sexta-feira, 15 de setembro de 2017
Anja
sexta-feira, 8 de setembro de 2017
Louva a Deus
domingo, 30 de abril de 2017
Maias
segunda-feira, 20 de março de 2017
PRIMAVERA
terça-feira, 14 de março de 2017
Porto - alargamento do aglomerado urbano
ALARGAMENTO DO AGLOMERADO URBANO
Locais
de pagamento
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DATA |
LOCAL |
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Até
1517 |
Cerca
Velha |
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1517 |
Portas
do novo recinto muralhado: Ribeira; Sol; Cimo de Vila; Carros; Olival;
Virtudes e Miragaia. |
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1820 |
Alto
da Calçada de Vila Nova de Gaia; Senhor do Bonfim; Aguardente (Marquês) e
Prelada |
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1836 |
Massarelos;
Pena; Vilar; Bom Sucesso; Valas (Nossa Senhora de Fátima), Estrada Nova;
Carvalhido; Ramada Alta; Águas Férreas, Salgueiros, Sério (Antero de
Quental), Campos do Gancho, Aguardente, Doze Casas, Congregados (na Rua da
Alegria); S. Jerónimo, Campo Grande (Vinte e Quatro de Agosto); Bonfim;
Campanha; Seminário; Corticeira; Ribeira; China; Guindais e Ponte. |
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1887 |
Esteiro;
Freixo; Campanha; S. Roque; Rebordãos; Areosa; Azenha; Amial; Monte dos
Burgos; Senhora da Hora; Pereiró; Vilarinha e Castelo do Queijo.* A
sul – na margem direita do rio Douro: Cantareira; Ouro; Massarelos; Banhos;
Ribeira; Ponte D. Luís ( tabuleiro superior e inferior); Guindais e Pinheiro. |
Fonte:José
Alberto V. Rio Fernandes, Porto Cidade e
Comércio,e A.H.C.M.P., Porto 1997,
várias páginas.
* propicia a construção da
estrada da circunvalação construída em 1889
segunda-feira, 13 de março de 2017
Porto - morte (tradições)
MORTE
Alberto, vestido de luto
rigoroso, interrogava a esposa com o olhar, segurando nas mãos o chapéu preto a
que uma cinta de feltro baço, em jeito de fumo, tapava o brilho do gorgorão de
seda.
...
Havia seis meses que a casa
se entenegrecera de nojo pela morte do sogro, um nojo pesado que durante um ano
embiocaria as mulheres, encarvoaria os homens, não permitiria rir, cantar,
tocar, ter expansões, abrir as janelas....
(...)
Arrancaram as mulheres as
arrecadas, os fios, as medalhas de ouro, cobriram de pano preto os brincos das orelhas, ataram
o lenço negro pelos queixos e lançaram por cima das cabeças, escondendo-se no
bioco como animais acossados numa lura o pesado xaile de trevas. Também de
preto se vestiram os homens de alto a baixo e tiraram das gavetas das cômodas
as gravatas que cheiravam a naftalina, só usadas em tais horas de negrume. Tudo
o que lampejasse brilho era ofuscado, emudecido pelo feltro, pela estamenha baça
... fecharam-se em casa. Não saíram senão para a missa do sétimo dia na
madrugada gelada e silenciosa ...Lembrava-me do velório, daquelas horas
infinitas de suspiros e lábios a moverem-se no calado desfiar das contas do
rosário. De cada casa enviavam uma candeia de folha ou latão cheia de azeite e
com pavio novo, para agüentarem toda a noite. Era a única luz que velava o
morto. Não permitiam os costumes a estearina, o carbureto, o petróleo. Ainda
tinha no nariz esse cheiro a azeite queimado... Aos pés do caixão, um banquinho
com cobertura preta. Sobre ele, um copo grande de água-benta com um raminho de
oliveira mergulhado. Quem chegava aspergia o defunto, antes de se ajoelhar e
benzer ... Recordava-se do enterro, a longa fila de pessoas, a aldeia* em peso
que viera despedir-se do homem honrado ... Ela seguia atrás do caixão ao lado
do marido, vestida de luto, a mantilha preta de ir à missa pela cabeça ... Com
a morte do sogro perdia um amigo ...
Fernando Campos,
Psiché,Difel, Lisboa, 1987
* Santa Cristina de Malta ,
perto de Vila do Conde
.... ficava horas
esquecidas, mudas e tristes, sentada em sua cadeira, com um manto de lã sobre
os joelhos, diante daquela janela aberta, lá na sua casa do Porto, na Rua de
Anselmo Braamcamp, a olhar o sol derramando-se sobre os telhados da cidade, o
céu em que voavam pombas, as torres da igreja do Bonfim, as camionetas de carga
ao longe uma estrada plana... Dormiam sobre o piano emudecidas as suas músicas
preferidas ....
Fernando Campos,
Psiché,Difel, Lisboa, 1987
Porto - emigração
EMIGRAÇÃO
Partida do Porto para o
Brasil em 1916
Ao princípio ela e
as filhas estranharam o ambiente. Aquela confusão, no cais, de pessoas de todas
as qualidades, misturadas, em busca da entrada própria, do lugar competente.
Malas, embrulhos. Os guindastes guinchando, voando, carregando. Iam uns de passeio
ou de negócio, na viagem da prosperidade. Para outros, aquele era o cais da
esperança incerta. Gente simples, do campo, a quem incomodava a roupa
domingueira e facilmente, logo que era possível, o sapato ou a chinela davam
lugar ao pé descalço. Carpinteiros, pedreiros boçais, a cheirar a suor, unhas
de luto... Mas depois a bordo tudo era ordem, organização, hierarquia. Cada um
em sua prateleira! As correntes de ouro a balouçarem nos coletes de veludo, de
camurça, passeavam-se lá em cima na outra classe. Os enjeitados, enfeixavam-nos
no buraco escuro e irrespirável do porão ... A maior parte ia para o Brasil,
via Madeira, Canárias, Dacar ...
(...
) o vapor era como o mundo em miniatura (...)
Fernando Campos, Psiché, Difel, Lisboa, 1987
“O galego
da Galiza
quando vai à procissão
leva as
botas engraixadas
com a graxa
do patrão.”
No comboio, a caminho do
Porto, ainda nos ouvidos lhe soavam ecos de conversas recentes com amigos, à
mesa do café, nos dias de chegada a Portugal...
“ Como uma estátua que de
súbito se pusesse a caminhar! Acredite, Silva Lisboa!” dizia um.
“Como uma rocha que se
transformasse em gaivota e se erguesse a voar!” explicava outro.
Mas ambos pretendiam
exprimir a mesma odeia. Com ocinema, a fotografia libertara-se, no empolado
dizer deles, da petrificação, da morte, da eternidade, e nascera uma nova arte.
Fernando Campos,
Psiché,Difel, Lisboa, 1987







