sábado, 14 de outubro de 2017

Mãe









Oh mãe!
Como tenho tão presente
os doces momentos
em que me afagavas os cabelos
 e dizias baixinho:
- Minha filhinha!
É por isso que às vezes te chamo
e tu sais da moldura, sorrindo
- Minha filhinha, sobe a montanha!
No ar rescendem rosas
e eu subo!
Se pudesse encostar-me a ti
E chorar!
Mas tu voltas à moldura
e continuas a sorrir!
É assim que o meu sorriso revive
também!


domingo, 1 de outubro de 2017

E tu que achas? Miguel Ángel Guerra
















Educar não é subjugar,
Não é seduzir.
Não é impor, a todo o custo,
Os valores de cada um,
Os seus princípios e crenças. (…)
Educar é ajudar a formar em liberdade,
Pessoas de correta consciência.
Não se trata de pensarem
O que eu penso ou queria
Que os meus alunos pensassem.
Trata-se de saberem
Procurar a verdade sozinhos, ou juntamente com outros (…)


Miguel Ángel Guerra, Uma pedagogia da libertação




sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Anja








A minha Anja sentou-se na cadeira
perto da minha cama.
Como a sua mão de luz
tocou-me os olhos e despertou-me.

A minha Anja veio visitar-me no sono
e mostrou-me por dentro os meus sonhos.
Veio com o seu véu de medusa
a esvoaçar perto do meu rosto.
A minha Anja moveu-me os seus lábios de ros
e revelou-me um segredo
que como uma brisa
refrescou a minha alegria.

A minha Anja está perto de mim
Como eu perto do mar
e as suas pequenas vagas
fazem mover o meu coração.
A minha Anja
a de hálito azul
trouxe-me o sorriso fresco das manhãs
e ensinou-me a cor confiante da espera.

A minha Anja deixou-me uma pena
da sua asa. Nela voarei
para colher o canto azul dos pássaros.


Nuno Higino, “A Anja de hálito azul”







sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Louva a Deus







MONGE VERDE

Atormentado estava em labirinto,
sentei-me a meditar em meu jardim,
e os sonhos se fizeram de cetim
de um perfumado em rosa, qu’inda eu sinto.

E o monge se sentou perto de mim,
mãos postas, patas verdes, ser distinto,
falou-me o louva-a-deus, juro, não minto,
mimetizado à relva do capim:

“Por que tanta inquietude, amigo moço?
Soubésseis que esta vida é breve história,
jamais vós sofreríeis em sine die…

Que a morte em seu Mistério engole o poço,
e tudo o que levardes n’alma em glória
será o que viveis em carpe diem!”

Paulo Urban
http://www.amigodaalma.com.br/2011/04/22/eu-e-o-louva-a-deus/


domingo, 30 de abril de 2017

Maias

De um modo geral, o cenário das várias celebrações cíclicas compreende cerimónias de véspera. A colocação de giestas faz-se no dia 30 de abril para que as casas estejam floridas no momento em que começa o dia, para o «Maio», o «Carrapato» ou o «Burro» não entrar. O «Maio» ou o «Burro» são entidades nocivas, cujo malefício se pretende conjurar com uma barreira de flores.
A tradição de colocar Maias, nas entradas das casas, no dia 30 de abril para 1 de maio  perde-se no tempo.  Segundo alguns, originariamente, a Maia era uma boneca de palha de centeio, em torno da qual se faziam danças toda a noite do primeiro dia de Maio.
Também podia ser uma menina vestida de branco coroada com flores, sentada num trono florido e venerada, todo o dia, com danças e cantares.
Esta festa foi proibida várias vezes, como aconteceu em Lisboa no ano de 1402, por Carta Régia de 14 de Agosto, onde se determinava aos Juízes e à Câmara "que impusessem as maiores penalidades a quem cantasse Maias ou Janeiras e outras coisas contra a lei de Deus...".
Outra teoria liga o nome do mês de Maio a Maia, mãe de Mercúrio, e a ele está ligado o costume de enfeitar as janelas com flores amarelas.
Todos estes rituais estão ligados a antigos ritos de fertilidade do novo ciclo da natureza, à celebração da Primavera ou ao início de um novo ano agrícola.
A Igreja sacralizou esta tradição, ligando-a  à  Festa da Santa Cruz ou ao Corpo de Deus. Esse facto pode basear-se na lenda segundo a qual Herodes, sabendo que a Sagrada Família, em fuga para o Egito, pernoitaria em determinada aldeia, teria mandado matar todas as crianças. No entanto, alguém sugere que se assinale a casa do Menino Jesus para evitar tal mortandade. Todavia, quando os soldados se dirigem para a habitação assinalada, encontram todas as casas decoradas com giesta.

Enfim, todas estas práticas lembram, de forma obscura, a necessidade humana de esconjurar o mal, face à insegurança da vida e à omnipresente ameaça do que nos faz mal.


segunda-feira, 20 de março de 2017

PRIMAVERA



Na altura em que havia roupa de domingo e roupa de semana, a minha Professora Primária costumava anunciar que em determinado dia aprazado, ia visitar-nos à escola uma Senhora, e por isso, devíamos ir com a roupa domingueira e alegre. A minha mãe, no tempo em que o podia fazer, em conivência com a professora, moldava flores de papel tão belas que pareciam reais para serem espetadas nos tinteiros. A sala transformava-se num campo de hidranjas, cravos, rosas artificiais mas artísticas e nós que tínhamos uma escola severa, aproveitávamos aquela aberta para receber a Senhora Prima Vera!




















terça-feira, 14 de março de 2017

Porto - alargamento do aglomerado urbano

 

ALARGAMENTO DO AGLOMERADO URBANO

 

 Taxa sobre entrada dos produtos

Locais de pagamento

 


DATA

LOCAL

Até 1517

Cerca Velha

1517

Portas do novo recinto muralhado: Ribeira; Sol; Cimo de Vila; Carros; Olival; Virtudes e Miragaia.

1820

Alto da Calçada de Vila Nova de Gaia; Senhor do Bonfim; Aguardente (Marquês) e Prelada

1836

Massarelos; Pena; Vilar; Bom Sucesso; Valas (Nossa Senhora de Fátima), Estrada Nova; Carvalhido; Ramada Alta; Águas Férreas, Salgueiros, Sério (Antero de Quental), Campos do Gancho, Aguardente, Doze Casas, Congregados (na Rua da Alegria); S. Jerónimo, Campo Grande (Vinte e Quatro de Agosto); Bonfim; Campanha; Seminário; Corticeira; Ribeira; China; Guindais e Ponte.

1887

Esteiro; Freixo; Campanha; S. Roque; Rebordãos; Areosa; Azenha; Amial; Monte dos Burgos; Senhora da Hora; Pereiró; Vilarinha e Castelo do Queijo.*

A sul – na margem direita do rio Douro: Cantareira; Ouro; Massarelos; Banhos; Ribeira; Ponte D. Luís ( tabuleiro superior e inferior); Guindais e Pinheiro.

Fonte:José Alberto V. Rio Fernandes, Porto Cidade e Comércio,e A.H.C.M.P., Porto 1997,  várias páginas.

 

 

* propicia a construção da estrada da circunvalação construída em 1889