIAÇÃO DOS MUNICÍPIOS DO GRANDE PORTO – da Póvoa a Espinho.

Urbe central c. 1/4 da população deste conjunto.

 

2. 1960-70 – acompanhou a generalização do automóvel – incurtamento de distâncias – liberdade de escolha de residência – migrações pendulares.

Área incerta – estende-se progressivamente.

Anos 80 – até Ave, ao Sousa, a S. João da Madeira e Ovar.

Urbe central c. 20% da população deste conjunto metropolizado

 

3. 1980-90 – Progressão das auto-estradas e vias rápidas para sul e norte alarga a área diariamente polarizada pela metrópole. – Aveiro – Braga.

Aumenta o tempo considerável suportável  para chegar ao centro.

 

  

 

 

CRISE DA CIDADE MODERNA

 

 (falta de espaço, preocupação ambiental ¢  Desindustrialização; terciarização e reforço crescente e alargado da cidade periférica – demográfico, económico, social e político)

 

O centro espaço gestor e decisional

 

Sistema urbano multipolar - desenvolvimento de espaços funcionais da cidade – em concelhos vizinhos.

Ex. Indústria conserveira – Matosinhos – 1º quartel do séc.

Aeroporto – Pedras Rubras - 1942

Refinaria – Leça da Palmeira – 1969

Terminal TIR – anos 80

Alargamento progressivo da Zona Industrial da Maia

Transferência da Alfândega

Abertura da Exponor

Hipermercados

 

Desdobramento do centro – pólo alternativo da Boavista.

 

 

A EMERGENTE CIDADE PÓS MODERNA

 

O Centro Histórico - A Baixa

As novas centralidades ( da Boavista ao eixo Gaia Shopping- Carrefour- Arrábida Shopping – Península – Cidade do Porto – Norte Shopping.

 

 

 

A CRISE DA  CIDADE CONSOLIDADA

Policentralidade ou inversão das centralidades.

 

-         Centro ( Cidade – centro) de acesso difícil, face ao crescente uso do avião e do automóvel.

-         Várias periferias (cidades periféricas)ou novos centros de acesso fácil.

-         Tendência à especialização e à dispersão.

 

 

 

ÁREA METROPOLITANA DO PORTO

 

ORDENAMENTO : plano regional e metropolitano.

INFRAESTRUTURAS: prioridade ambiental.

HABITAÇÃO: aproveitamento do existente, coesão social.

ECONOMIA: ordenamento industrial e comercial.

TRANSPORTES: Metro  e política multimodal.

ADMINISTRAÇÃO: Participação pública, coordenação.

 

 

 

CIDADE (S) E AMP

 

 

-         CENTRO HISTÓRICO e BAIXA recuperação e reconversão de edifícios  sítios que marcaram a vida colectiva (m. Ferreira Borges e  Bolhão, Cadeia da Relação, Alfândega, Praça de Lisboa. Peonização do centro

 

-         CENTRO E PERIFERIA (Porto e o Grande Porto, Vila do Conde, Póvoa e Espinho, Santo Tirso, Trofa, Paredes)

 

 

 

                    

 

CIDADE (S) E AMP

 

CONTINUIDADES E CONFLITOS  :

 

îCENTRO HISTÓRICO  vivo e qualificado

 

îBAIXA sobrevive com  dificuldade

 

       îCENTRO E PERIFERIA (Porto e o Grande Porto, Vila do Conde, Póvoa e Espinho, Santo Tirso, Trofa, Paredes

îRIO  DOURO – união e separação

îOESTE E ESTE – desigualdade dequipamentos e pessoas .

îA AMP. E O NORTE DO PAÍS, na Europa e no Mundo.

 

 

 

 

 

CIDADE(S) E AMP

 

PROBLEMAS  :

 

îDUPLO DESPERDÍCIO  

 

-îABANDONO DO CONSOLIDADO ( o devoluto) e a especulação periférica (o por vender)

 

îDUPLA DESQUALIFICAÇÃO  

 

       -î DECADÊNCIA E DEGRADAÇÃO DO CENTRO

       -î SUBURBANIZAÇÃO DAS PERIFERIAS

       -î O CONSOLIDADO URBANO COMO CENÁRIO : o vazio visitável – cidade dos turistas.

 

 

 

 

 

CIDADE CONSOLIDADA

 

HIPÓTESE DE RESOLUÇÃO DOS PROBLEMAS  :

 

îREVALORIZAÇÃO DA CIDADE CONSOLIDADA

 

-îNECESSIDADE DE INTERVENÇÃO

-îIMPORTÂNCIA DE PRIVILIGIAR O CENTRO

-îURGÊNCIA DA INTERVENÇÃO

-îNECESSIDADE DE UMA INTERVENÇÃO CONTINUADA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

INTERVENÇÃO NA CIDADE CONSOLIDADA

 

CONSERVAÇÃO E RESTAURO – entre a busca da cidade perdida num contexto que não se reproduz e a homogeneização.

 

Objectivos:

 

1.   Combater a cidade morta

 

Criar novos espaços, dar ocupação ao edificado, renovando a residência (elevador-garagem)

Criar animação (acontecimentos, pessoas)

Adequar a cidade à diversificação das práticas no seu uso.

 

2.   Qualificar

 

Melhorar a imagem: limpeza e segurança.

Apoiar os estabelecimentos económicos. 

 

3.   Facilitar o acesso

 

Circulação a pé

Circulação automóvel e estacionamentos

Transporte colectivo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ERA DO PLANEAMENTO

 

SÉC. XIX – Abertura de ruas, praças, construção de pontes, mercados fixos.

A burguesia toma a iniciativa da construção dos bairros operários (1899-1903)

SÉC. XX – Os próprios interessados criam cooperativas de construção. 1914 – Cooperativa dos Pedreiros Portuenses; 1926 – “O Problema da Habitação”

 

1914 – Projecto de remodelação do Centro da cidade – Elísio de Melo.

 ( abertura da Avenida dos Aliados)

 

1932 – Plano da cidade do Porto de Ezequiel de Campos – tenta uma planificação coordenada à dimensão regional.

 

1933  – Programa de “casas económicas” em obediência à filosofia individualizante do Estado Novo: Bairros horizontais Ilhéu; Condominhas, Amial; Paranhos.

 

1938 – Arquitectectos Italianos seguindo directriz governamental elaboram o plano do Centro à maneira monumental mussoliniana. Regam a habitação para bairroas periféricos. Não foram postos em prática.

 

1946 – Projecto de Anteplano Regional do Porto de Antão de Almeida Garrett que alia a lógica pluriconcelhia e a coerência espacial assente na multiplicação de núcleos de vizinhança. ( habitação; serviços; comércio e empregos).

 

1954 – Plano Regulador da cidade – tem como base também a coerência espacial.

 

1956 – A lógica anterior é esquecida. Vigora a inspiração utaliana. O Plano de salubrização das ilhas” para fazer face às urgências acumuladas decide construir bairros colectivos na zona pericentral entre Lordelo e Campanha. O 1º, o do Viso tem quatro pisos. Multiplicam-se nos 20 anos seguintes ao sabor das disponibilidades financeiras. O sector privado retoma a iniciativa.

 

1962 – Plano Director de Robert Auzelle – síntese dos anteriores. É o 1º a orientar o crescimento urbano tendo em linha de conta os limites municipais e o surto do trânsito.

Foi contestado – priorizava a modernidade à qualidade de vida -previa a demolição do Barredo-o que vai dar origem ao 1º estudo de recuperação da parte antiga da cidade ( orientado por Fernando Távora- 1969) ž 1974 - CRUARB para o operacionalizar.

 

1978 – Reformulação do Plano Auzelle dada a rapidez de transformação urbana.

 

1986 – Planificação é obrigação legal para todos os concelhos.

 

  

 

 

 

 

 

         SÉC XX NORTENHO – ELEMENTOS FULCRAIS

 

¨ Crescimento acelerado da conurbação portuense.

¨ Entrada progressiva do seu hinterland na vida de relações

¨ Persistente modéstia dos outros pólos

 

 

           q

 

CONCENTRAÇÃO

 

Negócio ; Cultura; Finança;Administração; Saúde; Educação;Imprensa

 

            q

                                    Três fases:

 

Preeminência – 1º quartel do séc. Afirmou a primazia exercida pelo Porto na região

Exclusividade -  A partir do 2º quartel do séc. o Porto elimina os possíveis concorrentes locais.

Hierarquização – a partir da ruptura, dos anos 70, organiza-se uma delegação de poderes e reanima-se pólos secundários, complementares e dependentes.

 

1. O Porto é por vezes um simples escalão intermédio entre a região e pólos superiores externos, nem todos nacionais. Ex: Banca

 

2. Desenvolvem-se no Porto:

       Sedes de grupos económicos

       Inovações técnicas

       Infra-estruturas dispendiosas

       Serviços mais requintados

Ex: Aeroporto – Instituto de Oncologia

 

3. Agravamento da atracção centrípeta - Serviços básicos e de urgência são desenvolvidos no Porto – depois de 1974