quinta-feira, 24 de março de 2011
O Professor
CONFERÊNCIA "GESTÃO DE CONFLITOS E SUCESSO EDUCATIVO - Professor Doutor João Lopes
Este encontro de ontem, foi sem dúvida o melhor a que assisti nos últimos tempos. O orador conseguiu provocar o público, através da ironia das palavras e ao mesmo tempo, fazer com que aderisse às suas ideias e libertasse tensões, através do riso. Era mesmo o que eu andava a precisar, descontrair e simultaneamente ouvir grandes verdades, que já conhecia. Saí a chorar ( de riso)!
Por outro lado, a organização por centros, creio que se mostrou muito eficaz e escoou facilmente os participantes. Tudo irrepreensível. De salientar a simpatia da(o)s recepcionistas, a brevidade da apresentação que não precisava de mais explicações já que a obra do orador é sobejamente conhecida e ele vale por si só. Obrigada aos "Centros" por nos terem proporcionado estes momentos de formação.
Podiam pensar em organizar qualquer coisa relativa à inteligência emocional. Eu sei que já houve iniciativas de um grupo de professores, mas algo mais divulgado que atingisse mais gente. Neste mundo de desencanto e crise, acreditar na felicidade e regular as nossas emoções é algo fundamental à sobrevivência.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
A estrela do fundo do mar
A partir de um bonito texto de Diana Felizardo a quem espero continue a brindar-nos com ideias tão bonitas.
Inteligência emocional
Hoje, apetece-me ser feliz.
Na verdade, hoje reli, porque ultimamente os afazeres da vida não têm deixado paragens para digerir o que se lê, as metas do projecto de inteligência emocional e apeteceu-me mesmo fazer dele um programa: Mais do que as metas de transição de ciclo, este é um caminho que gostaria de aprofundar. Tantos alunos infelizes, tantos professores desencantados, uma crise económica que a todos nos esmaga e um grupo de profissionais e alunos que deitam mão de um prograna que tem como fim ser feliz: educar para o optimismo, para o controlo das emoções, conhecer as dos outros, aumentar a auto-estima, regular a nossa vida. Um verdadeiro projecto de vida. Quem quer deitar mão nele?
Avaliação das escolas
Reproduzo aqui um artigo publicado na revista Educare, para base de reflexão, até porque a minha escola foi objecto de uma avaliação externa e alguns dos factores aqui analisados têm toda a pertinência.
È evidente que avaliar é importante, mas creio eu, esta prática deve ser exercida de forma simples e rápida, para que não se comprometa a essência da própria avaliação: como ensinar melhor a um público mais abrangente; investigar e comparar práticas, diferenciar o ensino/aprendizagem abrangendo os alunos com dificuldades, mas também os bons alunos para que se sintam apoiados a continuar a sua acção de curiosidade pelo saber.
O cumprimento dos programas, outro aspecto avaliado de forma negativa é um busílis que requer uma revisão por parte de investigadores nesta área. Pedem-nos para o gerirmos, comprometendo competências fundamentais a desenvolver em qualquer disciplina e particularmente nas Ciências Humanas e Sociais. Os alunos, sem elos de ligação, encontram cada vez mais dificuldade de compreensão dos factos históricos, suprindo este falha com a memorização, e o que é mais grave, poem em causa a utilidade da História.
Há escolas sentadas à 'sombra da bananeira'
Sara R. Oliveira
È evidente que avaliar é importante, mas creio eu, esta prática deve ser exercida de forma simples e rápida, para que não se comprometa a essência da própria avaliação: como ensinar melhor a um público mais abrangente; investigar e comparar práticas, diferenciar o ensino/aprendizagem abrangendo os alunos com dificuldades, mas também os bons alunos para que se sintam apoiados a continuar a sua acção de curiosidade pelo saber.
O cumprimento dos programas, outro aspecto avaliado de forma negativa é um busílis que requer uma revisão por parte de investigadores nesta área. Pedem-nos para o gerirmos, comprometendo competências fundamentais a desenvolver em qualquer disciplina e particularmente nas Ciências Humanas e Sociais. Os alunos, sem elos de ligação, encontram cada vez mais dificuldade de compreensão dos factos históricos, suprindo este falha com a memorização, e o que é mais grave, poem em causa a utilidade da História.
Há escolas sentadas à 'sombra da bananeira'
Sara R. Oliveira
Artigo publicado em Portal da Educação, em 2011-02-11
Estudo do ISEG faz a divisão: escolas de elite, escolas fatalistas, escolas surpreendentes e escolas à sombra da bananeira. Investigação conclui que falta uma cultura de gestão de desempenho e de auto-avaliação e que o contexto socio-económico dos alunos explica 30% dos resultados nos exames.
'Perspectivas Diferentes Sobre o Desempenho das Escolas Secundárias Portuguesas' é um estudo do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) da Universidade Técnica de Lisboa que percorreu, ao longo de um ano, 303 escolas públicas onde foram realizados mais de 50 exames de Português e de Matemática. Os pratos da balança não ficam equilibrados. As habilitações dos pais e a idade dos alunos explicam 30% dos resultados dos exames. Os restantes 70% estão nas mãos das escolas, ou melhor, no trabalho que promovem. A investigação, financiada pelo Ministério da Educação e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, foi apresentada no seminário 'Economia e econometria da educação', promovido pelo ISEG.
Os alunos terminam, regra geral, o Ensino Secundário com 17 anos e quanto mais velhos chegam ao Secundário piores são os seus resultados. Perto de 40% dos pais têm pelo menos o nível Secundário, cada professor tem 14,6 alunos em média por turma, um quinto dos alunos beneficiam de apoio social escolar e a taxa de absentismo da classe docente é de seis dias por ano. O estudo revela ainda que os alunos estão mal preparados quando transitam para o ensino superior. Conclusão retirada das notas dos exames nacionais. Pelo menos 37% dos estudantes do 12.º ano não se puderam candidatar ao ensino superior. O estudo conclui que a 'baixa qualidade dos resultados da aprendizagem no Ensino Secundário compromete o sucesso no Ensino Superior'.
Os autores da investigação tiveram em atenção diversas variáveis: resultados dos exames nacionais do Secundário de Português e Matemática, taxa de conclusão no 12.º ano dos cursos científico-humanísticos no ano 2009/2010, características das escolas, idade dos alunos, habilitações académicas e profissão dos pais, número de alunos com apoio social, taxas de progressão e de conclusão do Ensino Secundário e taxa de absentismo dos docentes. Com as várias características de alunos e professores em cima da mesa, calculou-se o desempenho médio esperado para cada escola, que resultados poderiam ser obtidos nos exames e na conclusão do Secundário. A partir daí, foi construída uma lista com quatro categorias. Escolas de elite com boas médias e que apresentam resultados e desempenhos acima do esperado. Escolas fatalistas com resultados e desempenhos abaixo do expectável. Escolas surpreendentes que têm resultados académicos abaixo da média nacional, mas que têm resultados acima do esperado. E ainda as escolas à sombra da bananeira, que têm resultados acima da média nacional, mas o desempenho é inferior ao que seria esperado, tendo em conta as características da escola. A lista das escolas não pode ser divulgada por imposição do Ministério da Educação.
Cláudia Sarrico, investigadora do ISEG e uma das autoras do estudo, defende que as escolas à sombra da bananeira deviam puxar mais pelos alunos. 'Há escolas que estão a tirar o máximo partido dos alunos e outras não', refere ao EDUCARE.PT. Cláudia Sarrico, do ISEG, Margarida Fonseca Cardoso, da Universidade do Porto, Maria João Rosa, da Universidade de Aveiro, e Fátima Pinto, da EB2,3 de Canedo, são as autoras do estudo que, além de uma análise quantitativa, investiu numa abordagem qualitativa em 12 escolas do país - avaliadas externamente pela Inspecção-Geral de Educação em 2007 -, três de cada uma das quatro categorias criadas. 'Estudámos as práticas de avaliação das escolas e de auto-avaliação e conclui-se que não há uma prática consolidada e uma cultura de avaliação', adianta Cláudia Sarrico. Os resultados deverão ser publicados em português num livro e a investigadora sustenta que, regra geral, as escolas querem mais informações. Ou seja, querem perceber como é feita a comparação com outras escolas, como podem pedir apoio no processo de avaliação, como os dados são tratados, espremidos até às conclusões.
A investigação qualitativa contou com 43 entrevistas semi estruturadas a quatro actores: o director da escola, o presidente do conselho geral, o responsável pela auto-avaliação e o chefe dos serviços administrativos. Uma das constatações é que as acções de melhoria nas escolas raramente são avaliadas. 'Quase nunca se refere que há algum tipo de avaliação, o que significa que as escolas podem desenvolver acções de melhoria mas não as avaliam no sentido de ver se elas estão a resultar ou não', lê-se no estudo.
A dimensão do desempenho mais avaliada é o ensino e os resultados escolares são os indicadores de desempenho mais utilizados. Verifica-se ainda que os professores são os mais cépticos e críticos em relação ao sistema de avaliação. Outro dado é que os rankings são desvalorizados pelas escolas nos discursos oficiais, mas esses valores acabam por ser analisados internamente, nomeadamente a discrepância que possa existir entre as notas internas e as dos exames. Os rankings são, apesar de tudo, valorizados pelos pais dos alunos que dão importância a esse posicionamento dos estabelecimentos de ensino.
As escolas têm autonomia para escolher o modelo de auto-avaliação, mas algumas ainda não se sentem preparadas para a exercer. 'As pressões internas ficam-se sobretudo pelo corpo docente. Ainda há pouca participação dos outros membros da comunidade educativa. As pressões externas focam-se sobretudo na avaliação externa da Inspecção-Geral e dos rankings publicados pela comunicação social'.
O estudo do ISEG chega à conclusão que há algumas práticas de gestão de desempenho nas escolas, mas que não estão enquadradas num processo sistémico e estruturado. 'A dificuldade não parece estar tanto em medir o desempenho ou em definir acções de melhoria (fundamentalmente quando os impulsionadores destas acções são agentes externos - IGE), mas em fazer do processo de gestão de desempenho uma prioridade e um processo interiorizado e enraizado nas práticas das escolas.'
Estudo do ISEG faz a divisão: escolas de elite, escolas fatalistas, escolas surpreendentes e escolas à sombra da bananeira. Investigação conclui que falta uma cultura de gestão de desempenho e de auto-avaliação e que o contexto socio-económico dos alunos explica 30% dos resultados nos exames.
'Perspectivas Diferentes Sobre o Desempenho das Escolas Secundárias Portuguesas' é um estudo do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) da Universidade Técnica de Lisboa que percorreu, ao longo de um ano, 303 escolas públicas onde foram realizados mais de 50 exames de Português e de Matemática. Os pratos da balança não ficam equilibrados. As habilitações dos pais e a idade dos alunos explicam 30% dos resultados dos exames. Os restantes 70% estão nas mãos das escolas, ou melhor, no trabalho que promovem. A investigação, financiada pelo Ministério da Educação e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, foi apresentada no seminário 'Economia e econometria da educação', promovido pelo ISEG.
Os alunos terminam, regra geral, o Ensino Secundário com 17 anos e quanto mais velhos chegam ao Secundário piores são os seus resultados. Perto de 40% dos pais têm pelo menos o nível Secundário, cada professor tem 14,6 alunos em média por turma, um quinto dos alunos beneficiam de apoio social escolar e a taxa de absentismo da classe docente é de seis dias por ano. O estudo revela ainda que os alunos estão mal preparados quando transitam para o ensino superior. Conclusão retirada das notas dos exames nacionais. Pelo menos 37% dos estudantes do 12.º ano não se puderam candidatar ao ensino superior. O estudo conclui que a 'baixa qualidade dos resultados da aprendizagem no Ensino Secundário compromete o sucesso no Ensino Superior'.
Os autores da investigação tiveram em atenção diversas variáveis: resultados dos exames nacionais do Secundário de Português e Matemática, taxa de conclusão no 12.º ano dos cursos científico-humanísticos no ano 2009/2010, características das escolas, idade dos alunos, habilitações académicas e profissão dos pais, número de alunos com apoio social, taxas de progressão e de conclusão do Ensino Secundário e taxa de absentismo dos docentes. Com as várias características de alunos e professores em cima da mesa, calculou-se o desempenho médio esperado para cada escola, que resultados poderiam ser obtidos nos exames e na conclusão do Secundário. A partir daí, foi construída uma lista com quatro categorias. Escolas de elite com boas médias e que apresentam resultados e desempenhos acima do esperado. Escolas fatalistas com resultados e desempenhos abaixo do expectável. Escolas surpreendentes que têm resultados académicos abaixo da média nacional, mas que têm resultados acima do esperado. E ainda as escolas à sombra da bananeira, que têm resultados acima da média nacional, mas o desempenho é inferior ao que seria esperado, tendo em conta as características da escola. A lista das escolas não pode ser divulgada por imposição do Ministério da Educação.
Cláudia Sarrico, investigadora do ISEG e uma das autoras do estudo, defende que as escolas à sombra da bananeira deviam puxar mais pelos alunos. 'Há escolas que estão a tirar o máximo partido dos alunos e outras não', refere ao EDUCARE.PT. Cláudia Sarrico, do ISEG, Margarida Fonseca Cardoso, da Universidade do Porto, Maria João Rosa, da Universidade de Aveiro, e Fátima Pinto, da EB2,3 de Canedo, são as autoras do estudo que, além de uma análise quantitativa, investiu numa abordagem qualitativa em 12 escolas do país - avaliadas externamente pela Inspecção-Geral de Educação em 2007 -, três de cada uma das quatro categorias criadas. 'Estudámos as práticas de avaliação das escolas e de auto-avaliação e conclui-se que não há uma prática consolidada e uma cultura de avaliação', adianta Cláudia Sarrico. Os resultados deverão ser publicados em português num livro e a investigadora sustenta que, regra geral, as escolas querem mais informações. Ou seja, querem perceber como é feita a comparação com outras escolas, como podem pedir apoio no processo de avaliação, como os dados são tratados, espremidos até às conclusões.
A investigação qualitativa contou com 43 entrevistas semi estruturadas a quatro actores: o director da escola, o presidente do conselho geral, o responsável pela auto-avaliação e o chefe dos serviços administrativos. Uma das constatações é que as acções de melhoria nas escolas raramente são avaliadas. 'Quase nunca se refere que há algum tipo de avaliação, o que significa que as escolas podem desenvolver acções de melhoria mas não as avaliam no sentido de ver se elas estão a resultar ou não', lê-se no estudo.
A dimensão do desempenho mais avaliada é o ensino e os resultados escolares são os indicadores de desempenho mais utilizados. Verifica-se ainda que os professores são os mais cépticos e críticos em relação ao sistema de avaliação. Outro dado é que os rankings são desvalorizados pelas escolas nos discursos oficiais, mas esses valores acabam por ser analisados internamente, nomeadamente a discrepância que possa existir entre as notas internas e as dos exames. Os rankings são, apesar de tudo, valorizados pelos pais dos alunos que dão importância a esse posicionamento dos estabelecimentos de ensino.
As escolas têm autonomia para escolher o modelo de auto-avaliação, mas algumas ainda não se sentem preparadas para a exercer. 'As pressões internas ficam-se sobretudo pelo corpo docente. Ainda há pouca participação dos outros membros da comunidade educativa. As pressões externas focam-se sobretudo na avaliação externa da Inspecção-Geral e dos rankings publicados pela comunicação social'.
O estudo do ISEG chega à conclusão que há algumas práticas de gestão de desempenho nas escolas, mas que não estão enquadradas num processo sistémico e estruturado. 'A dificuldade não parece estar tanto em medir o desempenho ou em definir acções de melhoria (fundamentalmente quando os impulsionadores destas acções são agentes externos - IGE), mas em fazer do processo de gestão de desempenho uma prioridade e um processo interiorizado e enraizado nas práticas das escolas.'
Que dizer?
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Diário de um professor
Os comportamentos de desatenção, turbulência têm necessariamente que ser pensados sem leviandades.
O Diário do Professor Arnaldo - A fome nas escolas
Publicado em 19 de Novembro de 2010 por Arnaldo Antunes
Ontem, uma mãe lavada em lágrimas veio ter comigo à porta da
escola. Que não tinha um tostão em casa, ela e o marido estão
desempregados e, até ao fim do mês, tem 2 litros de leite e meia
dúzia de batatas para dar aos dois filhos.
Acontece que o mais velho é meu aluno. Anda no 7.º ano, tem 12
anos mas, pela estrutura física, dir-se-ia que não tem mais de
10. Como é óbvio, fiquei chocado. Ainda lhe disse que não sou o
Director de Turma do miúdo e que não podia fazer nada, a não ser
alertar quem de direito, mas ela também não queria nada a não
ser desabafar.
De vez em quando, dão-lhe dois ou três pães na padaria lá da
beira, que ela distribui conforme pode para que os miúdos não
vão de estômago vazio para a escola. Quando está completamente
desesperada, como nos últimos dias, ganha coragem e recorre à
instituição daqui da vila - oferecem refeições quentes aos mais
necessitados. De resto, não conta a ninguém a situação em que
vive, nem mesmo aos vizinhos, porque tem vergonha. Se existe
pobreza envergonhada, aqui está ela em toda a sua plenitude..
Sabe que pode contar com a escola. Os miúdos têm ambos Escalão
A, porque o desemprego já se prolonga há mais de um ano (quem
quer duas pessoas com 45 anos de idade e habilitações ao nível
da 4ª classe?). Dão-lhes o pequeno-almoço na escola e dão-lhes o
almoço e o lanche.
O pior é à noite e sobretudo ao fim-de-semana. Quantas vezes
aquelas duas crianças foram para a cama com meio copo de leite
no estômago, misturado com o sal das suas lágrimas...
Sem saber o que dizer, segureia-a pela mão e meti-lhe 10 euros
no bolso. Começou por recusar, mas aceitou emocionada.
Despediu-se a chorar, dizendo que tinha vindo ter comigo apenas
por causa da mensagem que eu enviara na caderneta.
Onde eu dizia, de forma dura, que «o seu educando não está
minimamente concentrado nas aulas e, não raras vezes, deita a
cabeça no tampo da mesma como se estivesse a dormir».
Aí, já não respondi. Senti-me culpado. Muito culpado por nunca
ter reparado nesta situação dramática. Mas com 8 turmas e quase
200 alunos, como podia ter reparado?
É este o Portugal de sucesso dos nossos governantes. É este o
Portugal dos nossos filhos.
Obrigada à Júlia a sua divulgação.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Uma Ovelha Negra Não Estraga o Rebanho
Domingo, 9 de Janeiro de 2011
No meio da crise sócio/económica e do cinzentismo emocional instalado no país há vários meses, eis que o relatório PISA trouxe algumas boas evidências para Portugal.
E a melhor de todas, a que considero verdadeiramente paradigmática, foi omitida pela maioria dos órgãos de comunicação social: Mais de 90% dos alunos portugueses afirmaram ter uma imagem positiva dos seus professores!
O relatório conclui que os professores portugueses são os que têm a imagem mais positiva de entre os docentes dos 33 países da OCDE, tendo em 2006 aumentado 10 pontos percentuais.
O mesmo relatório conclui que os professores portugueses estão sempre disponíveis para as ajudas extras aos alunos e que mantêm com eles um excelente relacionamento.
Estas evidências são altamente abonatórias para os professores portugueses e deveriam ter sido amplamente divulgadas pelos órgãos de comunicação social ( e pelos habituais “fazedores de opinião” luxuosamente remunerados que escrevem para os jornais ou são comentadores na rádio e na televisão) que ostensivamente consideram que os professores do ensino básico e secundário uma classe pouco profissional, com imensos privilégios e luxuosas remunerações...
Uma classe profissional que deveria ser acarinhada e apoiada por todos, que deveria ter direito às melhores condições de trabalho (salas de aula, equipamento, formação, etc.) e que tem sido maltratada pelo poder político e por todos aqueles que tinham o dever de estar suficientemente informados para poder produzir uma opinião isenta para os demais membros da comunidade.
Ao conjunto destas evidências acresce outra, onde o papel do professor é determinante: a inclusão.
O relatório revela-nos que Portugal é o sexto pais da OCDE cujo sistema educativo melhor compensa as assimetrias sócio/económicas!
E ainda refere que o nosso país tem a maior percentagem de alunos carenciados com excelentes níveis de desempenho em leitura.
Nada acontece por acaso! Os professores portugueses são excelentes profissionais, pessoas que se dedicam de corpo e alma aos seus alunos, mesmo quando são vilipendiados e ofendidos por membros de classes profissionais tão corporativistas (ou mais!) que a dos professores!
Como diz a quase totalidade dos alunos, os professores são excelentes pessoas que estão sempre disponíveis para ajudar os seus alunos. Esta é que é a realidade dos professores das escolas do ensino básico e secundário! Obviamente que, como em todas as demais classes profissionais, haverá excepções à regra, aqueles que não cumprem, não assumem as suas responsabilidades, não justificam o ordenado que recebem. Mas, assim como uma andorinha não faz a primavera, também uma ovelha negra não estraga um rebanho.
Pergunto: porque se escondem os arautos da desgraça, detentores da verdade absoluta, que estão sempre na linha da frente para achincalhar os professores do ensino básico e secundário. Estranha-se o silêncio.
Margarida Rufino in Jornal de Cascais
Publicada por Movimento Escola Pública em 18:45
Palavras para quê?
Obrigada à Conceição que o divulgou.
Palavras para quê?
Obrigada à Conceição que o divulgou.
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