sexta-feira, 5 de julho de 2013

Facebook não deve ser um diário pessoal

Facebook Is Not a Diary
Posted: 07/03/2013 5:05 pm
If the results of the recent PEW study entitled "Teens, Social Media and Privacy," are any indication, teenagers are getting in tune with today's digital times regarding security and privacy. Teens are realizing that there isn't a rewind button on their keyboards (or the Internet), and that means their posts, photos, and comments need to be chosen carefully, since they will most likely live forever.
Some parents are behind their kids (especially their young adult children), when it comes to social networking sites like Facebook. Many parents joined Facebook long after their teens were already well-established. Parents, especially empty nesters, have found it is a great way to keep up with their young adult children's lives, their friends, families and even meet new virtual friends.
We are our children's role models -- both online and off, but what happens when the child watches the parent have a complete cyber-breakdown? What happens when a parent doesn't live by the advice they would probably give their own child when it comes to online conduct and suddenly has a Facebook wall full of fire and ice? Who is monitoring the parent?
Recently, I was intrigued by a real-life soap opera unraveling on Facebook, which made me realize that teens are not the only ones risking their online reputations. I found myself wanting to share this since I think so many parents could learn from it. There comes a time when you need to take things offline. It is that simple, and this was one of those times.
Let's hit pause for a moment to look at the online world from an adult perspective.
Online dating has become a fast and growing way for people to meet each other. Of course, as with everything online, you need to be cautious. By now everyone has heard of theCatfish stories and no one wants to become a victim of that scenario.
We teach our children to beware of strangers both online and off. We know there are risks when we go into chat rooms. We are adults and our life experiences should give us more common sense when it comes to the difficult situations we sometimes face online.
Now fast-forward to the Facebook drama I witnessed as it played out:
·                 Single mom meets a man through an online dating service.
·                 Mom falls madly in love and her Facebook wall is full of glorious posts and photos of her happiness and romance. She claims she has found her soul mate.
·                 Only a few weeks later, she moves in with Mr. Wonderful.
·                 Honeymoon is over -- after a quick whirlwind relationship of less than two monthsit is now history.
·                 Mom goes on her Facebook wall in one of the nastiest campaigns against this man you have ever seen -- anger, hate, venom and even speaking of his sexual inadequacies on her wall. (For the record, I did check the man's Facebook page, it was quiet there, no malice was ever written.)
·                 Her friends (not sure if they are real or virtual) are all chiming in about what a dog he is. But do they actually know him? Yet this malicious and contentious Facebook page is full of the most cruel and vindictive comments. So reminiscent of high school drama that it made me wonder if high school kids still act like this.

One thing is for sure: This took place on a public forum, the Internet. On Facebook. In fact, I am not even friends with this person on Facebook, however, since we have mutual friends and her
 privacy settings left her exposed for anyone to see, I was able to watch this relationship go from lust, to love to hatred in a matter of weeks. Who am I? A nobody, not even a fake Facebook friend.
Like in most break-ups, there are always three sides to every story -- hers, his and the truth. The mom in this situation is not a teenager, she's almost 50 and should know better. For those wondering, her kids are young adults. This begs the question: Should her kids have played interference and told her to stop ranting online? I am not here to judge, only here to give the moral of this story, which is about censoring yourself in your online postings.
You should not air your dirty laundry publicly. You should have your circle of friends you can speak with (hopefully on the phone or over coffee or drinks) and not post your grievances online.
Why? Because the Internet is lacking in privacy and Facebook is a public forum, not a diary!
What we teach our kids:
• Be kind online.
• What goes online, stays online.
• Respect each other always, online and off.
Maybe we need to start preaching this to adults too?
The Internet is the largest tattooing machine, and, unfortunately for people that are learning this the hard way, there is no rewind button on the Internet, either.
Takeaway tips:
• Parents make the same mistakes kids do. 
• Not understanding the virtual environment is not an excuse for acting immature. It is time to grow up and
 learn how to use social media in an appropriate manner.
• Don't use Facebook as your venting machine.
 
• Buy a journal or a diary. Use your pen, not a keyboard.
• Your children are watching your keystrokes.
• Practice what you preach. Is this the same behavior your want your children to mimic?

Facebook is not a diary. It is that simple.


terça-feira, 2 de julho de 2013

O REI DE SANGUE AZUL COM COROA NA CABEÇA


Sktech teatral infantil, feito há longos anos, ainda eu era teenager.A simbologia política pode ser atualizada, naturalmente.
Destinava-se a ser representado em teatro de fantoches em ampla interação com o público.

O rei de sangue azul
Com coroa na cabeça

Aparece o Palhaço e diz:

-Boa tarde meninos todos
Estou contente de encontrar
Vamos todos divertir-nos
Vamos todos representar.

Pois já agora, com licença
Vou contar uma história linda
No final, vocês dirão
Se gostaram ou se não.

Era uma vez um rei
Que vivia com a rainha
Tinha os cabelos brancos
Na cabeça, uma coroazinha.

Um dia, lá no palácio
Fez-se alegre festinha
E, verão os meninos, agora
Quantas pessoas tinha!


Pois então, num belo dia
Sucedeu  o que vão ver
Atenção meninos todos
A peça não é de perder.


II
Estão os dois reis e duas rainhas a dançar

Gira ó flé, flé, flá …
Parecem  duas velhas:

- Suas majestades, dão licença?
Nós queríamos perguntar
Se na festa nós as velhas
Não poderíamos entrar?

Rainha:
- Que malcriadas, pois então
Vós os pobres junto aos reis?
Nós temos sangue azul
Não somos sujos papéis!

2ª velha:
-Desculpe, majestade
Tanto atrevimento ter
Mas da festa só queríamos
Estar aqui e poder ver!

Rainha:
-Vão-se gentinha, vão
Vão trabalhar na cozinha
Podereis fazer o jantar
E preparar boa galinha!

(Voltando-se para os convidados)
-Desculpai-nos meus amigos
Consentir estes dois perigos
( diretamente para as velhas)
- Não percebem que os reis só podem ter reis por amigos?

III
Aparece o Palhaço:
- Alto lá, alto lá
Pois meninos atenção
Vocês no princípio concordaram
Que faziam a representação!

Digam-me, pois, já agora
Se acham bem, se acham mal
Que o rei só possa ter
Outro rei por seu igual.
  
Mas vejam, não se esqueçam
O que as velhas vão fazer
Têm cara enrugada, lá isso têm
Mas a bondade não se pode ver!

Elas lá estão na cozinha
Com os tachos a trabalhar
Vão matar um animal
Que costumava muito cantar!

Pensaram elas  e com razão:
“Os reis só com reis falam
E só reis devem comer.
Vamos arranjar um bicho
Que coroa possa ter.”

E digam, pois, meus meninos
Qual será esse animal
Tem coroa e canta muito
Usa manto feito de penas
E passeia-se no quintal?

É o galo, pois então
Que é o rei da capoeira
As galinhas são as rainhas
E cantam da mesma maneira!

Ora agora, as nossas velhas
As duas com habilidade
Querem ver se todo o rei
Tem sangue azul de verdade!

Para isso matam o galo
E dele fazem uma arrozada
O sangue é bem vermelhinho
Qual azul, ou qual nada!

Escutem com atenção
O que as duas vão dizer
As velhas sabem muito
Vocês podem bem aprender!

IV
Entra  a 1ª velha:

- Estás a ver, velha amiga
Que a rainha nos mentiu
Disse que tinha sangue azul
Para amiga não nos consentiu!

2ª velha:

- Mas agora, vamos lá
Vamos dar-lhe uma picadela
É costume sair sangue
Já sabemos qual é a cor dela.

V
Palhaço:

-E, olhem meninos que foram
Foram lá com uma agulha
Espetaram levemente na mão
E saiu sangue bem vermelho
Linda cor de pimentão!

VI
Rainha:

- Ai que horror, que horror
Vocês estragaram meu sangue
É tamanha a minha dor.

Dirige-se à outra rainha:

- Desculpe, amiga minha
Sinto-me tão pobrezinha!
Agora só a coroa
Fará de mim alguém superior!

Já não tenho sangue azul
É vermelha a minha cor
Já não posso ser diferente
Já mostraram minha igualdade
Oh, que triste a realidade!

2ª Rainha:

-Ah, mas eu sou diferente!
Eu nasci de sangue azul
Já mo disseram em criança
Nasci com coroa, sou rainha
Contigo não tenho semelhança!

1ª Rainha:

- Ai não, deixa-me espetar
Esta agulha também em ti
Verás o sangue correr
E olha que azul não pode ser!

Rei:

- Calem-se vós as rainhas
Parem um pouco a discussão.
Teremos, agora, que refletir
Qual  a melhor solução.

2º Rei:

- Pois claro, eu já sabia
Que não tínhamos sangue azul
Mas continuamos diferentes
Dessa gente, dessa gentinha
Dessas velhas da cozinha!

As nossas roupas são mais finas
As nossas caras mais bonitas
Temos outra educação.
Enfim, é esta a solução!

1ª Velha:

- Olhem que eu acho que não!
Vocês têm que provar
Que são diferentes de nós
Que não podem connosco falar!

Porque, então, também eu visto
Uma roupa das que tendes
Não trabalho, a pele fica mais fina
Ponho creme, fica com mais cor
Tanto nós, como vós
Podemos cheirar uma flor!

Rainha grita:

- Mais educação!

1ª Rainha:

- Minha mãe, de pequenina
Me ensinou boas maneiras
Sou sempre bem educada
Nunca faço grandes asneiras!

  
2ª Velha:

- Eu também sou delicada
Respeito sempre os velhinhos
Ajudo sempre toda a gente
Indico a todos os caminhos.

Nunca gritei, como a rainha
Falo sempre devagar
Nesta vida eu só quero
Ter amigos pr´a falar.

E, já agora pr´a os escolher
Não quero saber de razões
Não me fio no retrato
Prefiro os bons corações.

VII

Palhaço:

- Chegou o momento, amigos
De vocês também entrarem
A fazer a representação
Falem alto e sem vergonha
Deem a vossa opinião.
Quem preferem os meninos?
Quem tem melhor coração?
Os reis com coroa e a rainha
Ou as velhas que trabalham
Todo o dia na cozinha?

Meninos:

- As velhinhas!

Palhaço:

- Parece-me que ouvi gritar
“As velhinhas, as velhinhas!
As velhinhas em 1º lugar!”

Vamos, então, falar aos reis
E ver como vai a discussão
Quem desistirá primeiro
Quem dará conclusão?

1ª Velha:

. Vós, altas majestades
Que sobre tudo reinais
Pedis tudo às pessoas
A nós nada nos dais!

2º Velha:

- Achais justo a vossa obra
Viver bem e divertir
Reinar com coroa
Fazer o mal que quereis
E ninguém vos impedir?

1ª Velha:

- Nós todo o dia a trabalhar
Os calos nas mãos a doer
Não poderemos vir cá cima
Pr´a festa também fazer?

Entra o Bobo:
- Ora, bom dia, a todos vós
Eu estive a assistir
Vi os reis a portarem-se mal
Decidi cá acima vir.
Eu sou o bobo do palácio
Faço grandes palhaçadas
Faço gestos e caretas
E dou grandes gargalhadas!
No entanto, sempre disse
O que tinha pr´a dizer
E agora, também, acho
Que iguais devemos ser.
Pois, de aqui em diante
Nunca mais consentiremos
Que vós em nós mandeis
Que não nos deixeis fazer
Todo o bem que queremos.
E, siga a festa
Reinemos todos
Eu sou o bobo do palácio
Gosto muito de brincar
E agora, mas a sério
Vou aprender a governar.
Não existe sangue azul
Os reis são homens, afinal
Tiremos-lhe já a coroa
Para que não lhes faça mal!
Daremos vivas, reinemos todos
E siga a festa!
Gira ó flé, flé, flá

Final:
Enquanto se canta, o Palhaço diz:
Era uma vez um rei
Que vivia com a rainha
Tinha os cabelos brancos
Na cabeça, uma coroazinha.

Um dia, lá no palácio
Fez-se alegre festinha
Já sabem os meninos, agora
Quantas pessoas tinha!


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Poemas para Abril

16 DE MARÇO

Esperança
Que mais inventar para te manter

Lágrimas
Quanta força para vos reprimir
Raiva
Como dar-te um sentido útil

( 16 de Março de 74, golpe falhado das Caldas da Rainha)
José Carlos de Vasconcelos, Poemas para a Revolução




CAXIAS

Estas paredes lisas nuas brancas
Quem ofendeu assim a brancura

Esta paisagem de rio e mar
No lugar do silêncio e da tortura

Quem ofendeu assim nosso olhar

E estes homens que não são homens
Mas o fel e a vergonha dos homens

Quem ofendeu assim o sol
- e quem poderá mais suportar

Março de 74
José Carlos de Vasconcelos, Poemas para a Revolução



CINCO DIAS ANTES

Cidade de sombras de medos de mitos
Cidade que adormece num travesseiro
Com sumaúma de gritos

Cidade nossa cidade perseguida sitiada
Vigiada por bufos e pides
Escondida em cantos esconsos águas
Furtadas prédios devolutos

Cidade que dói cidade que chora
Cidade da esperança
Em que subterrânea se constrói
A força dos frutos a raiz da aurora

20 de abril de 1974

José Carlos de Vasconcelos, Poemas para a Revolução



Esta é a madrugada que eu esperava 

O dia inicial inteiro e limpo 

Onde emergimos da noite e do silêncio 

E livres habitamos a substância do tempo 


                                               Sophia de Mello Breyner Andresen

25 de Abril

Esta foi a 1ª hora
Agora todo o tempo é nosso

José Carlos de Vasconcelos, Poemas para a Revolução

Como alguém disse: “Demorou tanto a chegar , não podemos deixá-lo partir”…



POR NOSSA PÁTRIA

Minha pátria é a terra
É onde se luta bebe ama
Minha pátria é a terra
Mas é neste mar neste campo nesta serra
Que deito raízes à terra 
e a voz da terra me chama

Ando a sofrer as dores do mundo inteiro
E sou duma pátria de sofrimento
Ando a sofrer as dores do mundo inteiro
mas é aqui ao lado de cada companheiro
que ao amor e à raiva me dou inteiro
vertical à luz do pensamento

E por nossa pátria livre eu vou cantar
Desfraldar a voz de poema em riste
Por nossa pátria livre eu vou bailar
Fazer o pino no ar
- homem de um povo que resiste

José Carlos de Vasconcelos, Poemas para a Revolução



Liberdade
               Sérgio Godinho

Viemos com o peso do passado e da semente
esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se ataca na torrente
e a sede de uma espera só se ataca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela calada
só se pode querer tudo quanto não se teve nada
só se quer a vida cheia quem teve vida parada
só se quer a vida cheia quem teve vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
a paz o pão
habitação
saúde educação
só há liberdade a sério quando houver
liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir.


https://www.youtube.com/watch?v=



25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava 
O dia inicial inteiro e limpo 
Onde emergimos da noite e do silêncio 
E livres habitamos a substância do tempo 

Sophia de Mello Breyner Andresen, 'O Nome das Coisas' 


domingo, 21 de abril de 2013

O regreso do livro único - metas curriculares

     PÚBLICO, DOM 21 ABR 2013   | 55
RICARDO SILVA
O regresso do livro
único de História
“A nossa consciência política é, e não pode
deixar de ser, uma consciência histórica”
Raymond Aron, Dimensions de la
conscience historique, 1961

Pode ler-se, desde a segunda
semana de Abril de 2013, no
sítio electrónico oficial da
Direcção-Geral de Educação,
que foi homologada a versão
final das Metas Curriculares
das disciplinas do 7.º e 8.º ano
de escolaridade. Com este
procedimento administrativo,
o Ministério da Educação
e Ciência (MEC) assume a decisão de
prescrever um conjunto de objectivos
construídos por equipas especializadas no
ensino de diferentes disciplinas para dois
dos três anos curriculares do 3.º ciclo do
ensino básico, deixando de fora, por razões
não explicadas, o 9.º ano.
Segundo o MEC, as Metas Curriculares
devem ser entendidas como instrumentos
que defi nem, “de forma consistente, os
conhecimentos e as capacidades essenciais
que os alunos devem adquirir, nos
diferentes anos de escolaridade ou ciclos e
nos conteúdos dos respectivos programas
curriculares” (Despacho n.º 5306/2012, de
2 de Abril de 2012).
As Metas Curriculares definidas para os
7.º e 8.º anos de escolaridade tomaram
por referência os programas disciplinares
em vigor, os quais foram formulados em
quadros de inteligibilidade e contextos
sócio-educativos diferenciados. Assim,
por exemplo, as Metas Curriculares
de Português referem-se ao programa
adoptado em 2009, as de Matemática ao
programa de 2007, as de Geografi a, Ciências
Naturais, Físico-Química e Educação Física
aos programas de 2001 e as das demais
disciplinas aos programas de 1991.
Se juntarmos a omissão do 9.º ano de
escolaridade ao desalinhamento temporal
e conceptual dos programas em vigor
em 2013, começa a desenhar-se a falta de
uma visão global do currículo (entendase,
as aprendizagens, conhecimentos e
capacidades que gerações de alunos irão
desenvolver ao longo dos próximos anos)
na medida política das Metas Curriculares
adoptada pelo MEC e, consequentemente,
o seu enviesamento metodológico, social e
educativo.
No caso da disciplina de História, as
Metas Curriculares para o 7.º e 8.º ano do
ensino básico recentemente homologadas
tomam por referência o programa adoptado
em 1991. Para a execução parcial de dois
terços das cinco fi nalidades e 41 objectivos
gerais do programa do 7.º e 8.º anos de
1991 e da totalidade das suas oito unidades,
22 subunidades, 53 temas e 176 conceitosnoções
programáticos, as Metas Curriculares
de História (MCH) prescrevem um conjunto
de 62 objectivos e 310 descritores (leia-se,
em conjunto, 372 objectivos operacionais de
conteúdo) do domínio cognitivo.
Os professores de História serão, deste
modo, compelidos, a partir do ano lectivo
de 2014/2015, a executar 372 objectivos
cognitivos no exercício da sua actividade
profi ssional nos anos de escolaridade
referidos. Isto equivale a dizer que
professores e alunos de História têm de
executar cada um dos micro-objectivos
determinados centralmente pelo MEC
à média horária de 17 minutos, o que
dará cerca de 5,3 objectivos por cada
aula útil (descontadas que foram as aulas
dedicadas às actividades avaliativas e não
contabilizando as eventuais saídas de
estudo) de 90,0 minutos. Resultado médio
este que não considera o trabalho visado
pelos objectivos gerais do domínio das
atitudes e valores (cerca de um terço dos
objectivos gerais) previstos no programa
ofi cial de História em vigor.
Este cenário do trabalho escolar
quotidiano das salas de aula de História
parece mais consentâneo com a
caracterização do funcionamento de um
regime militar, centralista, de comando
hierárquico, fechado à diversidade
(historiográfica e educativa), receoso
da inovação e desconfi ado da
competênciatécnico-profissional
dos seus trabalhadores mais
especializados (professores).
Porém, ele é quantitativamente
objectivo e denota, a um tempo, o
embotamento das opções
metodológicas em matéria de educação
histórica plasmadas pelas Metas
Curriculares e uma determinada visão
sobre a missão da disciplina de História
no terceiro ciclo do ensino básico.
O embotamento metodológico
deriva de uma visão tecnológico produtivista
de currículo, a qual é confirmada
pelas seguintes características:
a) as MCH são orientadas para
Professores e alunos de
História têm de executar cada
um dos microobjectivos
determinados centralmente
pelo MEC à média horária
de 17 minutos, o que dará
cerca de 5,3 objectivos por
cada aula útil a concepção dos conteúdos como
produtos formais de aprendizagem, e não,
concomitantemente, como promotores de
processos e estratégias cognitivas (métodos
e capacidades) próprias do conhecimento
histórico, os quais são afi rmados e visados
pelo programa curricular em vigor; b) as
MCH são concebidas como conteúdos
“que devem ser ensinados aos alunos”,
colocando-se, segundo esta perspectiva,
todo o seu enfoque na predição e controlo
dos desempenhos/performances dos
alunos em sala de aula; c) a análise técnica
da formulação das 372 MCH revela que
a esmagadora maioria (acima dos 75%)
dos desempenhos requeridos aos alunos
é dominada por técnicas cognitivas de
memorização e de compreensão muito
básica, menorizando, dessa forma, as
técnicas cognitivas superiores como as da
análise, crítica, investigação, comunicação
e síntese, entre outras, requeridas pelo
próprio programa de História em vigor.
Ao especifi carem um vasto número de
micro-objectivos (de sala de aula) a partir
do centro de decisão política (MEC), as
MCH representam, por um lado, uma
subversão dos princípios organizativos
do programa de História de 1991, que
dizem observar e respeitar, e, por outro, a
mudança da cultura de desenvolvimento e
gestão curricular implementada no período
democrático em Portugal. Se se considerar
que o desenvolvimento curricular é um
processo contínuo e interactivo, que
implica todos os decisores educativos
(políticos, especialistas, técnicos, escolas
e professores, entre outros), facilmente se
compreende que o modelo adoptado pelas
MCH encerrou esse processo no nível de
decisão do MEC e impõe uma visão única
de educação histórica às estruturas técnica,
escolar e docente por via administrativa.
Este modelo de desenvolvimento
curricular nunca foi defendido e
operacionalizado pelas reformas
curriculares substantivas de 1989-1991 e
Debate Metas curriculares
Luís Grosso Correia
de 2001. A única vez que foi publicado
um documento com uma aproximada
orientação tecnológico-burocrático administrativa
do ensino da História, ele
declarava, unívoca e formalmente, que não
tinha carácter normativo e que representava
um conjunto de sugestões metodológicas
para a operacionalização do processo de
ensino-aprendizagem, tomando o programa
ofi cial de 1991 por referência.
As MCH terão por efeito imediato o
constrangimento da acção dos docentes,
quer em contexto de escola quer de
sala de aula, no desenvolvimento e
gestão curricular, exponenciando os
(previsíveis) desvios entre o currículo
ofi cial e o currículo real. Neste quadro,
prevê-se que a implementação acrítica
das MCH implicará os seguintes efeitos: a)
a transformação do processo de ensino aprendizagem
de História numa actividade
técnica de concepção única (do ponto de
vista epistemológico, educativo e social),
pronta a servir de acordo com o algoritmo
pré-estabelecido centralmente, segundo
uma lógica de aplicação administrativa topdown;
b) a transfiguração dos professores
em front-desk bureaucrats de História ao
serviço de um qualquer estabelecimento
de ensino do sistema educativo português;
c) a concepção do aluno como uma
pessoa replicadora, por memorização,
de conteúdos históricos finalizados por
outros, alheia ao aprofundamento de um
pensamento autónomo, fundamentado,
crítico e criativo em matéria de
conhecimento histórico e de percepção da
realidade social à sua volta.
A opção metodológica adoptada na
construção e homologação das MCH encerra
ainda outros riscos a ter em séria conta,
dos quais destaco um só: a possibilidade
da captura do campo educativo por
visões particulares da História. Este risco,
atentatório do regime democrático, poderá
tornar-se mais explícito quando o mesmo
esquema metodológico das MCH ora
homologadas for aplicado aos conteúdos
programáticos do 9.º ano de escolaridade,
os quais recobrem o período histórico dos
séculos XX e XXI.
Os enviesamentos metodológicos
em matéria curricular e os riscos sócioeducativos
que aqui se apresentam a partir
da análise das MCH têm algum paralelo
com uma praxis educativa reconhecida em
Portugal desde a década de 1930. Começou
pelos livros de leitura do ensino primário,
foi aplicada no ensino secundário, com
particular incidência na disciplina de
História, encontrou no conceito de livro
único a sua tecnologia mais acabada e
durou até Abril de há 39 anos.
Professor universitário, Departamento
de História e de Estudos Políticos e
Internacionais, Faculdade de Letras da

Universidade do Porto.

domingo, 14 de abril de 2013

Revelada composição de comprimido com 2.000 anos






Um grupo de investigadores italianos revelou, por fim, a composição de seis comprimidos com cerca de 2.000 anos encontrados entre os destroços de um navio romano que naufragou na costa da Toscana, em Itália, em 1974. De acordo com a equipa, os fármacos deveriam ser usados para tratar problemas oculares e são uma prova da sofisticação do antigo mundo da farmacologia.
 
Os comprimidos foram encontrados numa caixa de metal e, apesar de terem estado vários anos submersos, mantiveram-se em muito bom estado, o que permitiu um estudo mais detalhado. "Estou surpreendida com o facto de termos encontrado tantos ingredientes e de eles estarem tão bem conservados, considerando que estiveram debaixo de água durante tanto tempo", confessou Maria Perla Colombini, professora de química da Universidade de Pisa, responsável pela investigação.
 
Embora estas pílulas, datadas do período entre 140 e 130 a.C. tenham sido descobertas entre 1980 e 1990, só agora os cientistas se dedicaram a analisar a fundo a sua composição. Segundo Colombini, a sua equipa utilizou um "bisturi muito fino para retirar um pequeno fragmento da substância" para proceder à sua análise, conseguindo desvendar os seus ingredientes.
 
Num artigo publicado na revista científica Proceedings of The National Academy of Sciences (PNAS) e citado pela BBC, os investigadores explicaram que as amostras recolhidas revelaram vestígios de gordura animal e vegetal, entre as quais, possivelmente, azeite, resina de pinheiro, substância com propriedades antibacterianas, amido e ainda compostos de zinco, que acreditam ser o princípio ativo do medicamento.
 
Dada a sua composição, os especialistas defendem que o fármaco poderá ter tido um uso oftalmológico. "A literatura científica recente documenta o uso na farmacologia romana de compostos de zinco, especialmente para a preparação do pó usado para o tratamento de doenças oculares", esclareceu Gianna Giachi, da Superintendência do Património Arqueológico da Toscana.
 
Giachi sublinhou ainda que "a pesquisa mostra o cuidado, mesmo na antiguidade, na escolha de uma complexa mistura de produtos para conseguir o efeito terapêutico desejado e ajudar na preparação e na aplicação do mesmo remédio", acrescentando que esta descoberta poderá ajudar a entender melhor a utilização - já muito avançada - de medicamentos no passado.

Clique AQUI para aceder ao resumo do estudo publicado na PNAS (em inglês). 

Terça-feira, 08 de Janeiro de 2013

domingo, 10 de março de 2013

Metas de aprendizagem


Através de uma análise ainda superficial das metas para a disciplina de História, constato que:
- as competências ( mecanismos complexos, mas que teoricamente obrigavam os alunos a conhecer, aplicar a situações concretas, reconstruindo o conhecimento) foram postas de lado. Na verdade, nós não tínhamos tempo suficiente para as operacionalizar como deve ser, mas lá íamos tentando fazer verdadeiros milagres.
- Voltamos então aos objetivos que segundo aprendi devem estar formulados num grau de concetualização crescente e não acontece. Frequentemente começa-se por relacionar e termina-se a identificar.
- Uma vez ou outra aparecem dois objetivos na mesma frase. Aliás a meta é sempre conhecer e compreender.
- Ao longo de todo o texto surgem objetivos não operacionais como “reconhecer”. Como é que vou ver se os meus alunos reconhecer sem que eles mostrem através de uma identificação, relação, análise, síntese ou avaliação que reconhecem?
- Estas metas abrangem um programa muito mais extenso. Voltamos ao programa que estudamos no Liceu, com alargamento à Europa de Leste, à China e à América. Surgem algumas notas curiosas como a importância dos impostos. Ótimo, a História deve ser um exercício de cidadania. Só se me coloca uma pergunta pertinente, creio eu:  vamos ter mais horas para lecionar este programa?